sábado, 22 de novembro de 2014

Sócrates - o silêncio dos incapazes


Ainda que bem intencionada, malgrado rudimentar, a conversa que José Sócrates "é um cidadão igual aos outros" é errónea. Conduz a um igualitarismo que o bom senso não recomenda e o Direito desaprova. É igual perante a Lei, não perante a comunidade. Ou não estaria o País inteiro a assistir. Isto, para dizer que a dimensão política do caso é maior que a judicial. Ora, o silêncio do PSD e do CDS é ensurdecedor, com excepção para o "aleluia" do jovem deputado Duarte Marques, que é bom rapaz mas não percebe nada disto. Quando se aponta um microfone a um responsável partidário, é claro que não se espera uma resposta "para canto". É tão grande dever dos partidos não se intrometerem no foro judicial, como interpretar o acontecimento, no plano do abalo que tudo isto representa para as instituições. Normal seria que, ressalvada a nota das garantias constitucionais, aplicáveis ao cidadão José Sócrates, os partidos viessem reconhecer que este caso faz muito mal à democracia. Mas não. Remetem-se ao silêncio. O silêncio de quem não é competente para a responsabilidade que tem. O silêncio dos incapazes e dos cúmplices.