segunda-feira, 21 de Julho de 2014

A cabeça tem que ir ao cepo



Assistimos este fim-de-semana a um bailado pré-nupcial com muita afición. Duas entrevistas encavalitadas fizeram zoom e vieram trazer mais nitidez ao roadshow para as eleições legislativas e presidenciais. A sobreposição de corridas que o calendário impõe está a condicionar toda a manobra preparatória, fazendo confluir os protagonistas para a formação de dois tickets. De um lado, os Antónios. Do outro, os Pedros.

Confirmem-se ou não os nomes das duplas, o certo é que os candidatos a Primeiro-Ministro, quando partirem para o circuito da carne assada, cada qual levará na lapela o seu trunfo para Belém. Ora, apesar das presidenciais, por definição constitucional, não serem eleições partidárias, sê-lo-ão mais que tudo. Assim, já daqui a um ano, com as bandeiras postas e as máquinas na estrada, parece difícil que sobre folga para que eventuais amadores, da dita sociedade civil, possam intrometer-se…

É curioso observar este fenómeno, todo ele resultante do actual quadro político-partidário, que todos dizem querer mudar. É paradoxal e ao mesmo tempo irónico serem os partidos a fiar os próximos “donos disto tudo”.
O Povo, por seu turno, espera que quem lá chegar “mude isto tudo” e acabe com a bagunça em que o País está. Ganhará, portanto, quem melhores garantias der que devolve o poder aos portugueses e restaura Portugal. Quem quiser que os eleitores acreditem terá que pôr a cabeça no cepo.
 

domingo, 6 de Julho de 2014

BES - É o que parece ou parece o que é?

   
 

É bom que o BES, que parece viável, seja apartado do sector não financeiro do GES, que parece pantanoso? É.
 
É bom que a solução encontrada para a administração do BES, que parece positiva, seja capaz de dar bom governo ao Banco e suster rapidamente a nuvem de desconfiança que se abateu sobre a instituição? É.
 
É bom que o BES entre num novo ciclo, que parece afigurar-se saudável, e seja um parceiro sólido da economia portuguesa? É.
 
 
Parece que o Governo, mais ou menos discretamente, com o concurso dos accionistas, a bênção de Belém e o patrocínio do Banco de Portugal, conseguiu engendrar um quadro tipo «socialismo de mercado», passando o BES para a batuta da sua esfera de influência? Parece.
 
Parece que o Primeiro-Ministro, ao ter salientado o perfil tecnocrata da troika que vai para o BES, sentiu necessidade de neutralizar a ligação política de Vítor Bento, Paulo Mota Pinto e João Moreira Rato a ramos da família política que lidera? Parece.
 
Parece que o PSD não é do BES mas o BES é do PSD? Parece.

 

domingo, 22 de Junho de 2014

Comissário Europeu - um português sem medo


Deverá ser alguém de cariz eminentemente político, que não se paute pela ortodoxia ditada pelos eurocratas do status quo caduco. Capaz de promover pontes com os países do sul. Que não seja do género de pedir licença para levantar a voz contra a hegemonia dos programas únicos. Que não hesite em afirmar a vocação atlântica de Portugal nem a condição singular universalista portuguesa para mediar diálogos da Europa com o Mundo.
Dão-se sardinhas com batata a murro a quem acertar no nome do próximo Comissário Europeu.

quarta-feira, 18 de Junho de 2014

O Customer Care da SATA


17.06.2014 Voo SATA Flores/Ponta Delgada/Lisboa (SP 543 e S4 128)

- Flores/Ponta Delgada às 15:40 (no aeroporto das Flores às 14:40)
- Escala na Terceira de 30 minutos (ninguém avisara no check-in)
- Ponta Delgada- Lisboa às 21:05
...
- Às 19:39 recebemos sms que dizia, "A SATA informa que o voo S4 128 PDL-LIS dia 17JUN2014 foi alterado para as 22:40. A SATA deseja-lhe uma boa viagem".

- Passada 1 hora, no monitor das Partidas podia ler-se "atrasado. Partida às 23:00"

- Voo acaba por sair para Lisboa por volta das 24:00, operado pela WHITE

- No embarque, pedem quem tem crianças e a pessoas com necessidades especiais para embarcarem primeiro. Digo que tenho uma necessidade especial, "a falta de paciência. Que é uma vergonha e que ao menos alguém devia pedir desculpa, no mínimo!"

- Com a diferença horária (+ 1 hora), a chegada a Lisboa acaba por acontecer em cima das 03:00... 12 horas para chegar a Lisboa (e com o bom tempo a ajudar).

- Telefone ligado às 02:55 uma mensagem escrita da SATA que diz, " Pedimos desculpa pelo atraso verificado á partida do nosso voo S4 128 do dia de hoje. Lamentamos todos os transtornos causados. Atentamente Customer Care SATA".

E assim ficamos... um bálsamo de mensagem!

Para quem não saiba, que fique sabendo:

- A SATA Air Açores (inter-ilhas) presta um (bom) serviço social. Funciona. Justifica-se que o Estado comparticipe os seus custos;

- A SATA Internacional é, de facto, uma low cost que trata os passageiros a seu bel-prazer e cobra tarifas "normais", sendo, ainda por cima, subsidiada pelo erário público;

- Como se isso não bastasse, tem o monopólio da Rota Açores e não quer abdicar dele. Na Madeira, o espaço aéreo há muito que está aberto, rota em que a própria SATA opera, em concorrência, praticando, pois, outras práticas e tarifas;

- Como é bom de ver, a SATA Internacional, uma criação boa na sua origem, tornou-se num apeadeiro de muita clientela políticas do poderzinho autonómico;

- Quem escreve estas linhas conhece a realidade como as palmas das mãos e já viajava na SATA ainda a maior parte andava de calções, nunca vira um avião, ou nem sequer tinha nascido;

- A Oposição nos Açores prefere discutir temas como "a evolução do batráquio na frigideira" em vez de assuntos realmente importantes, que afectam as pessoas todos os dias. Merece ser Oposição e merece o Governo que tem, que exerce a tutela da Companhia;

- Os passageiros é que não merecem. Nem uns nem outros.

 

sexta-feira, 13 de Junho de 2014

Copa do Mundo - alegria em apartheid?


Quando vemos o mais popular dos eventos desportivos do Mundo acontecer marcado por protestos e tumultos à roda, com o Exército e o Povo em guerra na rua, algo não está certo. É como se a festa fosse de uma ditadura e a alegria de um apartheid. Não há marketing que limpe o cheiro à injustiça. Os poderosos da Terra deviam lembrar-se que são mortais.

domingo, 1 de Junho de 2014

Uma entrevista que sai barata


Não se trata aqui da entrevista nem do entrevistado. É a entrevistadora, esperta que nem um alho, que cita muitos livros, viaja imenso e sabe montes de coisas. Há detalhes em que a Dra. Clara se revela. Avança: «Jantámos italiano, uma massa fresca com lavagante, recomendada e que ele não teve coragem de recusar apesar de achar demasiado opulenta». Mais adiante remata: «Recusou, com mão definitiva, um segundo copo de vinho do Douro de uma quinta de gente conhecida». Dêem-lhe lavagante recomendado e Douro de gente conhecida que a coisa vai. E acaba por sair barato. Isso, a Dra. Clara, não há maneira de aprender.

quinta-feira, 29 de Maio de 2014

Limpinho


Seguro devia ter dito ontem a Costa, «Queres um Congresso? Marca já o dia e a hora».
 
Aos olhos dos portugueses, com o seu «nem não nem sim», deixando-se arrastar entre trunfos de secretaria e contagens de sargentos, mais perde a cada dia que passa.
 
Será que não percebe que para ganhar as legislativas, antes disso tem de provar que ganha limpinho contra António Costa?