quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Marques Guedes, o trinco


Marques Guedes merece elogio. Para além de ter o perfil adequado à função, convenhamos que é um berbicacho ter o papel de tornar simples aquilo que se passa nos Conselhos de Ministros, todas as Quintas-feiras. Ainda por cima, recordemos, quando este membro do Governo tem sido "o trinco que foi à dobra dos laterais azeiteiros", Maduro e Lomba, desde que os "nobéis" se puseram a inventar.

A propósito, uma pequena inconfidência, pois a crítica não é determinante exclusiva:

 Há um ano e tal, quando foi do “engasganço” com os briefings, ante a gargalhada geral, achei indigno ver o Governo passar por tal vergonha. Então, peguei no telefone e liguei a um dirigente do núcleo duro de Passos Coelho. Disse-lhe, «...Acabem com isso! Ponham o Dr. Marques Guedes a falar, uma vez por semana, às quintas, depois dos Conselhos de Ministros...».

Não sei se ajudou alguma coisa. Talvez não. O certo é que, passado pouco tempo, o Ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares começou a falar aos jornalistas semanalmente e a vozearia passou. Sinal que este é o melhor "modelo" e que Luís Marques Guedes, por regra, sai-se bem no que faz.

sábado, 16 de Agosto de 2014

Histórias que o meu Avô contava II - Os velhos

 
Antigamente, muito antigamente, quando os velhos estavam no fim da vida, os filhos pegavam neles e iam deixá-los a um local distante, ermo e inóspito, a fim dos pais ali morrerem.
 
Era a forma de se libertarem dos velhos que, uma vez inválidos, já não podiam contribuir para o sustento da casa, tornando-se, pois, um fardo para toda a família.
 
Uma vez, um velho estava para morrer. Nada mais havendo a fazer, o filho pegou nele e foi levar seu pai ao tal local, para que ali aguardasse o fim.
 
Quando lá chegaram, o filho pousou o pai sobre um colchão de junco e ao despedir-se compadeceu-se dele. Então, para não se sentir tão mal, tomou a manta de lã em que levara o velho envolto e disse-lhe: “Pai, vou cobri-lo com esta manta, para que passe menos frio.” Ao que este respondeu: “Não. Corta a manta ao meio e deixa-me só metade. A outra metade, leva-a para casa e guarda-a, para o dia em que o teu filho vier trazer-te aqui”.  
 
Mal terminara o velho de dizer aquelas palavras, o filho, lavado em lágrimas, não suportando ouvir tal veredicto do ancião, tornou a agasalhar seu pai, pegou nele outra vez ao colo e trouxe-o de volta a casa, novamente para junto da família.
 
Daí em diante, nunca mais ninguém foi levar nenhum velho ao tal local distante, ermo e inóspito, e todos passaram a morrer assistidos em casa, com as famílias em redor.
 
Moral da História:
Ainda jurista ou algum político soube explicar-me o que é a solidariedade intergeracional tão bem como o meu Avô. Ouvi ontem o PM… bem me parecia que o Governo, vendo-se impotente, considera os velhos descartáveis. Tal como antigamente, muito antigamente.


sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

A nossa Merkel - de fugir


O perfil da Ministra das Finanças traçado pelo Expresso será uma versão mal sortida mas arranjadinha de alguém que não sabe de que terra é. Uma náusea exemplar no engodo da formiga branca cerzida pelo passismo. De fugir.

sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

Histórias que o meu Avô contava I: Água no leite


Havia um lavrador modesto que ia ordenhar as vacas a pé. Tinha que caminhar muito e atravessar uma ribeira todos os dias. Na volta, carregava as bilhas às costas, desde o terreno onde pastavam os animais até à cooperativa. O que ganhava era pouco. Lá ia andando.

Um belo dia, ao passar a ribeira, pensou “vou mas é acrescentar água no leite. O que ganho com aquela pinga a mais dá-me para comprar um burro. Depois, com o burro, posso acartar mais leite e tornar a acrescentar mais uma pisca de água. A seguir, talvez dê para comprar um cavalo. Ganho mais, canso-me menos e sempre vou a cavalo. Ninguém dá por isso... e a água também não faz mal a ninguém”.
E assim fez.

Durante um certo tempo, quando regressava da ordenha, ao passar na ribeira, parava ali. E toca de misturar água no leite. Ninguém desconfiou. Como passou a entregar mais leite na cooperativa, no fim desse ano já teve lucro. Pegou no dinheiro e foi comprar um burro. Com o burro, mais bilhas podia acartar e mais água ia pondo no leite. Ao fim de uns anos, o homem já tinha um cavalo.

Então, numa manhã, viu que a ribeira estava grande, de tal modo que o cavalo estacou ali, receoso. Não queria. Mas com umas vergastadas lá se meteu. Ora, quando ia a meio, a força da corrente era tal que levou cavalo, bilhas e tudo!

O pobre do lavrador, que ficou sem nada, disse então consigo, “água o deu, água o levou!”.

Moral da história:

Vem daí a expressão “água deu, água levou!”, quando vemos uma coisa aldrabada desfazer-se. Nem sonhava que estava a aprender o que são “activos tóxicos”! Ainda nenhum economista ou gestor soube explicar-me isso tão bem como o meu Avô. Bem me parecia que os Bancos andavam a misturar água no leite.
 

domingo, 3 de Agosto de 2014

Os sonsos

A verdade é esta: o Governo tem sido muito sonso. Andam há meses a assobiar para o lado, como se não fosse nada com o Executivo. A única coisa que assumem em toda a parte é a coragem do "Não" a RS. Tudo o resto, a narrativa é "o regulador, o regulador, o regulador".

Ou seja, sabendo que "o menino vinha parar-lhes ao colo", primeiro endossaram tudo ao Banco de Portugal e ao novo Conselho de Administração do BES. Para agora poderem refugiar-se em argumentos de legalidade formal. Tanto assim é que, tanto da boca do PM e da Sra. Ministra "cargo de topo" ouviram-se, repetidamente, rasgadíssimos elogios ao Governador do BdP e ao novo CA, este, aliás, cuja escolha dos nomes foi-lhes totalmente alheia, pois... mais: o PM, ainda há poucas semanas, afiançava que o Estado não metia lá um chavo.

Aqui chegados, com o Banco falido, o Governo faz duas habilidades. A primeira, abrir a boca de espanto, com informação errónea veiculada pelo BdP e novo CA. E tanto Carlos Costa como Vítor Bento podem ir preparando o lombo, que estão à bica de passar de bestiais a bestas. A segunda, bastava ter olhos, faz lembrar a táctica de Durão Barroso, quando da II Guerra do Iraque. Portugal colabora mas não entra. Pois no BES, o Governo não só já entrou como está enterrado até ao pescoço. Esta gente julga que engana quem?

sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

Who Framed Roger Rabbit

 

Não. Convocar este vídeo, com poucos dias, não se destina à crítica que seria fácil.

O cargo de Primeiro-Ministro é de uma exigência olímpica. Podem alguns dizer o que quiserem. Não sabem do que falam. O PM, de longe, é o servo dos servos da causa pública. Aquele a quem todos exigem tudo, todos os dias, a toda a hora.

Agora, um PM que se fie apenas na informação que lhe é dada incorre no risco de se atrasar aos factos ou, inclusive, de ser iludido pelos "papéis". Tudo passa pela fidelidade da informação e, depois, pela condução política do assunto. O mais do tempo, o PM passa-o a gerir informação.

Ora, considerando a sobrecarga da agenda, que obriga a uma roda-viva de deslocações, por um lado, a par de uma pressão mediática, cada vez mais voraz, por outro, sobra curtíssimo, quase contado ao minuto, o tempo de ponderar. Quando no fio da navalha, como neste caso, avisado é não ceder à avidez do enxame que interpela. Mas não chega. Também é preciso desconfiar.

Aqui entramos no campo dos sentidos. Aquilo a que costuma chamar-se faro. A percepção que há algo que "não bate certo". Por isso, o PM faz bem em ter presente o "Who Framed Roger Rabbit". Passos sabia. Devia. Só podia.

Primeiro-ministro diz que Estado e contribuintes não suportarão perdas de maus negócios privados

2014-07-11

http://www.tvi24.iol.pt/aa---videos---politica/passos-coelho-bes-contribuintes-tvi24/1564028-5796.HTML


 

Um detalhe

 
Ou seja:
Em 2004, o apelo da Europa clamou tanto que o Primeiro-Ministro de Portugal largou tudo e foi a correr, fazer História...
Em 2014, o apelo da Europa mandou tanto que o Primeiro-Ministro de Portugal não riscou nada e foi a correr, contar a história ao Zaqueu.
Se a Comissão Europeia é um abismo, o Governo português ultrapassa Bruxelas. Ou oito ou oitenta. E assim se fez Moedas Comissário Europeu. Irrelevante. Pode ser esse. É bom nas contas. Até merece, dirão. Pois... Portugal é que não pode ser um detalhe no meio destas histórias.