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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Porta Grande


No Domingo passado, dia 25,  Barcelona assistiu na sua Monumental, entre manifestações contrárias do lado de fora, à última tourada na Catalunha. O certo é que os toureiros saíram gloriosos pela porta grande, ouvindo-se Liberdade, liberdade.   


Na Segunda-feira, dia 26, o Primeiro-Ministro de Espanha, José Luis Zapatero, anunciou a sua saída, com a dissolução do Parlamento e a marcação de legislativas antecipadas para 20 de Novembro, agora numa fase em que Espanha está mais estável, pois, segundo confessou, em Agosto esteve à beira do pedido de resgate financeiro.

Qual a relação entre uma e outra notícia?
Aparentemente, nenhuma.

Mas dá que pensar...

De um lado, temos o governante que mais longe levou as "causas fracturantes" em Espanha sair do modo como sai, parecendo remotas as chances do PSOE tornar ao poder, nas eleições de Novembro próximo. Do outro, os toureiros de Barcelona, vencidos mas não derrotados, saem em ombros e com muita afición.  

Mais: na Comunidade Autónoma de Madrid, presidida por Esperanza Aguirre, do PP, a "fiesta de los toros" continua, fazem gala em afirmar, considerando mesmo a tradição um "bem de interesse cultural". E não se configura que isso possa prejudicar o score dos populares nas "gerais" de Novembro, a avaliar pelas sondagens. 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Ventos de Espanha


A retumbante vitória do PP Espanhol nas eleições regionais e municipais deste Domingo é mais que meio caminho andado para que a Moncloa passe para as mãos de Mariano Rajoy, já nas legislativas do próximo ano, caso não se realizem mesmo antes. Tendo Zapatero anunciado previamente a sua saída, ainda que com outra liderança, parece praticamente impossível que o PSOE seja capaz de se levantar dos escombros.

Curioso é notar que este ciclo dos socialistas espanhóis no poder, tanto o início, em Abril de 2004, como no fim, neste Maio de 2011, fique marcado por manifestações espontâneas, convocadas através das redes sociais. Há seis anos, a revolta que se seguiu ao ataque na Estação de Atocha foi determinante para que Espanha mudasse de rumo. Hoje, "a bomba" de 5 milhões de desempregados representados por  milhares na Puerta del Sol, tê-lo-á sido igualmente.

Se quando "Espanha espirra, Portugal constipa-se", importa observar ainda o paralelismo, de um lado e outro da fronteira:

José Sócrates chegou a Primeiro-Ministro menos de um ano após José Luis Zapatero, e corre agora o risco (o triste comício do PS em Évora, mais que o último debate, foi ilustrativo) de deixar o cargo menos de um ano antes do seu homólogo.

O tónico está dado. Os ventos de Espanha sopram a favor de Pedro Passos Coelho. No primeiro dia de campanha e a duas semanas das eleições, o PSD teve a sua primeira vitória, sem sombra de dúvida.