segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Abril em «Novembro»


Soberbo. Romance notável:
 
Pela homenagem à mulher a quem é dedicado.
Pela revelação de outra parte da história do 25 de Abril.
Pela descrição das fraquezas e das grandezas da Portugalidade.
Pela dimensão humana e espiritual que cada personagem transporta.
 
Este Novembro de utopias e paixões é um confesso que vivemos a não perder.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Morais Sarmento na «pole position»


Na sua última edição de 2012, e também na última edição antes de assinalar 40 anos, só pode ser considerado significativo que o Expresso, na Única, tenha publicado uma entrevista de sete páginas a Nuno Morais Sarmento, conduzida por Clara Ferreira Alves, com fotos de Rui Ochôa e tudo, e que "durou horas e, por falta de espaço, teve de ser cortada".
 
Também é significativo o teor da entrevista. Morais Sarmento discorre o que pensa sob um estilo de resposta conceptual, bem articulado, consistente, onde denota pretender mostrar que sabe o que quer e para onde ir. Fixa-se substantivamente nas questões colocadas, como, por exemplo, a propósito da RTP, conquistando a empatia da entrevistadora, que não costuma ser «pêra doce» nem «passar cartão» à maioria dos protagonistas do burgo.
 
É ainda significativo que, apesar de toda uma narrativa em jeito um tanto do «estratega» que fala «de fora», o ex-Ministro da Presidência tenha «tergiversado» aqui e ali, como quem, por acaso, deixa cair papelinhos com recados. Especialmente quando aproveita a justificação do patrocínio de uma causa para fazer a sua «profissão de fé», declarando não ser maçom, não ser ser das secretas, nem ter simpatia pela Ongoing.
 
Ao dizer que um seu constituinte lhe respondera não encontrar cinco pessoas que lhe pudessem dizer o mesmo, Nuno Morais Sarmento, com «golpe de asa e de uma penada», crava um monumental par de bandarilhas no Governo, no PSD, e no PS, colocando-se na pole position  dos tais quatro ou cinco que podemos encontrar para governar Portugal.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A FLAD e o «hub dos Açores»



Com o anúncio da redução da presença militar americana na Base das Lajes (Ilha Terceira, Açores), que passará de «Air Base Wing» para «Air Base Group» em 2014 - para além da questão da revisão do Acordo Luso-Americano - está a causar preocupação entre as autoridades portuguesas, sobretudo pelo forte impacto que a medida causará na economia da Ilha Terceira, que em grande parte, directa ou inderectamente, gira à volta da Base, a começar pelas centenas de trabalhadores portugueses que ali trabalham.
 
Tanto da parte do Governo da República, através do Ministro dos Negócios Estrangeiros, como por banda do Governo Regional dos Açores, na pessoa do Presidente Vasco Cordeiro, parece que todos os esforços estão a ser desenvolvidos concertadamente a fim dos interesses portugueses serem salvaguardados neste «downgrade», encontrando-se ainda soluções que permitam colmatar a redução da «colónia americana» na Ilha.  
 
Ora, sendo o Arquipélago dos Açores, histórica e politicamente, o elo mais forte das relações entre Portugal e os EUA, achamos que, de entre as medidas a adoptar, há uma, que nunca vimos ser falada, e que se nos afigura totalmente pertinente:
 
A FLAD - Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento - http://www.flad.pt/, que deve a sua criação a fundos obtidos ao abrigo das contrapartidas americanas pela utilização das Lajes, deveria transferir a sua sede para a Ilha Terceira e aí, no meio do Atlântico, passar a exercer a sua missão.
 
Numa altura em que tanto se fala da importância dos «hubs» da TAP e da ANA em Lisboa, era bom que a expressão fosse alargada a outras matérias que não as estritamente aeroportuárias e também se falasse do «hub dos Açores», relativamente à mais-valia que as ilhas representam para Portugal no contexto das relações transatlânticas em diversos domínios, alguns deles completamente novos e com múltiplas potencialidades.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Nicolau is coming to town

O Expresso e Artur Baptista da Silva

Esclarecimento de Nicolau Santos, diretor-adjunto do jornal Expresso sobre o caso Artur Baptista da Silva que se diz ser das Nações Unidas. O Expresso resolveu despublicar a entrevista datada de dia 15 devido às fortes suspeitas de burla que recaem sobre Baptista da Silva. 

12:42 Segunda feira, 24 de dezembro de 2012
 
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Esta história é mais própria de Carnaval do que de Natal.
Mas o Expresso «decidiu» antecipá-la.
Sabe-se lá se para constar da publicação especial em 2013, a propósito dos 40 anos do Jornal...
A cereja no topo do bolo agora, era Nicolau Santos ir falar com a Troika vestido de Pai Natal.
Com cartões e tudo...
Talvez resultasse.

A alegria do Natal



Nesta época do ano erguem-se árvores de Natal por toda a parte, e assim se ornamenta o Mundo.
 
Mas uma árvore sem raiz é tão frágil quanto efémera, por muito graciosa ou imponente que seja.
 
Para os cristãos, a raiz do Natal encontra-se no Presépio de Belém, motivo de fundada alegria.
 
Bom Natal!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

TrAP!


Sobre a TAP, subscrevemos a opinião de José Gomes Ferreira, sem dúvida a mais lúcida, pouco depois  do Governo ter anunciado a decisão tomada em Conselho de Ministros:

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Na aldeia do Asterix não havia CNN


Pode ser ao fim de um dia qualquer. É todos os dias. Em todos os canais de informação. Quem quer saber o que se passa liga a televisão e vê as notícias.
 
Entre as «broncas» da política e antes das «últimas» do futebol, que vê?
 
Uma criança levou uma arma para a escola no Utah; duas pessoas morreram numa linha de comboio em Alverca; dois feridos graves numa fuga de gás em Tomar; um turista canadiano perdeu a vida no rio Vilcanota; a violência já matou mais de 40.000 pessoas na Síria; um comerciante disparou fatalmente sobre a mulher por esta lhe ter dito que apoiava Bashar al-Assad; onze presos e seis guardas morrerem numa prisão do norte do México, etc.
 
Se fossem apenas as manchetes do jornal «Correio da Manhã» era «canja»... mas não. É geral.
 
Dois terços dos noticiários são passados a relatar violência, morte e tragédia. Sangue e desgraça.
 
A recôndita aldeia francesa de Bugarach está pejada de repórteres, à espera da chegada dos OVNIS que salvarão a espécie humana, convencidos que estão da profecia do calendário Maia, segundo o qual o fim do Mundo é amanhã. Será que vão enviar as imagens e os relatos do apocalipse de Marte para Saturno? 
 
Urge fazer um grande debate, sobre as responsabilidades dos meios de comunicação social na legitimação do embrutecimento, pois a generalização da indiferença perante as atrocidades é o mecanismo que sobra contra a depressão e a insanidade colectiva.
 
Trata-se de um dos maiores combates do nosso tempo. 
 
Pela civilização. 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Decidir


Os estivadores já fizeram saber que as greves vão prolongar-se até o dia 07 de Janeiro.
 
Por que razão o Governo não determina a requisição civil?
 
Faltará mais algum requisito, formal ou substantivo, para a tomada dessa decisão legal?
 
O que falta, mesmo, é decidir. 
 
A gravidade da situação chegou a um ponto tal em que o principal responsável por aquilo que está a acontecer passou a ser o Governo.

sábado, 15 de dezembro de 2012

O horror ignora a lógica


O massacre perpetrado por Andy Lanza, que fez 27 vítimas mortais, incluindo 20 crianças,  num jardim de infância de Sandy Hook, no Connecticut, deixou os EUA e o Mundo em estado de choque.
 
Vimos o Presidente Obama fazer uma declaração sentida, onde desafiou todos, independentemente das convicções políticas, para a imperiosa necessidade de «algo ter de ser feito».
 
Está, assim, (re)aberto, talvez como nunca, o debate sobre uma Lei Federal das Armas, para além da questão levar mais longe, conduzindo os americanos para questionarem que tipo de sociedade estão a construir. 
 
Em Portugal, é notícia os alegados 5 casos de pedofilia na Diocese de Lisboa, que Catalina Pestana diz há muito saber, e que, tendo alertado as superiores hierarquias da Igreja, estas nada fizeram, pelo que agora está disposta a revelar o que sabe ao Ministério Público.
 
A pergunta que não pode deixar de ser feita é esta:
 
Se Catalina Pestana conhece tais casos há anos, por que razão não informou logo a Procuradoria-Geral da República? 
 
Não se compreende.
 
Como é que alguém sabe de um crime e não o comunica às entidades judiciais competentes?
 
Qual a razão para alguém levar anos até revelar estar disponível para colaborar com a Justiça?
 
Não estamos a julgar o procedimento de Catalina Pestana. Terá tido as suas razões.
 
Limitamo-nos a constatar factos, agora vindos a lume, na comunicação social.
 
Limitamo-nos a usar a lógica. 
 
Apesar de não haver lógica alguma nos horrores por que passam as vítimas, família e as respectivas comunidades, tanto nos EUA, com mais um tiroteio que terminou em matança, como em Portugal, com mais um escândalo que não se sabe como vai terminar.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Extinção de freguesias: o PCP tem razão

 

O PCP entregou esta quinta-feira 700 propostas de alteração à reorganização das freguesias que prevêem a eliminação dos artigos referentes às agregações de juntas, o que obrigará à votação de cada uma, por separado, em plenário.
 
Durante a sessão plenária de hoje na Assembleia da República, o líder parlamentar comunista, Bernardino Soares, subiu as escadas de acesso à Mesa e entregou uma caixa com as quase 700 propostas de alteração à presidente do Parlamento, Assunção Esteves (...)

 
“Vamos querer que sejam votadas uma a uma porque perante cada uma das extinções todos os deputados têm de dar o seu acordo ou desacordo. Não vamos aceitar que alguns deputados digam nos seus círculos, nos seus concelhos, nas suas freguesias que estão contra a extinção daquela freguesia e depois votem aqui anonimamente a sua extinção num anexo que engloba milhares de alterações”, acrescentou.
 
Bernardino Soares sublinhou ainda que a Constituição prevê que “as alterações, extinções ou modificações de autarquias tenham de ser votadas na especialidade obrigatoriamente em plenário”.
 
“E nós, por isso, apresentamos as 700 propostas e não uma a eliminar o anexo. Cada deputado tem de ter o direito de estar de acordo com umas e de estar de acordo com outras e é por isso que a votação se fará uma a uma. Se isso não acontecer a lei ficará ferida de inconstitucionalidade formal e qualquer freguesia, partido ou grupo de deputados pode suscitar a questão junto do Tribunal Constitucional”, afirmou, esclarecendo ainda que as 700 propostas do PCP só poderiam ser votadas em bloco se houvesse unanimidade nesse sentido no plenário.

 
A votação na especialidade do projecto que reorganiza as freguesias será no próximo dia 21 de Dezembro, no final do debate quinzenal do primeiro-ministro com os deputados, tendo os grupos parlamentares até terça-feira apara apresentar propostas de alteração.

Fonte: Público/Lusa, 13.12.2012, sublinhado nosso

No lugar do PCP fazíamos o mesmo.
 
Para lá da questão do mérito e oportunidade, quanto à forma, é aviltante extinguir autarquias locais de modo tão ligeiro. 
 
A extinção das freguesias deve ser votada uma a uma.
 
Cada deputado deve assumir a responsabilidade do seu voto.
 
Assim, ao menos, as populações podem identificar e pedir satisfações aos seus representantes no Parlamento.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Neocolonialistas


Esta «troika», constituída, como diz Miguel Sousa Tavares, «pelo careca, o etíope e o alemão», delegados das organizações internacionais que emprestaram os tais 78 000 milhões de euros a Portugal, parecem não sabere em que terra estão, nem fazer a mais pálida ideia que somos o Estado-nação mais antigo da Europa.
 
Desta vez foi o Sr. Abebe Selassie a mandar «postas de pescada», sobre a execução do «plano de ajustamento», a «reforma do Estado-Social» e, imagine-se, a constitucionalidade das nossas leis!
 
Era o que mais faltava! Virem agora os funcionários dos credores com tiques neocolonialistas.
 
Os órgãos de soberania têm de pôr cobro a isto.
 
Pode extinguir-se um feriado, mas ninguém pode apagar a História, ou rasgar as folhas do calendário, que continua.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

E os incompetentes?

 
O melhor que os portugueses competentes têm para fazer é emigrar 

 
Fonte: Económico com Lusa, 12.12.12

Lisboa por um canudo

 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Barroso e Passos, uma boa dupla


 
O que é que Pedro Passos Coelho foi fazer a Oslo?
 
Acertar o passo com Durão Barroso?
 
Curiosamente, Barroso escolheu este seu «momento» para, apenas num dia, falar mais de Portugal à Europa e dirigir-se mais aos portugueses do que em todos os oito anos passados à frente da Comissão Europeia...

domingo, 9 de dezembro de 2012

Nobel da Paz...

(Base das Lajes, Ilha Terceira, Açores, Março de 2003) 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

De rasto e por arrasto


Enquanto decorria a reunião do Eurogrupo, Portugal assistia a uma das maiores mini-séries de contra-informação de que há memória, pela boca dos próprios membros do Governo, quanto à possibilidade de Portugal beneficiar das novas regras adoptadas para a Grécia. 
 
Após aos costumes ter dito nada, o vento virou e o Executivo entrou em roda livre.
 
Passos e Gaspar disseram tudo e o seu contrário.

Se o Ministro das Finanças balbuciava, logo o Primeiro-Ministro negava. Se o PM contemporizava, logo o seu «nº 2» desdizia... até que na 4ªfeira o Presidente da República resolveu falar.
 
Ontem, com a especulação em crescendo, Miguel Macedo (será agora o MAI que faz a coordenação política do Governo?) veio dizer que esta 6ª feira, dia de debate quinzenal, o Executivo ia acertar o passo e dizer, de uma vez por todas, qual a sua posição sobre o assunto.
 
Eis senão quando o «nº 3», Paulo Portas, certamente sem ter ouvido as declarações de Macedo, antecipa voluntariosamente uma posição de concordância com Cavaco Silva.
 
Para não lhe ficar atrás, o próprio PM, in extremis, ao fim da noite, é forçado a antecipar aquilo que tinha guardado para dizer no Parlamento.
 
E assim o debate, em vez de ir ao cerne da questão, menos juros mais tempo dpara pagamento do empréstimo, vai descambar num rosário de intervenções e acusações, sobre quem falou primeiro.
 
Do que o País menos precisa é do Governo andar de rasto e pensar por arrasto, com uns «dribles» à mistura, ainda por cima!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Qual seria o caminho de Francisco Sá Carneiro?



Há dias, na SIC/Notícias, vimos  João Salgueiro dar uma excelente entrevista a José Gomes Ferreira, onde  discorreu com clareza e propriedade sobre vários assuntos, com a sua uma visão para Portugal e a para a Europa.
 
Foi tão útil como interessante. 
 
O País devia escutar mais e melhor este e outros «Senadores». 
 
Curioso foi notar que o actual Presidente da Associação Portuguesa de Bancos falava com uma força interior e uma jovialidade verdadeiramente impressionantes, apesar dos seus 78 anos...
 
Caso não tivesse sido Camarate, Francisco Sá Carneiro contaria hoje a mesma idade do ex-Secretário de Estado de Marcello Caetano, que também saíu do Governo desiludido com a «Primavera Marcelista», e que haveria de cruzar-se na SEDES com o futuro fundador do PPD.  
 
Temos interpelado no passado, como continuamos a interpelar:
 
Que diria hoje Francisco Sá Carneiro?
 
Do PSD, do Governo, de Portugal, e da União Europeia...
    
Não temos uma resposta.
 
Mas temos uma doutrina, um ideário, uma linha de pensamento e um estilo.
 
Tudo isso é basto em subsídios e indicadores de um caminho.
 
Cabe, portanto, a todos aqueles que admiram a sua figura e prestam homenagem à sua memória, particularmente aqueles que com Francisco Sá Carneiro mais de perto conviveram, dar testemunho verdadeiro da sua acção e legítimo contributo a muitas das suas causas, pois, tal como ontem, mantêm-se actuais hoje.
 
P.S. I
As evocações feitas nesta data ao Primeiro-Ministro Francisco Sá Carneiro por vezes carecem de um aspecto que lhes retira completude. Acontece serem obnubilados todos aqueles cujo destino ceifou as vidas naquela fatídica noite, igualmente merecedores das devidas homenagens. Aqui ficam os nomes dos ocupantes e da tripulação: Francisco Sá Carneiro, Snu Abecassis, Adelino Amaro da Costa, Maria Manuela Amaro da Costa, António Patrício Gouveia e os pilotos Jorge Albuquerque e Alfredo Sousa.
 
P.S. II
Ao longo de todos estes anos, a Família de Francisco Sá Carneiro tem mantido uma discrição e uma reserva muito respeitáveis, merecedoras de registo, embora nem sempre vincadas por inteiro. 
Não há notícia de alguma vez ter interferido ou deixado de permitir que a dimensão pública e partidária do governante fosse «apropriada» por todas as pessoas e entidades que se acham capazes ou competentes para tal, malgrado erros, falhas ou omissões, para mais quando, como é sabido, às vezes sucede que o que abunda no «verbo» falta em dignidade na condição humana.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Diplomacia económica?


O que é que o Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares foi fazer ao México?
O que é que o Presidente do Conselho de Administração da RTP foi fazer a Angola?

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O Prof. Marcelo e os múltiplos de 4


Ainda não tivémos ocasião de ler, de fio a pavio, a biografia «consentida» do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, do jornalista Vítor Matos, com edição da Esfera dos Livros, que foi apresentada Quarta-feira passada, na Faculdade de Direito de Lisboa.
 
Porém, uma vez com o livro na nossa posse, passámos os olhos, naturalmente, por algumas passagens das mais de 600 páginas agora dadas à estampa.
 
Um dos aspectos curiosos (entre múltiplos que, por certo, iremos encontrar) é o facto de estarmos em finais de 2012 e a biografia quedar-se em finais de 2004... há múltiplos de quatro por narrar.    

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

E depois?



Em duas palavras, a entrevista do Primeiro-Ministro à TVI foi isto:
 
- A reiteração de que o Governo acredita na receita da Troika tal como em si mesmo, como condição para que Portugal volte o mais depressa possível aos mercados. Que esse desiderato é o «alfa e o ómega» da acção política do Executivo.
 
- A «refundação», a «reforma do Estado», ou, melhor dito, a revisão das funções sociais do Estado, é tão urgente quanto necessária, pelo que o Governo vai cortar 4 mil milhões do lado da despesa, entre 2013 e 2014 (educação e prestações sociais à cabeça).
 
O PM conta com PS, seja com António José Seguro ou com Tino de Rãs, para fazer uma «espécie de debate alargado», que tanto pode acontecer até Fevereiro, como até Junho do próximo ano.
 
O que mais importa é mostrar serviço e enviar, já em Fevereiro, um «documento técnico», ficando a expedição da versão final lá mais para o Verão, no famoso formato excel.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

OE 2013, o argueiro e a trave

Confiar nas previsões de Gaspar, quando falhou todas, e o próprio já desconfia, é praticamente impossível.
 
Acreditar na profissão de fé do Ministro, sobre o OE/2013 e a dita refundação, ainda se admite, aos mais devotos dos discípulos...
 
Mas conceder, quanto à virtude do governante em espraiar-se, é que é uma tragédia!
 
Em plena situação de emergência nacional, é preciso ser um zero à esquerda para subir à tribuna da AR em nome do Governo e dali sentenciar «espertezas» sobre divisões internas no PS.
 
Bem podia alguma voz autorizada da bancada socialista ter exclamado "Cale-se, Senhor Ministro!" 
 
Se este é o tempo de unir, de edificar e de semear para colher, porque vê Vítor Gaspar o argueiro no olho do outro e não repara na trave que tem no seu?

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Estranha forma de fomento

 
Nestes tempos de austeridade, lançada que está a questão do ajuste das depesas e funções do Estado à sua efectiva sustentabilidade económica, não se consegue compreender qual a necessidade de ser criado um Banco de Fomento, «alavanca» especializada em conceder crédito às PME´s, diz-se.
 
Por que razão é que o Governo não incumbe a Caixa Geral de Depósitos dessa «missão»? 

Quanto custa ao Estado o «processo» de constituição da nova instituição bancária?

Quem «banca» o Banco?
 
Será que a ideia é «esvaziar» o papel da CGD, criando aqui uma espécie de sucursal do «KFW Bankengruppe» alemão?
 
Qual o interesse disso? Alguém explica... bem explicadinho?

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Notável

 
 
Depois do tornado de Sexta-feira, que causou graves prejuízos em Silves e noutros concelhos do Sul do País, este Domingo, conjuntamente com várias entidades públicas e privadas, a população desta localidade do barlavento algarvio deu um exemplo notável de sentido de comunidade e da virtude da entreajuda entre conterrâneos ou vizinhos:
 
As pessoas (cerca de 1000 voluntários) tomaram a iniciativa, organizaram-se e puseram mãos à obra... hoje, a cidade, já praticamente limpa, volta ao seu labor, retomando a vida habitual.
 
Esta acção, para além do benefício para Silves, contém também uma mensagem plena de significado, principalmente nestes tempos de desânimo e desesperança:
 
Está ao alcance de todos e de cada um fazer mais com menos... em várias frentes, em Portugal inteiro.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O «diabo da Grécia» chegou a Portugal


 
Sobre a carga policial e as cenas de violência que ocorreram hoje, (dia de Greve Geral Ibérica), ao início da noite, em frente à Assembleia da República e na Avenida Dom Carlos I que, entretanto, já vimos e revimos várias vezes nas televisões, entendemos dizer o seguinte:
 
1. É inquestionável, como disse o Ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, que os acontecimentos foram precipitados por uns poucos «profissionais da violência e da provocação». 
 
Na verdade, todo o País viu um grupo de mascarados a arrancar pedras da calçada e a arremessá-las contra a polícia, à mistura com outros objectos e atitudes que estão fora do quadro do exercício dos direitos, liberdades e garantias que a Lei e o Estado Democrático de Direito comportam;
 
2. Actuaram bem, pois, as forças de segurança, ao responder na «medida certa», tal como dita a Lei, em observação dos princípios da necessidade, adequação e proporcionalidade. Ao Estado Democrático cumpre guardar as liberdades democráticas e é dentro dessa «folga discricionária», nem sempre fácil de encontrar, que se pauta o uso da força, para conter ou reprimir males maiores e defender bens colectivos superiores;
 
3. Até aqui, estamos de acordo. Os manifestantes abusaram dos seus direitos e não há quem diga que as forças de segurança não actuaram em conformidade com a Lei e o bom senso.
 
Agora, a questão de fundo é outra:
 
4. Independentemente da questão estritamente legal e do uso da força, numa relação sempre tensa entre manifestantes e polícia, o certo é que esta noite fica marcada por violência nas ruas de Lisboa;
 
5. Independentemente dos actos de «meia dúzia de mascarados», o certo é que em frente à AR não se reuniam apenas «infiltrados». Estavam lá centenas de outros cidadãos, em protestos perfeitamente legítimos, que não podem ser apodados de «violentos»;
 
6. Independentemente de tudo, o certo é que as cenas tristes que se verificaram esta noite arrastam consigo um ambiente de crescente mal-estar social, cada vez mais agudo, sinal de  «grito» contra o desemprego, a emigração, a pobreza, a fome e a revolta, contra o pântano em que o País se encontra e os enormes sacrifícios, sem que alguém saiba explicar qual o seu sentido, sem que alguém saiba acender uma luz de esperança, sem que alguém afaste uma execução orçamental desastrosa, já no 1º Trimestre de 2013, e ainda a necessidade de uma renegociação do empréstimo externo, até aqui sempre negada e adiada, como ainda anteontem se viu, durante a visita a Portugal da Senhora Merkel;
 
7. Este é que é o ponto essencial. O País não acredita nas «profissões de fé» do Governo e o Povo não aguenta a ideia de nos vergarmos à aplicação de módulos com «soluções experimentalistas», sem garantia alguma;
 
8. É triste, muito triste, desolador (seja qual for a ocasião em que se acende a centelha da violência) vermos quebrar-se a coesão social, com um fosso que cresce e coloca portugueses contra portugueses, para mais quando estamos num impasse político e institucional, pois tanto partidos como órgãos de soberania já não conseguem encontrar outra solução que não seja ficar à mercê de envolventes que lhes escapam;
 
9. Parece pouco mais sobrar que alguns paliativos para prolongar o estado agonizante a que a III República chegou;
 
10. O problema de fundo é que a III República está nas últimas, e este Governo praticamente extinto;
 
11. O problema é que nem a III República reconhece a sua agonia, nem o Governo tem consciência do sentimento de raiva popular que, inevitavelmente, incide sempre mais sobre quem está no poder e dá a cara pelo «sistema»;
 
12. Não achamos que mandar o País para eleições resolva o problema. Mas alguma coisa vai ter que ser feita, antes que a situação se torne explosiva noutras proporções;
 
13. A Grécia, de que há uns meses parecíamos distantes, chegou a Portugal.
 
14. Tem a palavra o Senhor Presidente da República, com o «diabo grego» já metido cá dentro;
 
15. É bom que Cavaco Silva, que tem dado alguns «sinais», tome a iniciativa de actuar. Sabe-se que só o quererá fazer em último recurso. Oxalá o seu critério se revele adequado e proporcional, no modo e no tempo, tal como as actuações policiais até lá.   

domingo, 11 de novembro de 2012

Em bloco até à «solução»


 
O Bloco de Esquerda tem feito um trajecto interessante, desde que esta «Frente» de várias esquerdas foi criada, em 1999.
 
Hoje, com uma expressiva representação nos diversos patamares dos órgãos do Estado, é uma força política incontornável no quadro constitucional português.
 
Algo está a mudar à esquerda do PS... 
 
Quem acompanha a VIII Convenção do BE percebe que «a música é outra».
 
Até o cenário desta reunião magna dos bloquistas denota um ar mais «institucional», por assim dizer.
 
Quanto ao teor da discussão, agora já não se trata de «denunciar», mas também de «construir».
 
Após 13 anos de liderança com Francisco Louça, o BE, em processo de sucessão, abre um ciclo novo, com João Semedo e Catarina Martins.
 
No essencial, há uma ideia-chave que convoca a maioria dos delegados a esta Convenção:

Assumir um rumo que constitui um enorme desafio para o PS, no sentido de um ampla convergência de esquerda, apta a formar governo.
 
Loução não podia ter sido mais claro quando, na hora do «até breve», disse que o Bloco não é uma partido de protesto, mas de soluções.
 
Esta frase, especialmente vinda de quem veio, facilmente sugere que o passo que se segue é fazer do BE o «Syriza português»...
 
Da parte do PS, para já, temos a (nova) resposta de António José Seguro ao repto de Passos Coelho, exactamente no dia em que o BE muito falou da necessidade do PS se definir.
 
É claro que o PS vai ter de se definir, por rupturas e dissidências que isso cause.
 
É maior vantagem de estar na oposição é esta:

Os partidos têm ocasião de se regenerar e refundar.
 
Quanto ao PSD e ao CDS/PP, também eles vão ter de se definir.
 
Presentemente, essa clarificação está suspensa, enquanto os partidos da Coligação estiverem no Governo.
 
Até 2016 muita coisa vai mudar na política portuguesa...
 
A importância desta VIII Convenção do BE é dar o seu «pontapé de saída nos impasses».

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Terra queimada


É claro que a organização político-administrativa do País apresenta distorções, e que há casos em que as necessidades do presente não condizem com as realidades do passado. Portugal, de facto, mudou muito nos últimos 30 anos.
 
Mas isso não pode em caso algum legitimar um «corte cego» no mapa das freguesias existentes, como aquele que a  Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT) entregou ontem na Assembleia da República, segundo o qual 1/4 das freguesias são, pura e simplesmente, «varridas do mapa».
 
Para mais, é um erro clamoroso que tal aconteça por causa da interpretação mais literal do «Memo da Troika». 
 
Estamos a falar de entes públicos de base territorial que em boa medida constituem o último elo entre as populações e o Estado, no último reduto institucional de comunidades que carecem de incentivo no lugar de «certidões de óbito».
 
No litoral, particularmente nos concelhos maiores e de características urbanas, como Lisboa, por exemplo, tais questões não se colocam com a mesma acuidade.
 
Mas no interior, em locais em que já não há escola primária, nem posto médico, nem jovens, nem esperança, extinguir freguesias significa decretar uma verdadeira «política de terra queimada», com consequências perniciosas a vários níveis.
 
Só quem não conheça a nossa história e não tenha um pouco de sensibilidade social é que assim não poderá pensar. Afinal, a maior parte das freguesias existe para cumprir um determinado papel no contexto do concelho a que pertence, do distrito em que este se integra, e do País escorado nestes pilares políticos e administrativos, mas também geográficos, sociais, culturais e económicos.
 
É tão pertinente como curioso notar que, numa altura em que tanto se fala do problema demográfico português, pareça não haver quem estabeleça um «nexo de causalidade» entre envelhecimento da população, desertificação do interior, harmonia no desenvolvimento de todas as parcelas do território, e premência em contrariarmos o «êxodo rural», de modo a evitarmos, também assim, muitas das bolsas de pobreza que assolam as grandes cidades.
 
Faz-nos muita falta um «plano nacional de apoio ao desenvolvimento rural». A continuarmos por este caminho, qualquer dia somos um País de suburbanos... em absoluta contradição total com a essência das marcas identitárias da Nação mais antiga da Europa.

sábado, 3 de novembro de 2012

Refundação...


Está a ser noticiado que o Ministério da Educação vai adoptar o «modelo alemão» de ensino, seja lá o que isso fôr...
 
Nuno Crato terá até na agenda uma deslocação a Berlim, a fim assinar um Protocolo com a sua homóloga, oficializando, assim, a importação dos métodos germânicos para as escolas portuguesas.
 
Não se trata do tal «modelo» ser alemão...
 
Podia ser americano, russo, sul-coreano, ou qualquer outro.
 
A ideia de que Portugal vai desistir de um modelo de ensino próprio, é do outro mundo!
 
Comparado com isto, a «refundação» é «o primeiro ano da instrução primária»!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

All aboard!


 
Está visto.
Pedro Passos Coelho não remodela.
 
O que se pode inferir da anunciada mini-remodelação é que o Primeiro-Ministro decidiu que não vale a pena remodelar o Governo.

Fica Gaspar, ficam os Ministérios da Economia e da Agricultura tal qual como estão, fica Relvas, ficam todos...
 
De certo modo, percebe-se.
Ao ponto a que chegou a governação da Coligação, qualquer que fosse a remodelação, seria um paliativo com poucas horas de efeito, caso não precipitasse mesmo o fim. Para assim não suceder era preciso que o PM se tivesse antecipado à rua e decidido mexer no Governo, entre a declaração da TSU e o 15 de Setembro. Agora é demasiado tarde.
 
No fim de contas, o PM faz bem.
Pois se o Governo acredita na virtude da Proposta de OE/20013 apresentada e só o Governo acredita ser possível cumprir os objectivos traçados para a consolidação orçamental e diminuição do déficit, que razão haveria para remodelar? 
 
Passos Coelho demonstra que não é um «rato» nem permite «ratos» a bordo do seu navio.
Já se percebeu que será o último a abandonar a embarcação... mas quer manter consigo os Ministros solidariamente «amarrados» ao destino do Chefe do Executivo.
 
Por portas travessas ou não, para o interesse nacional, acaba por não ser mal pensado...

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Cada tiro cada melro


As piadinhas de Vítor Gaspar não só começam a não ter piada nenhuma, como revelam tiques um tanto arrogantes. Não há pachorra para os seus «exercícios», Senhor Ministro!
 
 
Mota Soares, desta vez em declarações sobre o recuo no corte aos subsídios de desemprego, seria de gargalhada se o assunto não fosse sério. Uma anedota!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Serviço Cívico Obrigatório


A edição do «Público» de hoje tem uma chamada de capa para a pág. 12,  sobre o flagelo social da denominada «Geração nem nem».
 
Avança o jornal que "Em 2011, Portugal somava 260.392 jovens que não trabalhavam nem estudavam, nem estavam a receber formação. O país perde 2,7 mil milhões".
 
Há muito que defendemos que ao fim do Serviço Militar Obrigatório deveria ter sucedido o Serviço Cívico Obrigatório, onde cada jovem, durante certo um período de tempo, em função das suas capacidades, aptidões ou formação, deveria dar o seu préstimo ao País. Não só para reforço do sentido de comunidade, como também para integração sócio-laboral, e ainda como forma de se promover uma melhor interligação geracional.
 
No fundo, tratar-se-ia de um «estágio de cidadania no terreno».
 
Ao Estado e entidades associadas competiria adoptar os planos e dotar os jovens dos recursos necessários, em tarefas tão vastas como a limpeza de praias e florestas, acção social, missões humanitárias, campanhas de prevenção de drogas e toxicodependências, desporto, etc.
 
É certo que isso implicaria alguns custos para os cofres públicos.
 
Mas o retorno desta «New Deal» seria incomensuravelmente maior, não apenas pelo trabalho desenvolvido, como também pelo incentivo a uma geração que está plena de força de viver e não encontra sentido ou motivação nos melhores anos das suas vidas, sobretudo num tempo em que a palavra futuro nunca esteve tão esvaziada, causando tanto desalento e ansiedade.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Vasco Cordeiro, um salto geracional

 
Vasco Cordeiro tem bons motivos para sorrir
 
Está de parabéns pela retumbante vitória alcançada pelo PS/A nas Legislativas Regionais deste Domingo, em que os açorianos não só quiseram que o «eleito» de Carlos César fosse o novo Presidente do Governo, como ainda reforçaram a maioria absoluta do Partido Socialista no Parlamento Regional.
 
Carlos César também tem bons motivos para sorrir
 
Ao fim de 16 anos, fechado o ciclo da sua governação, consegue que a mudança se faça dentro das suas hostes, por via da aposta num salto geracional, num dos seus melhores jovens quadros, aquele que lhe mereceu um testemunho de confiança e todo o incentivo para dirigir os Açores.
 
Berta Cabral tem bons motivos para reflectir
 
É certo que a conjuntura nacional não ajudou e as medidas do Governo Central terão prejudicado uma certa dinâmica de mudança. Mas algo vai mal quando o PSD/A nem tampouco consegue evitar a maioria absoluta do PS. Para mais quando o nome da Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada era há muito apontado, dentro e fora do PSD/A, como o da «candidata vencedora», capaz de «destronar» os socialistas, por contraposição aos seus predecessores, Vítor Cruz (2004) e Costa Neves (2008).
 
Berta Cabral, que chamou a si a responsabilidade pelos resultados, juntamente com Passos Coelho, que também reconheceu a sua quota-parte, não podem ser transformados nos «bodes expiatórios» do triunfo dos socialistas açorianos.
 
Um dos maiores problemas do PSD/A remonta aos finais da década de 1980 e haveria de desembocar na perda das eleições de 1996. Mota Amaral, o «pai da Autonomia», que juntamente com muitos outros, criou o PPD/A em 1976, revelou-se um desastre na transição que se impunha, e o Partido nunca mais recuperou do «trauma do pós Mota-Amaralismo». Com efeito, de então para cá o PSD/A foi-se fechando cada vez mais e foi continuando a pensar com os mesmos tiques... 
 
Basta ver que enquanto que Vasco Cordeiro, de 39 anos, nasceu para a política em 1996, uma grande parte do actual «directório» do PSD/A já exercia funções há mais de 16 anos... a começar pelo próprio Mota Amaral, que é ininterruptamente deputado eleito para o Parlamento Nacional desde 1969. E que dizer de Costa Neves, Joaquim Ponte, Humberto Melo, José Manuel Bolieiro, Joaquim Machado, Cláudio Lopes ou Duarte Freitas, por exemplo, e com ressalva de respeito a todos devida?
 
Quem, depois destes e outros, é a nova geração do PSD/A?  
 
O «caso do Corvo» é sintomático:
Naquela ilha o PSD/A em 2008, pela primeira vez em toda a sua história, não conseguiu eleger um deputado. Em 2012 já nem listas próprias conseguiu apresentar... 
 
Artur Lima tem bons motivos para reflectir 
 
A estratégia sonsa de estar «com um pé no barco e outro no cais» penalizou o CDS/PP.
 
Na verdade, não escapou aos eleitores que Artur Lima, convencido de que o seu Grupo Parlamentar seria decisivo para formar maioria no Parlamento regional, o que queria, a todo o custo, era integrar o Goverrno, fosse qual fosse o parceiro. Não foi por acaso que veio falar nos últimos dias em «contribuir para o valor da estabilidade governativa».
 
As contas sairam-lhe furadas:
 O CSD/PP-A passa de 5 para 3 deputados, sendo significativo que tenha perdido o deputado eleito pelo maior círculo eleitoral, o da Ilha de São Miguel.
 
Pode falar-se em bipolarização e que isso prejudicou o CDS/PP-A. Mas se formos ver, uma grande parte dos votos deste Partido foram parar direitinhos ao PS/A. O que significa que, como o líder dos populares dos Açores já estava «rendido» antes do acto eleitoral, os açorianos não terão apreciado tamanhas facilidades.
 
Paulo Portas tem assim nos resultados eleitorais dos Açores um óptimo sinal de como por vezes «passar entre os pingos da chuva» também molha.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A pergunta que se impõe


"Estou muito impressionado com o que o Governo português está a fazer, com o que o povo português está a fazer", afirmou Jean-Claude Juncker, em conferência de imprensa, no final da reunião do Eurogrupo (ministros das Finanças da zona euro), que decorreu no Luxemburgo.
O presidente do Eurogrupo disse ainda que o programa de ajustamento português está no "bom caminho" e voltou a mostrar-se confiante no regresso de Portugal aos mercados no próximo ano.
Os ministros das Finanças da zona euro aprovaram hoje o desembolso da próxima tranche da ajuda a Portugal, assim como a extensão, por um ano, do prazo para correção do défice.
Fonte: Lusa, 09 Out. 2012
 
A pergunta que se impõe é esta:
 
Supondo que tudo corre como diz o Senhor Juncker, que o Povo aguenta até lá e que o nosso País volta mercados em 2013 (o Ministro das Finanças aponta para Setembro), como é que Portugal vai estar daqui a um ano? Como é que os portugueses vão viver a partir daí?
 
Ou seja:
 
A «dose» que está a ser aplicada visa simplesmente que Portugal deixe de ser assistido financeiramente ao abrigo do Memorando de Entendimento celebrado com a Troika, para passar a financiar-se por outras vias e pagar juros a outros credores, continuando, assim, a dívida a consumir o produto? Ou vamos ser mais competitivos, vamos aumentar a produtividade, vamos gerar mais riqueza, vamos criar mais emprego e vamos ainda encontrar forma de solver os empréstimos e os juros da dívida junto «dos mercados»?
 
Qual é, afinal, o objectivo?
Voltarmos aos mercados, simplesmente?
Voltarmos com a nossa economia em condições de ir ao mercado?

São coisas diferentes e essa diferença é um abismo.
 
A isto, o Presidente do Eurogrupo diz nada. 
O Presidente da Comissão Europeia, diz praticamente o mesmo que o Senhor Juncker. 
O Ministro das Finanças, diz que «o Povo português é o melhor do mundo». 
O Ministro dos Negócios Estrangeiros, diz que «não mas que sim». 
O líder do maior partido da oposição, diz que há outro caminho mas que não contem com ele «para integrar o Governo». 
O Presidente da República, diz que é preciso «equidade na distribuição dos sacrifícios»...
 
A Troika já deu o que tinha a dar, o Governo já daqui não passa, e a oposição a mais não chega. 

É esta a razão da desesperança dos portugueses e niguém consegue dizer ao Povo quando e como é que todo este esforço terá recompensa.
 
No dia em que alguém se levantar para dizer convincentemente que «vamos ter de passar por um aperto grande durante um certo período mas Portugal depois vai levantar-se do chão e saberá o que quer e para onde ir» estará criado o estímulo que falta para mobilizar a comunidade nacional.
 
Numa palavra, o que falta é coragem para romper e afirmar, seja perante quem fôr, que somos donos do nosso destino e que Portugal tem futuro.             

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Margarida Marante


É costume dizer-se que as pessoas morrem do modo como vivem.
 
Margarida Marante, densa e intensa, atraiçoada precocemente pelo coração na Sexta-feira passada, foi este Domingo a enterrar, entre públicos e plúrimos elogios ao seu enorme talento, que desde muito cedo conquistou respeito e admiração geral.
 
Mas Margarida Marante foi mais longe que isso, e tornou-se numa das figuras mais autorizadas do Portugal democrático, ainda antes do aparecimento dos canais privados de televisão. 
 
Ao contrário de muitos, assumindo a sua matriz ideológica e as personalidades políticas que a entusiasmaram, nem assim algum dia houve quem pudesse acusá-la de não cumprir a sua missão de serviço público à frente das câmaras da RTP.
 
Para o momento da partida da jornalista, o destino reservou as suas ironias:
 
Num fim-de-semana em que a III República, em estertor, apareceu virada do avesso, por um lado, e em que a SIC, por outro, comemorou 20 anos de «revolução na informação» - pelejando agora contra a privatização da RTP - o desaparecimento de Margarida Marante logo havia de coincidir com estas duas datas, sinais de fim de ciclo. 
 
Não há-de ser por acaso que na sua última despedida, Margarida Marante tenha conseguido juntar tantos protagonistas dos media e da política, a que se juntaram muitos anónimos, ou não fosse também ela querida dos portugueses.  
 
Associamo-nos aos votos de pesar expressos pelo País, e num tempo em que os cidadãos parecem irremediavelmente dissociados da causa pública agradecemos ainda a Margarida Marante por ter prendido desde cedo a nossa atenção, ajudando-nos a pensar, e a intervir também. 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Moção de Censura


Daquilo que ouvimos, excelente intervenção de Francisco Assis.
Vítor Gaspar, simplesmente ridículo.

domingo, 30 de setembro de 2012

Diz o que o Governo pensa ou pensa o que o Governo diz?


Uma vez? Não há quem não cometa uma gaffe.
Duas vezes? Há desarticulação na estratégia de comunicação do Governo.
Três vezes? Quem não tem jeito para determinadas funções não devia exercê-las.
Quatro vezes? O Executivo está em «autogestão» e cada um «dispara para o lado que está virado».
Cinco vezes? O super assessor/consultor/Ministro-sombra não se equivoca, diz mesmo o que pensa.
 
Até aqui, António Borges ainda não tinha «acertado uma». Mas as suas declarações têm sido emendadas, quando não toleradas. Alguém, em última instância, tem-lhe «aparado o jogo», vá-se lá saber porquê... 
 
Quem?
Pedro Passos Coelho, nem mais nem menos.
 
Desta vez, o «Senhor Goldman Sachs/FMI», do alto da sua «impunidade», veio fazer a declaração mais torpe, mais vil, mais insidiosa e mais estúpida que um «colaborador» do Governo poderia ousar.
 
Parece que o Executivo de Passos Coelho quer afrontar o desespero dos cidadãos, das famílias e das empresas...
 
Também parece que está finalmente revelado o «conselheiro-mor» deste «PREC ao contrário», pois se a paternidade das linhas de orientação do Governo estavam por apurar, eis que aparece António Borges como a «fonte inspiradora» de actors e palavars que até aqui tínhamos dificuldade em perceber.  
 
António Borges, ontem, ao chamar "ignorantes" aos empresários portugueses e ao adiantar que  o ajustamento económico do nosso País é um sucesso tamanho que se tornou num "case study" , conseguiu, de facto, várias «proezas»:
 
Revoltar mais a comunidade nacional, ainda mal refeita do recuo na TSU.
 
Reabrir as feridas na Coligação, relativamente estancadas desde o Conselho de Estado.
 
Agitar os ânimos antes da apresentação do Orçamento do Estado, autêntica «prova de fogo» com a iminência de uma remodelação pelo meio.
 
Dar cabo do esforço dos últimos dias relativamente à concertação social e de um «clima» minimamente razoável.
 
Pôr o Primeiro-Ministro, no espaço de 3 semanas, pela 3ª vez, «entre a espada e a parede».
 
A Passos Coelho só restam dois  caminhos:
 
Ou faz uma «limpeza» no Governo e «muda de agulha» ou, caso não seja capaz, bem pode tratar de ir a Belém, entregar «as chaves» às mãos do Presidente da República.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Líder fraco faz fraca a forte gente

Fotografia © Steven Governo - Global Imagens
 

O primeiro-ministro dramatizou hoje a importância da disponibilidade dos portugueses para prosseguirem o "esforço de ajustamento" da economia portuguesa, afirmando que "se isto vai tudo correr bem ou tudo correr mal" depende muito da vontade coletiva. Fonte: DN online
 
O Primeiro-Ministro citou Camões num dos seus recentes discursos. Era bom que quem lhe escreve os textos não se esquecesse de soprar ao PM que o Poeta também diz que «O fraco rei faz fraca a forte gente».


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

15 dias de RGA


- A 07 de Setembro, entre o Portugal-Arzebaijão e a homenagem a Paulo de Carvalho, o Primeiro-Ministro faz «aquela» comunicação ao País;

 
- Na Terça-feira, dia 11, o Ministro das Finanças dá uma conferência de imprensa a «explicar» a 5ª avaliação da Troika;
 
 
- Nesse mesmo dia e nessa mesma tarde, Paulo Portas, chegado do Brasil, vai à Assembleia da República e, interpelado pelos jornalistas, diz que não fala, acrescentando querer ouvir os órgãos do CDS/PP;
 
 
- Na Quinta, dia 13, Passos Coelho dá aquela» entrevista à RTP, a partir de São Bento;
 
- Na Sexta, dia 14, o Presidente da República convoca o Conselho de Estado, para dali a oito dias;

 
- No Sábado, dá-se o «15 de Setembro»;
 
 
- No Domingo, 16, Paulo Portas, tendo apurado, finalmente, a posição do CDS/PP, vem fazer a declaração do «Sim mas Não»;
 
- Ainda no Domingo, o PSD diz que a declaração de Paulo Portas é «inacreditável» e faz saber que também vai reunir a sua Comissão Permanente na Segunda, 17, e a Comissão Política Nacional, na Quarta, dia 19;
 
- Já na madrugada de 20, o PSD «põe cá fora» um comunicado, em que propõe um encontro com o CSD/PP, a ter lugar «com a maior brevidade possível», para reunião conjunta das direcções dos dois partidos, com vista a «obter a indispensável manifestação de apoio ao acordo político de coligação», celebrado após as legislativas de 2011;
 
- Amanhã, Sexta-feira, dia 21, reune o Conselho de Estado.

Pergunta-se:
 
Por que é que o Pedro Passos Coelho, em vez de agora, via partido (PSD), convidar o CDS/PP (Paulo Portas) para um «encontro», não foi, efectivamente, Primeiro-Ministro?

Por que razão o Primeiro-Ministro não chamou o Ministro dos Negócios Estrangeiros a São Bento, logo na Terça-feira, dia 11, para esclarecerem o que tivesse de ser esclarecido, retirando dessa «reunião» as «conclusões» que tivessem de ser retiradas?
 
 
Mais:
 
Após «15 dias de RGA», em que «pé» é que o Governo (e a Coligação que suporta o Executivo) «aparecem» amanhã em Belém?
 
Será que vão pedir ao Presidente da República para suspender o Conselho de Estado, enquanto «se entendem a um canto»?

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Moedas inacreditável

 
http://sicnoticias.sapo.pt/economia/2012/09/18/carlos-moedas-diz-que-tsu-traz-vantagens-para-a-economia-nacional

Depois de ouvir há pouco na TV o Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, Carlos Moedas, (responsável pela coordenação da Estrutura de Acompanhamento dos Memorandos), dizer o que disse sobre a TSU, achamos que ninguém pode deixar de exclamar - «Inacreditável!».
 
Mais útil seria ao País que Moedas fosse fazer testes em «ratinhos de laboratório» para bem longe daqui.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Bate e foge


Na entrevista de ontem à RTP, o líder do PS, António José Seguro, entre duas ou três coisas acertadas, um punhado de redundâncias e uma carrada de frases «para encher», veio, em suma, dizer:
 
- Que o PS só voltará ao governo por vontade dos portugueses. 
- Que não quer ser primeiro-ministro para pôr na biografia.
- Que rejeita um governo de salvação nacional.
- Que os portugueses decidiram que o PS devia ser partido da oposição.
- Que sem eleições o PS não irá para o governo.
 
Posto isto, neste clima de «emergência nacional», em que não está excluída a possibilidade do Partido Socialista ser chamado ao Executivo para um Governo de Salvação Nacional, fica claro que António José Seguro está mais preocupado consigo e com o PS do que com Portugal e os portugueses.
 
Faz lembrar alguém que dizia aos do seu partido para não terem «sede de ir ao pote»...
 
O actual líder do PS é mais um daqueles «políticos profissionais» que é «bom» até chegar a líder do seu partido, passa a «razoável» quando se torna na maior figura da oposição e se, por hipótese, fosse Chefe do Governo, seria «uma fraqueza». A «notação» dos estadistas costuma ser ao contrário. 

domingo, 16 de setembro de 2012

O primeiro dia do resto das nossas vidas



A data 15 de Setembro de 2012 fica na História como o dia em que os portugueses, liderados por niguém, tão só pelo estado de necessidade, sairam à rua, em protesto contra o garrote financeiro imposto pelo empréstimo que o País foi obrigado a pedir aos credores externos (Troika), contra a injustiça nos critérios da escolha das medidas de austeridade (Governo), e ainda contra a classe política em geral (Partidos).
 
A maioria dos portugueses, incluindo-se aqui os manifestantes, acha que os compromissos do Estado face os credores são para cumprir e que Portugal deve pagar a dívida.
 
A maioria dos portugueses, incluindo-se aqui os manifestantes, acha que há outras formas de conseguir esses objectivos, pelo que a verdadeira motivação dos protestos está nos critério utilizados pelo Governo, a propósito do Orçamento Geral do Estado para 2013.
 
A maioria dos portugueses, incluindo-se aqui os manifestantes, acha que a classe política, tanto os do lado do governo, como os da oposição, não têm legitimidade para pedir mais sacrifícios aos cidadãos, nem são capazes, por si só, de oferecer alternativas, dentro de um Sistema profundamente corroído e em que os pilares das instituições democráticas estão «por um fio».
 
Quebrado o relativo consenso político, que durou desde a assinatura do Memorando de Entendimento entre PS-PSD-CDS, (seguido da formação de um Governo estribado na representação parlamentar destes dois últimos, com a desvinculação agora do primeiro), instalada a desconfiança entre os parceiros da Coligação que formou Governo, e arredada a possibilidade de outra das forças políticas poder «pegar no País», sobra, no limite, a paz social como o derradeiro dos bens que o 15 de Setembro, ainda assim, não hipotecou.
 
É por isso que os próximos dias, contando com a agendada reunião Conselho de Estado, são absolutamente decisivos.
 
Não se trata de salvar a III República, agonizante e perdida que está. Trata-se de apresentar outro Orçamento de Estado que, por um lado, acolha a mensagem da manifestação e, por outro, possa ser viabilizado, de modo a evitarmos a bancarrota.
 
É por isso que as maiores responsabilidades recaem neste momento sobre o CDS/PP, que tem de assegurar estabilidade política, sem deixar de ser consequente com as suas posições, as quais, em boa medida, são de acolhimento dos protestos dos manifestantes.
 
Mas não basta.
 
Antes que o poder caia definitivamente na rua e já nada surta efeito, o Primeiro-Ministro tem de remodelar o Governo. Por seu turno, o PS não pode posicionar-se «por arrasto». Precisa de explicar muito bem explicado o sentido do seu voto.
 
Trata-se de ganhar tempo? Sem dúvida. Ir agora para eleições seria «o fim».
 
Primeiro, é preciso que os portugueses sintam que o 15 de Setembro teve consequências, e que obrigou a mudanças palpáveis na condução política e económica do País.
 
Depois, é preciso que haja uma concertação social que dê um novo fôlego à governabilidade.
 
Por fim, urge que se desenhe e concretize um amplo movimento regenerador, de modo a dar fundada esperança aos portugueses, e que passa, no essencial, por apresentar ao País um Novo Programa, que contenha resposta para as maiores interrogações:
 
Quais os desígnios, qual o novo rumo, como é que Portugal vai passar a viver daqui em diante? O que se pretende, afinal?
 
Nesse dia, Passos Coelho, Paulo Portas e António José Seguro (e boa parte daqueles que os estão exercício da actividade política) podem ir às suas vidas.