sábado, 30 de Agosto de 2014

São os costados de António Costa, Sr. Vereador!

 
Quando o Eng.º Sócrates mandou retirar os crucifixos das escolas, ao falar sobre isso a uma Tia (é professora e cuida de um orfanato, onde mora), disse-me preparar-se para escrever uma carta ao Primeiro-Ministro, perguntando-lhe a razão de não tentar tirar da bandeira nacional as cinco chagas de Cristo...

Vem isto a propósito da polémica despoletada por um Vereador da CML, que pretende arrancar símbolos do Portugal Ultramarino do Jardim da Praça do Império. Ou "do Império" é que não seria a dita Praça.

Ora, seguindo o argumento da minha Tia, salvo seja, pede-se aqui que na reunião do Executivo Municipal seja perguntado ao Dr. Sá Fernandes por que razão não tenta arrancar a pele e a carne mais os ossos ao Presidente da Câmara!

Apostamos como o Jardim vai ser arranjado e que os símbolos ficam todos no seu lugar.

sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

Outra vez a SATA - que sina!



Linha 707 227 282 (SATA Imagine)
Dia 29/08/2014
Horas, literalmente, a ouvir uma gravação com dizeres e intermezzos de moer a paciência a um cristão, à espera do "privilégio" de chegar à fala com alma viva da Companhia.
Depois, os pequenos que atendem, coitados. Para quem tem 40 anos de história com a SATA (a maior parte dos supervisors e daí para cima ainda não sabiam o que era um Gate) é de desejar que juntem a tralha e vão operar para a Malásia ou assim.
Enfim... qualquer dia vou ter de fazer uma "guerra". À moda velha. De cegar e fazer alguém espumar. No fim, aparece tudo mais panos quentes. Foi toda a vida assim... que sina!
 
P.S. I
Para verem como a SATA funciona:
Farto de esperar pelo dito Call Center para alterar uma reserva, falei com uma agência de viagens, que não só encontrou data mais favorável, que a SATA negara, como resolveu o assunto num ápice. De seguida, como era meu dever, liguei à SATA, a informar, por um lado, e a pedir para verificarem a nova data "no sistema", por outro (é preciso explicar tu à própria SATA, devagar e muito bem explicadinho). Ficou apenas outra questão pendente, também ela resolvida pelo atalho de um balcão da Companhia, numa das ilhas mais remotas. Dizem eles que as conversas são gravadas... eram 15:59H p.m. de hoje, dia 29/08. Tenho o registo da chamada no telefone...
 
Caro passageiro,
A SATA informa que deverá efectuar o pagamento da sua reserva através do multibanco ou serviço de home banking do seu banco até 29 Ago 2014 19:09.
Obrigado.


Código reserva: 2L3E6L
Data limite pagamento: 29 Ago 2014 19:09

MB
Entidade 11758
Referência 017 448 365
Montante 301,74 € 
 
P.S. II
Importa distinguir:
A SATA Air Açores (inter-ilhas), a SATA Internacional (no post refiro-me a esta) e a função social que a SATA cumpre, independentemente da escala económica das rotas, que assegura que nenhuma ilha seja excluída de transportes aéreos. Sobretudo quando é o único meio de transporte.
 
Faz sentido, pois, que o Estado comparticipe a SATA Air Açores e que exista, para o efeito, uma Companhia sedeada no Arquipélago. Já não faz sentido nenhum que o Estado atribua o monopólio à SATA Internacional (e à TAP, em code share) das ligações entre a Região e o Continente.
 
Estou entre aqueles que há muito defendem a abertura da "rota Açores" às Companhias que estejam interessadas. Isso só ainda não aconteceu por causa da "clientela" que a SATA alberga e de um centralismo bacoco, de segunda categoria, exercido pelos poderes regionais, como todos sabem.
 
A Autonomia Regional está corrompida. Não serve os fins originários a que se destina. Inventam-se necessidades para requerer meios e assim justificar um sistema que, leiam bem, só encontra paralelo na ex-URSS. E nisso, tal como ao nível da República, PSD e PS tem sido a cara e a coroa da mesma moeda.

quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Marques Guedes, o trinco



Marques Guedes merece elogio. Para além de ter o perfil adequado à função, convenhamos que é um berbicacho ter o papel de tornar simples aquilo que se passa nos Conselhos de Ministros, todas as Quintas-feiras. Ainda por cima, recordemos, quando este membro do Governo tem sido "o trinco que foi à dobra dos laterais azeiteiros", Maduro e Lomba, desde que os "nobéis" se puseram a inventar.

A propósito, uma pequena inconfidência, pois a crítica não é determinante exclusiva:

 Há um ano e tal, quando foi do “engasganço” com os briefings, ante a gargalhada geral, achei indigno ver o Governo passar por tal vergonha. Então, peguei no telefone e liguei a um dirigente do núcleo duro de Passos Coelho. Disse-lhe, «...Acabem com isso! Ponham o Dr. Marques Guedes a falar, uma vez por semana, às quintas, depois dos Conselhos de Ministros...».

Não sei se ajudou alguma coisa. Talvez não. O certo é que, passado pouco tempo, o Ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares começou a falar aos jornalistas semanalmente e a vozearia passou. Sinal que este é o melhor "modelo" e que Luís Marques Guedes, por regra, sai-se bem no que faz.

sábado, 16 de Agosto de 2014

Histórias que o meu Avô contava II - Os velhos

 
Antigamente, muito antigamente, quando os velhos estavam no fim da vida, os filhos pegavam neles e iam deixá-los a um local distante, ermo e inóspito, a fim dos pais ali morrerem.
 
Era a forma de se libertarem dos velhos que, uma vez inválidos, já não podiam contribuir para o sustento da casa, tornando-se, pois, um fardo para toda a família.
 
Uma vez, um velho estava para morrer. Nada mais havendo a fazer, o filho pegou nele e foi levar seu pai ao tal local, para que ali aguardasse o fim.
 
Quando lá chegaram, o filho pousou o pai sobre um colchão de junco e ao despedir-se compadeceu-se dele. Então, para não se sentir tão mal, tomou a manta de lã em que levara o velho envolto e disse-lhe: “Pai, vou cobri-lo com esta manta, para que passe menos frio.” Ao que este respondeu: “Não. Corta a manta ao meio e deixa-me só metade. A outra metade, leva-a para casa e guarda-a, para o dia em que o teu filho vier trazer-te aqui”.  
 
Mal terminara o velho de dizer aquelas palavras, o filho, lavado em lágrimas, não suportando ouvir tal veredicto do ancião, tornou a agasalhar seu pai, pegou nele outra vez ao colo e trouxe-o de volta a casa, novamente para junto da família.
 
Daí em diante, nunca mais ninguém foi levar nenhum velho ao tal local distante, ermo e inóspito, e todos passaram a morrer assistidos em casa, com as famílias em redor.
 
Moral da História:
Ainda jurista ou algum político soube explicar-me o que é a solidariedade intergeracional tão bem como o meu Avô. Ouvi ontem o PM… bem me parecia que o Governo, vendo-se impotente, considera os velhos descartáveis. Tal como antigamente, muito antigamente.


sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

A nossa Merkel - de fugir


O perfil da Ministra das Finanças traçado pelo Expresso será uma versão mal sortida mas arranjadinha de alguém que não sabe de que terra é. Uma náusea exemplar no engodo da formiga branca cerzida pelo passismo. De fugir.

sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

Histórias que o meu Avô contava I: Água no leite


Havia um lavrador modesto que ia ordenhar as vacas a pé. Tinha que caminhar muito e atravessar uma ribeira todos os dias. Na volta, carregava as bilhas às costas, desde o terreno onde pastavam os animais até à cooperativa. O que ganhava era pouco. Lá ia andando.

Um belo dia, ao passar a ribeira, pensou “vou mas é acrescentar água no leite. O que ganho com aquela pinga a mais dá-me para comprar um burro. Depois, com o burro, posso acartar mais leite e tornar a acrescentar mais uma pisca de água. A seguir, talvez dê para comprar um cavalo. Ganho mais, canso-me menos e sempre vou a cavalo. Ninguém dá por isso... e a água também não faz mal a ninguém”.
E assim fez.

Durante um certo tempo, quando regressava da ordenha, ao passar na ribeira, parava ali. E toca de misturar água no leite. Ninguém desconfiou. Como passou a entregar mais leite na cooperativa, no fim desse ano já teve lucro. Pegou no dinheiro e foi comprar um burro. Com o burro, mais bilhas podia acartar e mais água ia pondo no leite. Ao fim de uns anos, o homem já tinha um cavalo.

Então, numa manhã, viu que a ribeira estava grande, de tal modo que o cavalo estacou ali, receoso. Não queria. Mas com umas vergastadas lá se meteu. Ora, quando ia a meio, a força da corrente era tal que levou cavalo, bilhas e tudo!

O pobre do lavrador, que ficou sem nada, disse então consigo, “água o deu, água o levou!”.

Moral da história:

Vem daí a expressão “água deu, água levou!”, quando vemos uma coisa aldrabada desfazer-se. Nem sonhava que estava a aprender o que são “activos tóxicos”! Ainda nenhum economista ou gestor soube explicar-me isso tão bem como o meu Avô. Bem me parecia que os Bancos andavam a misturar água no leite.
 

domingo, 3 de Agosto de 2014

Os sonsos

A verdade é esta: o Governo tem sido muito sonso. Andam há meses a assobiar para o lado, como se não fosse nada com o Executivo. A única coisa que assumem em toda a parte é a coragem do "Não" a RS. Tudo o resto, a narrativa é "o regulador, o regulador, o regulador".

Ou seja, sabendo que "o menino vinha parar-lhes ao colo", primeiro endossaram tudo ao Banco de Portugal e ao novo Conselho de Administração do BES. Para agora poderem refugiar-se em argumentos de legalidade formal. Tanto assim é que, tanto da boca do PM e da Sra. Ministra "cargo de topo" ouviram-se, repetidamente, rasgadíssimos elogios ao Governador do BdP e ao novo CA, este, aliás, cuja escolha dos nomes foi-lhes totalmente alheia, pois... mais: o PM, ainda há poucas semanas, afiançava que o Estado não metia lá um chavo.

Aqui chegados, com o Banco falido, o Governo faz duas habilidades. A primeira, abrir a boca de espanto, com informação errónea veiculada pelo BdP e novo CA. E tanto Carlos Costa como Vítor Bento podem ir preparando o lombo, que estão à bica de passar de bestiais a bestas. A segunda, bastava ter olhos, faz lembrar a táctica de Durão Barroso, quando da II Guerra do Iraque. Portugal colabora mas não entra. Pois no BES, o Governo não só já entrou como está enterrado até ao pescoço. Esta gente julga que engana quem?