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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Les Enfants Terribles do PSD

Achei graça à entrevista que o José Eduardo Martins deu à Revista do Expresso. O novo "enfant terrible". Sê-lo-á. Para o Jornal. Não para o PSD, que conhece o "Zé Eduardo" há décadas, desde que começou a fazer carreira na JSD.
 
Curiosamente, com um itinerário e um estilo semelhante ao de Pedro Passos Coelho. Talvez com três diferenças. O José Eduardo não saiu da actividade política para ir fazer o curso. Chegou aos 40 anos com mais cargos políticos que Passos quando este foi eleito Presidente do Partido. Porém, o ex-Primeiro-Ministro, ao longo de muitos anos, foi "o desejado" na Jota, enquanto que o José Eduardo, também ao longo de muitos anos, foi mais "terrible" que "enfant", não recolhendo tanto afecto do povo laranja.
 
Contudo, no essencial, ambos são talentosos. Ambos são ambiciosos. Ambos são obstinados. Ambos são tácticos. Ambos são social-democratas na economia e liberais nos costumes. Ambos provêm de uma espécie de bloco de esquerda do PSD. Sim, "queques" nunca foram. Ambos são duros de roer. Ambos estão entre os melhores da sua geração. Com relativa vantagem para o José Eduardo, por ser mais culto e mais "fino", por preferir lampreia em vez de carne assada.
 
Digamos que no PSD alternativas não faltam...

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Exemplar

 
Acabei de ver há pouco Pedro Santana Lopes dizer que, caso estivesse em Belém, faria aquilo que Marcelo Rebelo de Sousa está a fazer.
Esta humildade revela muito sobre a espessura que se exige a quem põe a ideia de "serviço" e "Bem Comum" em primeiro lugar. Exemplar. Assim, sim, a política vale a pena.

domingo, 23 de agosto de 2015

A entrevista de Mariana Mortágua

Num tempo em que a sociedade derruba tantos preconceitos, estranho é que, "na hora da verdade", grande parte dos agentes político-partidários continuem agarrados a formatar juízos consoante as cores das camisolas.
 
Não quero saber se Mariana Mortágua é do BE, do Livre (L/TDA), do Agir (PTP+MAS) ou do PAN.
 
O que sei é que a deputada, que ficou conhecida pela intervenção que teve na Comissão de Inquérito ao BES, deu uma boa entrevista à Revista do Expresso. Demonstra ter um fio de pensamento sólido sobre a actividade política, o sistema económico-financeiro vigente e a (des)construção europeia, onde a democracia é um "pro forma".
 
Com pessoas assim, ainda que perfilhemos doutrinas e ideologias distintas, vale a pena sentarmo-nos à mesa e discutirmos política a sério. Afinal, há sempre pontes possíveis. Esse é o maior bem dos regimes democráticos.

domingo, 1 de junho de 2014

Uma entrevista que sai barata


Não se trata aqui da entrevista nem do entrevistado. É a entrevistadora, esperta que nem um alho, que cita muitos livros, viaja imenso e sabe montes de coisas. Há detalhes em que a Dra. Clara se revela. Avança: «Jantámos italiano, uma massa fresca com lavagante, recomendada e que ele não teve coragem de recusar apesar de achar demasiado opulenta». Mais adiante remata: «Recusou, com mão definitiva, um segundo copo de vinho do Douro de uma quinta de gente conhecida». Dêem-lhe lavagante recomendado e Douro de gente conhecida que a coisa vai. E acaba por sair barato. Isso, a Dra. Clara, não há maneira de aprender.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Bem de raiz



Tal como fizemos notar, perpassou da "narrativa caprichosa" de José Sócrates um tom que, aquilatando pela linguagem, convocou, acrescentamos, a imagem patusca das repúblicas de Coimbra, onde citar autores, fuzilar generais, revelar conspirações, escrever sebentas e  descobrir parentelas, tudo serve para aquecer o caldo da conclusão que o poder é um efe-érre-á. E que no regresso, de Paris para cá, é permitido tratar todos abaixo de pá. Enfim, a tipicidade de um deslumbre pedante, que quando não desbastado aos 20 torna-se perigoso.

Pedro Santana Lopes, mordazmente visado por Sócrates, ontem à noite na CMTV teve ocasião para dar resposta e comentar a "entrevista" mais falada nos últimos dias em Portugal.

A palavra de PSL eleva-se e obtém vencimento naturalmente, como podemos ver:
 
Apenas uma nota.
 
Para lá da defesa da honra e da abordagem às questões políticas, onde arrumou o opróbrio e soprou a pluma, Pedro Santana Lopes demonstrou outra coisa, muito simples. Um bem de raiz.

Não há tese ou mestre que colha sem um pingo de humildade e uma colher de chá.

sábado, 19 de outubro de 2013

Narrativa caprichosa



Sobre a entrevista exclusiva de José Sócrates, hoje estampada na Revista do Expresso, isto:
 
Da conversa com Clara Ferreira Alves resultou uma “narrativa” interessante, sem dúvida. Sobretudo porque o ex Primeiro-Ministo "abriu mais o livro", denotando a ânsia de provar que não é destituído intelectualmente, que aprendeu alguma ciência política nos últimos tempos, e que ainda não lhe passou o sabor azedo dos últimos cálices que bebeu à frente do Governo.
 
Do ponto de vista humano, é compreensível que Sócrates sinta necessidade de partilhar, tanto com o espelho como com o público, quer o sentimento de injustiça que o corrói, quer a capacidade que teve para iniciar uma nova vida académica e profissional, ademais bem sucedida. Neste domínio, Sócrates foi mais igual a si próprio e isso legitima o respeito que lhe é devido, pois há uma personalidade combativa que lateja no seu ser.
 
Do ponto de vista político, a entrevista, no mínimo, é acidentada. Da nossa leitura ressoam três indicadores de desnorte. Sócrates põe-se "a jeito". Quando trata o mandato popular como "um favor". Quando, por outro lado, não resiste a "falar de cátedra" para os seus camaradas socialistas sobre ideologia, como se a 3ª Via, subliminarmente proposta, fosse caminho para lado algum que não nenhures, parecendo ainda não estar desperto para a aurora revisionista da social-democracia. E quando releva um certo snobismo ao falar da direita, elevando-se à condição de "desejado", cavalgada em que arrasta Durão Barroso para o "altar-mor" do patriotismo.    
 
Por último, há um aspecto decisivo a salientar na entrevista de José Sócrates, o qual seria bom que não passasse em branco: o papel da entrevistadora. Não será preciso lupa para encontrar na narrativa o melhor linho da pena de Clara Ferreira Alves. Basta atentarmos no tom do linguajar... se as motivações de Sócrates são razoavelmente conhecidas, concedendo-se que carregue na tecla das suas feridas, já sobre a empatia, para não dizer osmose, revelada na harmonia entre entrevistadora e entrevistado, isso será mais imperscrutável.
 
Talvez a distância entre o capricho e a remissão seja uma pluma, num restaurante italiano. 

sábado, 8 de junho de 2013

Alta Definição


Fora concebido. Hoje nasceu. Em alta definição (sic).
De Portugal para Belém.

Cantando e rindo


Vítor Gaspar é o máximo! Confesso que nunca imaginei que algum dia um Ministro das Finanças fosse capaz de dizer o que disse no Parlamento, com toda a naturalidade, convencido que o exercício do cargo passa é isso mesmo: estagiar no Governo, experimentar, e aprender com os erros sobre as contas do País. Criticar? Qual quê? Nem pensar. Força, Senhor Ministro!

E o Senhor Provedor de Justiça, a propósito da bela entrevista que deu à Antena 1? Categoria!
Enfim.. as instituições democráticas estão fortes, funcionam regularmente e o regime recomenda-se.
Isto está lindo...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Alternativa de laboratório

 
A entrevista de António José Seguro ao DN/TSF é um hino à espuma que enrola na areia.
 
Nota-se que o Secretário-Geral do PS, na linha do que fez Passos Coelho, escolhe o cenário, adopta a pose, coloca a voz, ensaia o gesto, e assim se lança para governar Portugal.
 
Passos teve a sua «Plataforma de Ideias». Seguro tem agora o seu «Laboratório de Ideias». Como se a espessura dos políticos pudesse medir-se pela camada dos think thank que os adornam. 
 
De facto, não pode dizer-se que este eventual futuro Primeiro-Ministro seja lá muito promissor...
 
Mas o certo é que se dizia o mesmo de Passos Coelho e ele vai andando, sob batuta da Troika mais Gaspar e Moedas.
 
Parece-nos que o maior problema de Seguro, caso chegue lá, será mesmo esse:
 
É que não vai ter nem dinheiro, nem o argumento, fatal, de que há um Programa para cumprir.

Ver resumo da entrevista aqui:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=NoRwF7aynV8

domingo, 30 de dezembro de 2012

Morais Sarmento na «pole position»


Na sua última edição de 2012, e também na última edição antes de assinalar 40 anos, só pode ser considerado significativo que o Expresso, na Única, tenha publicado uma entrevista de sete páginas a Nuno Morais Sarmento, conduzida por Clara Ferreira Alves, com fotos de Rui Ochôa e tudo, e que "durou horas e, por falta de espaço, teve de ser cortada".
 
Também é significativo o teor da entrevista. Morais Sarmento discorre o que pensa sob um estilo de resposta conceptual, bem articulado, consistente, onde denota pretender mostrar que sabe o que quer e para onde ir. Fixa-se substantivamente nas questões colocadas, como, por exemplo, a propósito da RTP, conquistando a empatia da entrevistadora, que não costuma ser «pêra doce» nem «passar cartão» à maioria dos protagonistas do burgo.
 
É ainda significativo que, apesar de toda uma narrativa em jeito um tanto do «estratega» que fala «de fora», o ex-Ministro da Presidência tenha «tergiversado» aqui e ali, como quem, por acaso, deixa cair papelinhos com recados. Especialmente quando aproveita a justificação do patrocínio de uma causa para fazer a sua «profissão de fé», declarando não ser maçom, não ser ser das secretas, nem ter simpatia pela Ongoing.
 
Ao dizer que um seu constituinte lhe respondera não encontrar cinco pessoas que lhe pudessem dizer o mesmo, Nuno Morais Sarmento, com «golpe de asa e de uma penada», crava um monumental par de bandarilhas no Governo, no PSD, e no PS, colocando-se na pole position  dos tais quatro ou cinco que podemos encontrar para governar Portugal.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Bate e foge


Na entrevista de ontem à RTP, o líder do PS, António José Seguro, entre duas ou três coisas acertadas, um punhado de redundâncias e uma carrada de frases «para encher», veio, em suma, dizer:
 
- Que o PS só voltará ao governo por vontade dos portugueses. 
- Que não quer ser primeiro-ministro para pôr na biografia.
- Que rejeita um governo de salvação nacional.
- Que os portugueses decidiram que o PS devia ser partido da oposição.
- Que sem eleições o PS não irá para o governo.
 
Posto isto, neste clima de «emergência nacional», em que não está excluída a possibilidade do Partido Socialista ser chamado ao Executivo para um Governo de Salvação Nacional, fica claro que António José Seguro está mais preocupado consigo e com o PS do que com Portugal e os portugueses.
 
Faz lembrar alguém que dizia aos do seu partido para não terem «sede de ir ao pote»...
 
O actual líder do PS é mais um daqueles «políticos profissionais» que é «bom» até chegar a líder do seu partido, passa a «razoável» quando se torna na maior figura da oposição e se, por hipótese, fosse Chefe do Governo, seria «uma fraqueza». A «notação» dos estadistas costuma ser ao contrário. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

No limite


Terminada a entrevista do Primeiro-Ministro à RTP, ressaltam duas impressões fortes, a primeira mais afirmativa e a segunda, uma grande interrogação:
1. Estamos mais próximos da Grécia do que se julgava.
2. Quem sairá primeiro do Governo? Paulo Portas ou o próprio Pedro Passos Coelho?