quinta-feira, 7 de abril de 2016

Exemplar

 
Acabei de ver há pouco Pedro Santana Lopes dizer que, caso estivesse em Belém, faria aquilo que Marcelo Rebelo de Sousa está a fazer.
Esta humildade revela muito sobre a espessura que se exige a quem põe a ideia de "serviço" e "Bem Comum" em primeiro lugar. Exemplar. Assim, sim, a política vale a pena.

domingo, 3 de abril de 2016

Coroa de Espinho

Numa palavra, em Espinho, o Congresso do PSD está a ser de prazos e tácticas. Passos Coelho dá um ano de prazo ao Governo e ao PR. O PSD dá um ano de prazo a Passos. Isto, com as autárquicas no calendário.
 
Lá dentro, nada de novo. Esboço-se o "remake" daquilo que aconteceu há 20 anos, na JSD. A sucessão de Passos. De um lado, Jorge Moreira da Silva e outros. Do outro, os opositores de antanho: Pedro Duarte, José Eduardo Martins e outros. Curiosamente, outra vez, uns e outros, em tempo de fastio de poder, sob a batuta de Marcelo Rebelo de Sousa.
 
A táctica sobrepõe-se à convicção. Social-democracia, todos enchem a boca com a ideologia, mas é mais espuma que conteúdo. Discutem-se nomes, presenças, ausências, e putativos candidatos. Especula-se. É a vitória dos bitaites e das tribos.
 
É "poucochinho". Parece não haver quem ali apresente um modelo capaz de tirar o País da "geringonça" e propor aos portugueses um modelo que dê resposta a questões muito simples:
Social e economicamente, como é que vamos viver? Como vamos garantir a nossa identidade, enquanto comunidade nacional? Como é que Portugal deve colocar-se perante a Europa e o Mundo?
 
Não se trata de reinventar nada. Trata-se da refundar o sistema constitucional e político-partidário, criar um modelo económico-social novo, apontar para uma ideia de cultura própria, nossa, e convocar todos a dar mais e melhor à causa pública.
 
Até lá, este Congresso do PSD, continua a ser, para além da Troika e da saída de cena de Cavaco Silva, uma coroa de Espinho.
 
P.S.
Este post foi escrito ontem à tarde, antes da intervenção de Pedro Santana Lopes que, com rasgo e elevação, foi a "alma" do Congresso, metendo os pontos nos is. 
Antes também da intervenção final de Passos Coelho, já hoje, em que fez um discurso alto nível, parecendo ter acertado o passo enquanto líder da oposição.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A Santa Casa não é dos partidos

A notícia de hoje do jornal I, com chamada de capa "Santana Lopes avança para a Câmara em 2017", só pode ser uma brincadeira rasca, própria de quem não faz a mais pálida ideia da responsabilidade que recai sobre quem representa instituições e serve causas públicas ou comunitárias.
 
Quem não consiga entender o compromisso social e institucional inerente ao exercício das mais altas funções na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, não serve a SCML, não serve a Lisboa, não serve o País, nem serve coisíssima alguma.
 
Além disso, arrastar a SCML para o plano de uma intrujice de meter dó, é uma grande falta de respeito. É intolerável para com a Instituição e as entidades a que estatutariamente está vinculada.
É pernicioso para com o Provedor e aqueles que o acompanham na Mesa.  É danoso para com os mais de 5000 dirigentes e colaboradores, que todos os dias trabalham por um Compromisso incessante, com mais de 500 anos, que todos os dias se renova, sem outra "agenda" que não seja a própria.
 
Enquanto administrador da SCML, sob proposta do Provedor, repugno, portanto, o teor da notícia do jornal I, sem embargo de me associar ao que o Dr. Pedro Santana Lopes disser sobre a mesma, no tempo e no modo que entender por bem fazê-lo.
 
Fazer bem aquilo que está a ser feito e fazer bem o que falta fazer na SCML, do primeiro ao último dia do mandato, em lealdade e cooperação, seja com o Governo ou Câmara Municipal em funções, assim como as entidades, organizações ou pessoas singulares que todos os dias depositam confiança na Misericórdia.
 
É assim que deve ser, é assim que foi, é assim que será. Independentemente das convicções políticas, das opções partidárias e das liberdades cívicas, que também a todos assistem, sempre.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Epifania - o quarto Rei Mago

 
Celebra-se este domingo a Epifania do Senhor - o Dia de Reis.
 
No Natal de 1991, na sequência do massacre de Santa Cruz em Díli, a Rádio Renascença pediu a Sophia de Mello Breyner um texto sobre o martirizado povo de Timor-Leste, sob ocupação indonésia.
 
A poetisa, escreveu, então, um conto, tendo inventado um quarto Rei Mago para acrescentar ao presépio: um liurai que queria levar ao Menino Jesus uma caixa de sândalo, com as pedras com que brincava em criança. E assim nasceu o "Anjo de Timor".
 
Hoje, Timor Lorosae é um país independente. Mas o conto de Sophia de Mello Breyner mantem-se actual para todos os povos e nações, incluindo, claro, Portugal.
 
Vale bem a pena ouvir pela voz da própria autora.
 

Ano Novo!

Mar bravo nas Flores, ponto extremo ocidental da Europa, na rota atlântica entre o Velho e o Novo Mundo.  Gosto especialmente da intensidade desta foto, captada há dias pelo Carlos Mendes.
Inspira-me coragem, ânimo e força, que desejo a todos neste Ano Novo, para saborearmos tudo o que a Vida oferece.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Why not?

 
Ampliando uma ideia que, originariamente, na verdade, era de meu Pai, propus, há já uma dúzia de anos, que os Açores, todo o Arquipélago, fosse classificado pela UNESCO como património natural/cultural da Humanidade.
 
Foi num Congresso partidário, em Novembro de 2003. Nessa altura, ninguém quis saber. O certo é que, actualmente, 3 das 9 ilhas (Graciosa, Flores e Corvo) foram classificadas como Reservas Mundiais da Biosfera pela UNESCO, para além da Paisagem Cultural da Vinha do Pico também ter alcançado estatuto similar.
 
Vem isto a propósito de assistirmos nos últimos anos, por todo o País, a classificações ou apresentações de candidaturas ao "selo" da UNESCO, desde as zonas históricas de cidades e vilas ao chocalho, passando pelo Fado e pelo Cante Alentejano.
 
Aqui chegados, caberá perguntar:
 
Por que não apresentar Portugal, todo ele, desde o território continental ao mar e às ilhas, a património cultural/imaterial/natural da Humanidade?
 
Vejo muitas vantagens, especialmente num tempo em que o nosso País está obrigado a reinventar-se e encontrar novo futuro.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Já temos Governo

Pode ser que me engane mas a percepção que tenho é esta:

O País indignou-se com o "trinta por uma linha" que António Costa fez para chegar a Primeiro-Ministro.

Hoje, passados 53 dias sobre as eleições, os portugueses como que respiram de alívio quando dizem "já temos Governo".

Por outro lado, ao fim de semanas em que a política voltou a ter o primeiro lugar nas conversas, grande parte das pessoas fartou-se e já não quer saber de nada disto.

E é neste mar de contradições que de novo nasce um fado