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domingo, 5 de julho de 2015

Alternativas


 

Discordo daqueles que sustentam que não há alternativa para a Grécia.
 
Não há alternativa no quadro que está desenhado. Haverá alternativa, sim, caso exista vontade política da Europa para rever as disfunções do modelo vigente. Aliás, foi sempre assim que as alternativas surgiram - pela necessidade de encontra-las, em nome de desígnios comuns, mais altos. Lá fora, como cá dentro...
 
Não há alternativa é à reforma das instituições europeias. À redescoberta dos valores originários da União. Ao respeito pela soberania dos Povos. A uma moeda única capaz de incluir economias, em vez de as apartar.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Europa - o tempo é breve

 
Parece que não há maneira da nomenklatura europeia perceber que, quer chegue a acordo com a Grécia, quer não, vai ficar a perder.
 
Com acordo, a UE perde menos. Sem acordo, os danos tornam-se incontroláveis para a Europa inteira.
 
Faltam políticos capazes de ver largo e longe, em vez de comissários que só conseguem ver ao perto e estreito.
 
A esta hora, o problema já não é uma questão de engenharia financeira, de execução de um programa de assistência, ou sequer, de uma nova adenda, com um plano específico de apoio ao investimento. É política. É geopolítica. São razões dos Estados soberanos. São razões da União Europeia. 
 
A esta hora, o problema é que os céus da Europa já estão cheios de abutres.
 
P.S. 
O reembolso antecipado de Portugal é uma boa notícia. Mas uma Maria Luís frígida com Varoufakis não fortalece a posição portuguesa e cava mais fundo sobre o estado de necessidade grego. É triste.

domingo, 25 de janeiro de 2015

A Europa grega


O voto maioritário dos gregos é um apelo, para que entendamos as razões deles, que também são nossas. E uma interpelação, para que que se encontre outro modelo, numa Europa que também é deles.
 
No discurso que ainda há pouco fez, não vimos em Alexis Tsipras um tiranete ou um extremista. Vimos um democrata e vimos um líder. Vimos aquele que agora passa a ser o principal intérprete da dignidade reclamada. Legítimo.
 
Nesta tensão entre os países do Sul e do Norte, a questão passa pela proclamação que "ninguém é escravo de ninguém".
 
Tanto pode ser esse o significado das declarações do governo grego, como já foi esse o significado das declarações do governo finlandês, por exemplo.

Fundamental é que uns e outros confluam no repúdio da "escravatura".
 
Abre-se, pois, uma página nova. O tempo de reedificar os alicerces da construção europeia. O tempo de refundar. O tempo inadiável. O tempo da história futura.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Coitado do FMI


http://online.wsj.com/article/SB10001424127887324299104578527202781667088.html?mod=WSJEurope_hpp_LEFTTopStories

Salvaguardadas as devidas diferenças, esta do FMI reconhecer erros no Plano da Grécia faz lembrar a indústria farmacêutica.
 
Pegam em ratinhos de laboratório e vão-lhes fazendo experiências com esta e aquela substância. É preciso que morram muitas cobaias e que as fórmulas sejam reformuladas muitas vezes até que a comunidade científica diga que o remédio está pronto para ser testado em humanos.Então, as doses são ministradas via de regra a doentes terminais, pois morrer do mal ou da cura vai dar ao mesmo.
 
Voltando à Europa, aos PIGS e aos planos de assistência do FMI, o que estamos a assistir é a experimentalismo social e económico puro, cujo paralelo, para o encontrarmos, talvez tenhamos que remontar aos regimes nacional-socialistas que emergiram no Velho Continente nas décadas de 20 e 30 do Século XX. Com a diferença dos resultados terem sido melhores nalguns aspectos. Pelo menos cada Estado decidia por si próprio e os «bois» tinham nome.
 
Fascismo era fascismo, nacionalismo era nacionalismo, ordem era ordem, e por aí fora. Deu mau resultado? Pois deu. Mas na viragem do pós-II Guerra a Europa Ocidental soube o que fazer. E agora não sabe, ninguém sabe, no meio de tanta bagunça e da «Babel» chamada União Europeia, «sem rei nem roque»...

sábado, 20 de abril de 2013

Eurodebate


Pois... o euro. De diversos quadrantes começa a engrossar o caudal daqueles que entre nós já não têm qualquer prurido em defender uma discussão sobre a «bondade» da moeda única e uma revisão da integração de Portugal no Eurogrupo, identificados que estão os pressupostos que nos levaram a aderir e da forma como o fizemos. A propósito, para ilustrar, aqui fica mais uma intervenção no Parlamento Europeu de Nigel Farage.
 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O "pormenor" da falta de soberania

O que diz Henrique Monteiro na sua rubrica, O "pormenor" da falta de soberania, roça, de certo modo, algumas posições do conhecido eurodeputado Nigel Farage, e é não só natural como desejável que em Portugal outras vozes se juntem, para um debate "à séria" sobre os moldes da nossa integração europeia.
 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Cerrar fileiras

 
A onda de «casos» que ultimamente vai assolando a comunidade nacional, a todos indigna e fermenta os mais amplos e díspares sentimentos de revolta, preocupa, preocupa muito, e não augura tempos de bonança...

Todavia, para os nossos problemas internos, a opinião pública está cada vez mais atenta, dependendo de nós, e apenas de nós, meter «o País na ordem».

Mas isso não basta. É preciso mais, muito
mais.

O desmoronamento, mais que iminente, das instituições da União Europeia e das suas políticas, tal como as conhecemos hoje, requer, urgentemente, que Portugal saiba elevar-se na frente externa, cerrando fileiras na defesa da nossa soberania, que é o mesmo que dizer, evitar a alienação definitiva a suseranias sem rosto da nossa gente, da nossa alma, da nossa terra, do nosso mar, dos nossos valores e das nossas tradições. Trata-se, sobretudo, da nossa independência e da identidade nacional.

Que fazer?

Acompanhar, a par e passo, a evolução dos acontecimentos à nossa volta, e sermos responsavelmente implacáveis na exigência, quanto ao que os nossos representantes e terceiros fazem ou deixam de fazer por nós «lá fora».

É chagada a hora do patriotismo e talvez seja chegada também a hora de não termos pruridos em utilizarmos a palavra nacionalismo, no melhor sentido.

sábado, 30 de junho de 2012

Auto-estima


Foi muito bonito ver a recepção que o País fez à Selecção Nacional na Quinta-feira, depois de termos sido eliminados nos penalties pela Espanha, campeã mundial, europeia, e novamente finalista do Euro.

A equipa portuguesa foi mais que digno. Foi até ao limite dos seus limites, contrariando as expectativas iniciais. Em 16, tendo começado no «Grupo da morte», Portugal viu 12 países irem para casa mais cedo e alcançou o «Grupo dos 4», juntamente com Alemanha, Itália e Espanha. Belo «Grupo», bela participação!

O engrandecimento de um país não se faz apenas com coroas de glória, e uma Pátria não é perene só com feitos históricos e sonhos. Mas também com resistência e capacidade de superar dificuldades, indo mais além na conquista do respeito dos outros.

Obrigado Portugal, pela auto-estima que a equipa deu ao País inteiro!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Adenda à adenda de Portugal

A propósito da aprovação da «Adenda ao Pacto Orçamental», proposta pelo PS, para a posição de Portugal na próxima Cimeira Europeia, «do crescimento», agendada o fim de Junho, em Bruxelas, o comentário de Clara Ferreira Alves, em entrevista concedida a Ana Lourenço no Jornal da Noite da SIC/Notícias, devia ser anexado à Adenda e fazer parte integrante do documento português. Para a Europa ver.

Aqui fica o link: 
http://sicnoticias.sapo.pt/programas/edicaodanoite/article1567648.ece

sábado, 28 de janeiro de 2012

Na neve

Com mais uma Cimeira agendada para a próxima 2ª feira, em Bruxelas, os principais líderes da União Europeia foram passar estão este fim de semana à estância de sky de Davos, onde se encontra reunido o Fórum Económico Mundial, cujas atenções deste ano estão focadas na crise do euro, com o problema da Grécia à cabeça. 

Se a UE estivesse prestes a encontrar um rumo, depois deste encontro na neve suíça, a Cimeira de Bruxelas tinha sucesso garantido. Mas enquanto os protagonistas forem estes ninguém espera nada de novo. Depois da austeridade, aquelas cabeças descobriram que também é preciso haver «crescimento». Brilhante!

É frequente dizer-se em política, por vezes cinicamente, que «a questão não são as pessoas, que o problema é político». Pois no caso da UE, o problema são mesmo as pessoas. Enquanto os principais protagonistas não mudarem, nada feito. É que já não se trata de crise financeira, crescimento económico ou capacidade política, mas sim de «confiança». Perdida a confiança, o «restauro» só se faz com caras novas.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Union for the States

Foto: AP

Se tivéssemos de resumir o discurso do Presidente dos Estados Unidos da América no «State of the Union», diríamos que foi um apelo à unidade dos EUA.

Obama mudou o registo. Do «yes, we can», de há quatro anos, passou agora para o «let´s do it together».

Em traços largos, deixou cair uma parte do idealismo para corporizar e dar voz à figura do americano comum. Que não pecebe como é que a secretária de Warren Buffett paga uma percentagem maior de importos que o patrão multimilionário. Que não percebe como é que em Washington os Republicanos e os Democratas não se entendem e não se juntam em matérias em que deveriam chegar a acordo e cujas contendas só prejudicam o povo. Que não percebe como é que se os militares de um e outro lado, quando vestem o uniforme e parrtem em missão são capazes de colocar as diferenças de lado e unir-se em torno de uma bandeira, como é que não é possível que os agentes da comunidade não façam o mesmo no plano interno.

E é no plano interno que está a pedra de toque de Obama. Se bem observamos, ao longo de todo o discurso perpassou uma mensagem proteccionista, que aponta para uns EUA mais à defesa na economia por via de uma certa exortação patriótica. A América percebeu que sem «fair trade» à escala global não consegue aguentar a pressão competitiva de outras potências, com a China à cabeça. A América percebeu que não está sozinha no Mundo e as palavras do Presidente para captar investimentos, criar empregos, incentivar os mais qualificados, ter mais auto-suficiência energética, discriminar positivamente as empresas americanas e incrementar a poupança pública, entre outros, são o reflexo disso mesmo.

Curioso é, pois, que não tenha referido as palavras «União Europeia» ou «euro» uma única vez, nem quando se referiu aos «amigos» dos EUA. Aos ouvidos de um europeu, parece que Obama não encara a possível queda da moeda única europeia como um problema. É mais um problema para a UE. E pode vir também a tornar-se numa forte dor de cabeça para o próprio Obama, caso seja reeleito, o que em princípio deverá acabar por acontecer, em Novembro próximo.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Winston is back?


"The farther backward you can look, the farther forward you will see." (Winston Churchill)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Felipe Calderón - boa moeda

É verdade que perdemos poder de compra quando passamos dos escudos para o euro. Hoje, com 1 euro, que vale cerca de 200$00 não compramos o que dantes estava ao alcance de uma nota de 20.
Mas o euro não trouxe só desvantagens. No tempo dos escudos a nossa moeda valia muito pouco "lá fora".
Quem não se lembra do rombo que era comprarmos "moeda forte", pois em lado nenhum aceitavam escudos? Quem não se lembra dos "camones" chegarem cá com meia dúzia de dólares a tilintar no bolso, e de ficarmos estupefactos com o que levavam?

De volta ao escudo, as nossas dívidas triplicavam e os depósitos desvalorizavam na mesma proporção... esse não pode ser o caminho.


Vimos o Presidente do México, Felipe Calderón, fazer uma intervenção muito oportuna na corrente reunião do G20, insurgindo-se contra a deslealdade cambial que a China e outros países asiáticos estão a promover ao desvalorizarem artificialmente as suas moedas. "É um tema difícil, mas não precisamos apenas de um livre comércio, mas sim de um comércio justo", afirmou. E esta realidade está a "rebentar" com a economia dos EUA e da UE, acrescentamos.

Pode parecer demasiado idealista. Mas para que o mundo tenha «comércio justo» é preciso pôr travão às manobras cambiais, harmonizar a moeda à escala global, e seguir também essa orientação relativamente às leis do trabalho e regras de protecção no desemprego, doença, e velhice. Aí, sim, todos ficavam com "bicicletas" iguais à partida. Depois, quem melhor "pedalasse" chegaria primeiro.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Road to Cannes, 3-4 November 2011

Road to Cannes, 3-4 November 2011

Road To Nowhere
Talking Heads, music video

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Centralidade na fronteira



Passos Coelho acorda com Dilma Rousseff cimeira Brasil-Portugal em 2012

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, acordou quinta-feira com a presidente brasileira, Dilma Rousseff, a realização de uma Cimeira Brasil-Portugal em 2012, com o objectivo de estimular alianças estratégicas entre empresas dos dois países.
"A nossa cimeira bilateral ficará subordinada ao tema de uma aliança para o crescimento sustentado e o grupo de trabalho já está a trabalhar", observou.
O primeiro-ministro confirmou que ambos "passaram em revista o plano de privatização" que está em curso em Portugal e que o país vê com "bons olhos" as proposta de companhias brasileiras.

(Fonte: Jornal de Negócios online, 28 Outubro 2011 / 00:18 Lusa)

Nada está seguro. Mas os resultados da Cimeira do Euro foram satisfatórios e indicam, finalmente, uma estratégia, quando antes parecia não haver nenhuma. A Portugal, que tem o seu caminho bem delineado, importa continuar firme no propósito de alcançar uma credibilidade externa que livre o País da "zona da despromoção". Embora ainda ténues, vão surgindo sinais nesse sentido.

É por isso que a frente atlântica e lusófona, em especial o Brasil, pode traduzir-se numa importância equivalente ao resultado dos esforços dentro da União e do Eurogrupo. Estando periclitantes ou menos confortáveis na Europa, será do outro lado do mar que iremos buscar o peso necessário para desequilibrarmos o fiel da balança a nosso favor, tal como propiciar ao «BRIC» que fala a nossa Língua uma porta franca de entrada no Velho Continente.

Em última análise, é na geografia e na história que está a mais preciosa valia pátria. Hoje, como há 500 anos. De futuro, não poderemos esquecer a lição. A nossa centralidade está sempre na fronteira.