terça-feira, 7 de janeiro de 2014

No esplendor da luz perpétua

 
Subscrevendo a maior parte do que foi dito sobre Eusébio, ontem, já ao fim da noite, numa conversa sobre o modo como decorreu o último “adeus”, ouvi uma Senhora dizer isto:

«Acho que o povo anónimo, como eu, em primeiro lugar, devia rezar por ele. Depois, devia sair à rua e prestar-lhe homenagem, por ter conseguido erguer bem alto o nome de Portugal, engrandecendo-o… foi por isso que, apesar da chuva e ser do Sporting, na hora de almoço fui à Baixa e juntei-me às pessoas que estavam na Praça do Município...».

Estas palavras, bem medidas, suscitam uma breve reflexão quanto à publicidade das exéquias, transmitidas em “canal aberto”. Um aspecto só aparentemente de somenos no calor daquela onda de comoção.

O assunto abarca várias questões de fundo, sobretudo relativas a um código não escrito que tradicionalmente existia no jornalismo e dá mostras de ceder. Concorre agora com o carácter instantâneo, sem filtro, das redes sociais e plataformas digitais, onde, por seu turno, começam a adoptar-se códigos de conduta. A espiral torna-se inevitavelmente complexa, para mais tratando-se, no dizer dos media, de um “funeral de Estado”.
 
Por um lado, a figura que desaparece é “património de todos”, irmanando Portugal, a Portugalidade e o Mundo. Por outro lado, o extinto não é uma “coisa”. Transporta uma esfera de “pessoalidade”, cuja honrosa memória e dignidade da Família precisam da cautela de um último reduto de intimidade e recato, que só certos momentos de discrição e privacidade permitem.

Entendendo-se que a exposição do féretro em câmara ardente de figura pública tão popular, ou que a transmissão televisiva da sua descida à sepultura "é normal”, deixa de haver “limite”. Corre-se o risco de abrir a porta a um grau de “desumanização” contrário à grandeza da homenagem.

Isto, para nem falarmos da segunda figura do Estado fazer declarações públicas, sobre contas, ainda o enterro não terminara…     

Afinal, a última vontade de Eusébio, com a humildade que o caracterizava e a genialidade que o notabilizou, era só uma: que lhe fosse permitida uma volta ao seu Estádio da Luz.

Que descanse em paz. Vitorioso. No esplendor da luz perpétua. Com os holofotes no lugar certo.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Uma simpatia

 
Lemos que no CDS/PP, no trilho do PSD, há quem venha agora propor a criação da figura estatutária do «simpatizante». Ainda temos presente o que foi escrito numa certa Moção, apresentada num Congresso, em Pombal, nos idos de 2005, onde tal proposta foi levada pela primeira vez ao órgão máximo de um Partido. A iniciativa merece pois desde aí a nossa simpatia, sem quase 10 anos de atraso, portanto.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Lixo, uma questão de praça


Para lá do desconforto geral e da saúde pública, o asseio determina impensável que Lisboa deixe amontoar lixo nas ruas até 05 de Janeiro. Como parece que aos Governos, do Estado e da Cidade, pouco importa ver aqui uma Nápoles, a pecha reclama intervenção comunitária. Não há Lei que diga que as "forças vivas" não podem limpar os seus bairros. Que as associações (Bombeiros, Escuteiros, etc.) e grupos de voluntários se juntem para remover a pecha. As luvas, podiam, depois, ser simbolicamente deixadas à porta da Praça do Município.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Ordem de precedência

 
Importa lembrar aos cristãos a "ordem de precedência" do Natal.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Natal que provoca

 
Provoco. Não engraço com uma certa desvirtuada virtual “harmonia”, para usar uma palavra cara ao espírito "happy holidays".
 
Tem a ver com a forma. A importância da estética. O significado do gesto. O modo.
 
Tal como, na impossibilidade de acompanhar presencialmente, parece tíbio dar pêsames por sms (sendo o telegrama o meio adequado), por altura do Natal, na impossibilidade de uma visita, parece in...sosso dar Boas Festas pelo Facebook (sendo, aqui sim, na ausência de um postal ou um telefonema, um sms meio mais adequado).
 
"Aos amigos do FB", acontece lermos. Quem são esses "amigos"?
Entes acima de insectos e abaixo de gente? Percebe-se mas não se compreende.
 
Que falta de gosto... particularmente nos casos de quem desempenha funções de relevo ou cargos de responsabilidade, de quem se espera a beleza da simplicidade e a humildade do exemplo.
 
Santo Natal e Boas Festas!
 
Presépio (1598), de Federico Barocci

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Sem meias-tintas

 
 
Desde há 33 anos que todos os 04 de Dezembro se evoca a memória de Francisco Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa e dos demais ocupantes cuja vida foi ceifada em Camarate.
 
A propósito e a despropósito, já quase tudo foi dito sobre o fundador do PPD.
 
Desde há alguns anos que uma questão insiste em interpelar-nos:
 
Será que Sá Carneiro sufragaria o estado a que o «seu PPD» chegou?
Será que o ex-Primeiro-Ministro seria complacente com a governação actual?
Que será que o cidadão e político teria para dizer aos portugueses e ao mundo sobre Portugal?
 
Francisco Sá Carneiro deixou um fio de pensamento cujas teses estão suficientemente documentadas e podem indicar-nos um caminho, apesar do tempo entretanto decorrido.
 
Temos para nós que hoje, das duas uma:
 
Sá Carneiro, ou há muito que tinha abandonado a política activa, ou há muito que tinha rompido com o PSD, o actual sistema de Governo e um País de cócoras perante entidades externas.
 
Nem que isso lhe custasse ficar isolado ou votado ao degredo da III República, arriscamos dizer, sem meias-tintas.