segunda-feira, 31 de outubro de 2011

É na Terra, Não é na Lua

"É na Terra, Não é na Lua", o inclassificável documentário/diário/filme-ensaio de Gonçalo Tocha sobre a ilha açoriana do Corvo, ganhou o prémio máximo do DocLisboa 2011, o Grande Prémio Cidade de Lisboa para melhor longa ou média-metragem, atribuído pelo júri presidido pelo historiador Peter von Bagh. O palmarés foi anunciado na noite de sábado na sessão oficial de encerramento do certame antes da projecção de "Photographic Memory", de Ross McElwee.
Fonte: Público, 29.10.201 

domingo, 30 de outubro de 2011

sábado, 29 de outubro de 2011

Poderes de facto

 Carlos Moreno, Leya, Novembro de 2010

Massimo Ciancimino e Francesco La Licata, Livros D´Hoje, Fevereiro de 2011

Li pela ordem inversa à da sua publicação.

Primeiro, o «Dom Vito», contado por Massimo, filho de Vito Ciancimino, figura poderosa em Palermo durante a segunda metade do Século XX, a quem chamavam Dom Corleone, por ser oriundo da localidade siciliana com o mesmo nome.

Depois, o «Como o Estado gasta o nosso dinheiro», de Carlos Moreno, Juiz Jubilado do Tribunal de Contas e profundo conhecedor de Finanças Públicas.

Enquanto lia uma parte da história da máfia italiana, descrita por quem com ela conviveu de perto, a curiosidade inicial da leitura como que se desvaneceu. Se pusermos de parte os horrores sanguinários, que Francis Ford Coppola soube captar de modo impressionante, quanto ao móbil das contendas e das purgas em si mesmas e das teias de interesses que germinam à volta de um poder de facto, ora subterrâneo ora paralelo aos poderes de legais, diríamos que não há ali coisa que faça um português abrir a boca de espanto.

Já sobre o modo como os poderes públicos em Portugal foram depenando os cofres do Estado, de onde ressaltam as empresas municipais, regionais e centrais, tal como as PPP´s, verdadeiros sorvedouros de dinheiros dos contribuintes em benefício de proveitos de uns poucos, os factos e os números provam que os contratos de concessão devem ser rasgados, renegociando-se agora com as concessionárias com os pés assentes no chão. Isto, sem que Tribunal algum no seu perfeito juízo possa vir condenar o Estado a ter de indemnizar esta ou aquela empresa. Era só o que mais faltava!

Carlos Moreno não vai muito longe, quedando-se por atribuir tais desastres à ânsia de fazer obra depressa sem onerar os Orçamentos do Estado, deixando, assim, a origem do mal às tendências eleitoralistas dos governantes. Talvez... mas se soubessemos quem esteve no apoio técnico das negociações contratuais e quem ganhou o quê, talvez se apurassem histórias que pouco ficariam a dever aos enredos sicilianos.

P.S. A opinião aqui expressa não cauciona nem advoga a tese que por aí anda, de que a responsabilidade política deve ser escrutinada judicialmente. São planos perfeitamente distintos e baralhar é ajudar à impunidade. A responsabilidade política deve ser julgada nas urnas através de eleições. A responsabilidade civil e criminal deve ser julgada no foro judicial. Basta-nos o princípio da separação de poderes. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Centralidade na fronteira



Passos Coelho acorda com Dilma Rousseff cimeira Brasil-Portugal em 2012

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, acordou quinta-feira com a presidente brasileira, Dilma Rousseff, a realização de uma Cimeira Brasil-Portugal em 2012, com o objectivo de estimular alianças estratégicas entre empresas dos dois países.
"A nossa cimeira bilateral ficará subordinada ao tema de uma aliança para o crescimento sustentado e o grupo de trabalho já está a trabalhar", observou.
O primeiro-ministro confirmou que ambos "passaram em revista o plano de privatização" que está em curso em Portugal e que o país vê com "bons olhos" as proposta de companhias brasileiras.

(Fonte: Jornal de Negócios online, 28 Outubro 2011 / 00:18 Lusa)

Nada está seguro. Mas os resultados da Cimeira do Euro foram satisfatórios e indicam, finalmente, uma estratégia, quando antes parecia não haver nenhuma. A Portugal, que tem o seu caminho bem delineado, importa continuar firme no propósito de alcançar uma credibilidade externa que livre o País da "zona da despromoção". Embora ainda ténues, vão surgindo sinais nesse sentido.

É por isso que a frente atlântica e lusófona, em especial o Brasil, pode traduzir-se numa importância equivalente ao resultado dos esforços dentro da União e do Eurogrupo. Estando periclitantes ou menos confortáveis na Europa, será do outro lado do mar que iremos buscar o peso necessário para desequilibrarmos o fiel da balança a nosso favor, tal como propiciar ao «BRIC» que fala a nossa Língua uma porta franca de entrada no Velho Continente.

Em última análise, é na geografia e na história que está a mais preciosa valia pátria. Hoje, como há 500 anos. De futuro, não poderemos esquecer a lição. A nossa centralidade está sempre na fronteira.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A necessidade aguça o engenho


Enquanto aguardamos por fumo branco da Cimeira do Euro, esperando que dali emane uma resposta forte e decidida, a começar pela fórmula do perdão parcial da dívida da Grécia e consequente capitalização da banca, por cá, eis que o Ministro da Economia teve de aparecer, acossado que estava o Governo pela ausência de medidas destinadas a promover o crescimento e incrementar a riqueza.

Não será difícil imaginar, tal como na famosa série britânica - Sim, Senhor Ministro, como é que do Gabinete de Álvaro Santos Pereira despontou um raio de luz: ali reunidos, pensavam, pensavam, pensavam, e alguém, de repente, depois de voltas e mais voltas à cabeça exclamou, As minas, as minas! Ao que todos responderam Como é que não nos lembramos disso antes?. Vai daí, outro acrescentou, O gás natural do Algarve... logo um assessor de imprensa tratou de alinhavar as medidas em curso, pondo-as cá para fora, e fazendo notar o valor potencial dos recursos a explorar através das concessões de Moncorvo e Jales.

Não tardou nada e já havia quem viesse falar na riqueza de Portugal, a propósito de tais medidas.

Com mais um bocadinho de esforço a pasta da Economia vai recuperar. Há mais filões para (re)descobrir. Não tarda nada, agricultura, pescas, desenvolvimento rural e outros constituirão os vectores estratégicos do crescimento nacional.

É crível que sejam criados programas algo semelhantes aos velhos «planos de fomento».

Afinal, temos riqueza e sabemos produzir. Basta que a necessidade aguce o engenho.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Boa resposta

“Num momento de crise económica e de crise de valores no contexto europeu, é fundamental encontrar novos mecanismos de participação, de representatividade, de envolvimento dos cidadãos, para que a resposta não venha a ser uma deriva antidemocrática”, defendeu Jorge Moreira da Silva.

Durante a apresentação da Plataforma para o Crescimento Sustentável, à qual preside, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa, Jorge Moreira da Silva sustentou que “a insatisfação dos portugueses com a sua democracia é algo que está atestado, está verificado” nos estudos que têm sido publicados.

“Queremos levar a democracia mais longe”, afirmou.

O vice-presidente do PSD apresentou a Plataforma para o Crescimento Sustentável como uma associação cívica sem filiação partidária e sem fins lucrativos que defende, entre outros princípios, “mais liberdade aos cidadãos e menos influência ao Estado”, a promoção da “flexibilidade e segurança no trabalho” e “uma economia verde”.

Esta associação “já tem seis grupos a trabalhar”, conta mais de 300 associados e pretende divulgar “um relatório para o crescimento sustentável até ao final do primeiro semestre do próximo ano, identificando medidas estratégicas e concretas para libertar este potencial de crescimento”, adiantou.

No seu discurso, o fundador do PSD Francisco Pinto Balsemão, presidente do Conselho Consultivo da Plataforma para o Crescimento Sustentável, defendeu igualmente a necessidade de serem encontradas “novas vias de participação democrática”, em defesa da liberdade.

“Se queremos preservar a liberdade, temos de encontrar novas vias de participação democrática e de cidadania que nos protejam do crescente predomínio da segurança como prioridade e da consequente devassa da nossa privacidade”, considerou.

O presidente do grupo Impresa e antigo primeiro-ministro apontou a Plataforma para o Crescimento Sustentável como “um instrumento para a preservação da liberdade da pessoa humana, o que implica a descoberta de novas vias, não apenas políticas, mas também económicas e, sobretudo, de justiça social”, justificando com isso o facto de ter aderido a este projecto.

Fonte: Público online (25.10.2011 - 00:15 Por Lusa)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Cristina absoluta

Vitória de Cristina Kirchner, reeleita à 1ªvolta, com cerca de 54% dos votos, ao que tudo indica. O segundo candidato mais votado, Hermes Binner, deverá ficar a 40% de distância, naquela que será a maior diferença eleitoral desde o regresso da democracia à Argentina, em 1983.

(Foto: AFP)