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domingo, 25 de março de 2012

Passos Moreira da Silva

Sem arrebatar, pois não está na sua natureza e o momento recomenda cautelas, hoje, na sessão de encerramento do Congresso do PSD, vimos um Pedro Passos Coelho diferente para melhor, pegando no Partido e no Governo às costas e dali falando com humildade aos portugueses. 

Foi realista, elencou os pontos principais da agenda governativa, deu mostras de estar ciente dos problemas concretos que afligem  cidadãos, famílias e empresas (como desemprego e a coesão social), emendou a mão do Congresso «no tiro aos socialistas», e a todos convocou, desde os partidos da oposição aos parceiros sociais, para a gigantesca tarefa de cumprir os compromissos internacionais, a que o País se obrigou aquando do pedido de ajuda externa. Nessa medida, foi bastante razoável.

Faltou ir mais além que o reforço na aposta em «cumprir», o primeiro dos deveres, mas que é instrumental, porquanto o desígnio do País não pode esgotar-se no «caderno de encargos» da Troika nem no agrado às expectativas de Angela Merkel sobre o mais dedicado dos seus «pupilos».

Em todo o caso, há passagens do discurso que indiciam uma agenda própria de criação de riqueza em Portugal e da sua «mais-valia» no contexto de uma economia aberta ecompetitiva, como, por exemplo, a questão energética, a economia verde, o combate à desertificação de grande parte do território.

Vimos nestas «bandeiras» o «dedo» de Jorge Moreira da Silva, agora 1º Vice-Presidente da Comissão Política Nacional, a quem Passos Coelho, e bem, entendeu delegar a tarefa de coordenação política do Partido.

Jorge Moreira da Silva, que conhecemos há muitos anos, pelo seu perfil, muito próprio, pela conhecimento que tem das matérias que marcam a «agenda global», e por toda a experiência internacional que adquiriu nos diversos cargos que tem exercido «lá fora», está hoje entre os melhores quadros da vida política portuguesa e representa a geração que será chamada a guiar os destinos do País na etapa seguinte, pós-Troika.

Existirão outros, como Nuno Melo, pela banda do CDS/PP, ou Pedro Adão e Silva, do PS, só para ilustrar de entre os depauperados partidos, para não reduzirmos os «recursos humanos» do «capital de esperança» às fileiras do PSD.

Uma nota pessoal:

Há uns anos quando víamos algum caso de renovação, parecia tratar-se de alguém «distante», como que «inacessível». Hoje, damos por nós a pensar que nos tratamos por «tu». É algo «estranho» ver como o tempo é rápido e chama contemporâneos nossos à assunção de responsabilidades, assim mereçam respeitabilidade e possuam o talento e o espírito de serviço exigidos para o exercício da causa pública. Boa sorte, caro Jorge!        

Passos Sócrates


Se o primeiro dia do Congresso do PSD ficou marcado pela figura de Paulo Portas, no segundo pontificou o «fantasma» José Sócrates. Excepção feita a intervenções, em parte, como a de Jorge Moreira da Silva, Alberto João Jardim e mais um ou outro, na falta de «repertório», tal como o Senhor Presidente da República, também o órgão máximo dos social-democratas parece sentir necessidade de «exorcizar» a imagem do anterior Primeiro-Ministro, e assim expiar todo o mal.

É impressionante como no espaço de poucas semanas José Sócrates, ausente, calado, e «sem mexer uma palha» é repescado para a vida política portuguesa. O que será quando voltar e disser que quer falar?... especialmente quando achar por bem contra-atacar às purgas em curso contra o seu Governo, as quais fazem o delírio de incautos promotores.

Caso o Congresso tivesse terminado esta noite e a Pedro Passos Coelho não lhe sobrasse ainda a soberba possibilidade de se elevar no costumado discurso do encerramento, reservado para Domingo, onde poderá depositar rasgo e alma, alumiando o caminho, como lhe cabe, o XXXIV Congresso do PSD, numa palavra, quedar-se-ia por um «sofrível», isto, atendendo ao quadro geral dos partidos.

sábado, 24 de março de 2012

Passos Portas


Arrancou esta Sexta-feira em Lisboa o XXXIV Congresso do PSD. "Histórico", dizem os social-democratas. Na ordem de trabalhos está a revisão ao Programa do Partido, que não era mexido há 20 anos, bem como alterações aos Estatutos, para dar mais eficácia à organização e aproximá-la da «sociedade civil», com a introdução da figura do «simpatizante», por exemplo.

Vimos o discurso de abertura de Pedro Passos Coelho, qual aluno aplicado, dar conta do seu trabalho à frente do Partido e do Governo. Entendeu falar mais para a Troika que para os congressistas, daí o facto de ter resultado numa intervenção politicamente algo «chocha». É possivel que no encerramento venha com a alma mais confortada.

Mas histórico, mesmo, é o facto do «especial convidado», Paulo Portas, ter recebido o «anfitrião», Passos Coelho, em «casa» deste, com a naturalidade do «pastor» que vem »assenhoriar-se» do seu «rebanho».

Independentemente do modo e da forma, o certo é que a imagem de Portas a entrar com todas as honras naquela sala meio vazia, ainda antes do Congresso começar, assinala o início do processo de reconfiguração do centro/direita em Portugal. Neste momento, Paulo Portas está para a Coligação como um «Chairman» para a empresa, e Passos Coelho como o seu «CEO».

Tanto assim é que, findo o discurso do líder do PSD, a jornalista Anabela Neves, na recolha das reacções, começou uma pergunta a alguém dizendo qualquer coisa como «o que achou do discurso de Passos Portas?». Foi um lapso, claro, corrigido de imediato. Mas a tal imagem, que fica no subconsciente, não é lapso algum. Basta ver a 1ª Página do Expresso de hoje e somar as peças do «puzzle».

Se as freguesias, os municípios, até os países podem federar-se, por que é que os partidos não?

Esperemos que mais adiante esta questão seja ponto único da ordem de trabalhos de congressos, tanto do PSD, como do CDS/PP, como ainda de outros mais.

PS: Caso a norma da proposta estatutária seja aprovada, talvez alguém no PSD se lembre de atribuir, "cum laude", a Paulo Portas o cartão de simpatizante nº 1, por forma selar este momento "histórico".