quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Lixo, uma questão de praça


Para lá do desconforto geral e da saúde pública, o asseio determina impensável que Lisboa deixe amontoar lixo nas ruas até 05 de Janeiro. Como parece que aos Governos, do Estado e da Cidade, pouco importa ver aqui uma Nápoles, a pecha reclama intervenção comunitária. Não há Lei que diga que as "forças vivas" não podem limpar os seus bairros. Que as associações (Bombeiros, Escuteiros, etc.) e grupos de voluntários se juntem para remover a pecha. As luvas, podiam, depois, ser simbolicamente deixadas à porta da Praça do Município.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Ordem de precedência

 
Importa lembrar aos cristãos a "ordem de precedência" do Natal.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Natal que provoca

 
Provoco. Não engraço com uma certa desvirtuada virtual “harmonia”, para usar uma palavra cara ao espírito "happy holidays".
 
Tem a ver com a forma. A importância da estética. O significado do gesto. O modo.
 
Tal como, na impossibilidade de acompanhar presencialmente, parece tíbio dar pêsames por sms (sendo o telegrama o meio adequado), por altura do Natal, na impossibilidade de uma visita, parece in...sosso dar Boas Festas pelo Facebook (sendo, aqui sim, na ausência de um postal ou um telefonema, um sms meio mais adequado).
 
"Aos amigos do FB", acontece lermos. Quem são esses "amigos"?
Entes acima de insectos e abaixo de gente? Percebe-se mas não se compreende.
 
Que falta de gosto... particularmente nos casos de quem desempenha funções de relevo ou cargos de responsabilidade, de quem se espera a beleza da simplicidade e a humildade do exemplo.
 
Santo Natal e Boas Festas!
 
Presépio (1598), de Federico Barocci

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Sem meias-tintas

 
 
Desde há 33 anos que todos os 04 de Dezembro se evoca a memória de Francisco Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa e dos demais ocupantes cuja vida foi ceifada em Camarate.
 
A propósito e a despropósito, já quase tudo foi dito sobre o fundador do PPD.
 
Desde há alguns anos que uma questão insiste em interpelar-nos:
 
Será que Sá Carneiro sufragaria o estado a que o «seu PPD» chegou?
Será que o ex-Primeiro-Ministro seria complacente com a governação actual?
Que será que o cidadão e político teria para dizer aos portugueses e ao mundo sobre Portugal?
 
Francisco Sá Carneiro deixou um fio de pensamento cujas teses estão suficientemente documentadas e podem indicar-nos um caminho, apesar do tempo entretanto decorrido.
 
Temos para nós que hoje, das duas uma:
 
Sá Carneiro, ou há muito que tinha abandonado a política activa, ou há muito que tinha rompido com o PSD, o actual sistema de Governo e um País de cócoras perante entidades externas.
 
Nem que isso lhe custasse ficar isolado ou votado ao degredo da III República, arriscamos dizer, sem meias-tintas.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A coincidência fará dupla?


Sobre as presidenciais, o Prof. Marcelo, instado há sucessivas semanas por Judite Sousa, já não podendo adiar mais, foi enxuto, digamos assim. Não vimos ali truque nem malabarismo.
 
Vimos um homem honesto sem deixar de ser prudente na análise. Cauteloso sem disfarçar quanto a sua circunstância o apoquenta.
 
Todavia, Marcelo parte de um premissa que tanto é defensável como controvertida. A tese da dupla, por causa sobreposição do calendário. 
 
Como se fossem tickets, à americana.
Como se cada dupla estivesse inextricavelmente comprometida na sorte e no azar.
Como se não se tratassem de eleições distintas para o exercício de funções distintas.
Não parece crível que os portugueses queiram colocar "os ovos no mesmo cesto" em 2015 e 2016.
 
Para além de uma crise política no Governo ou um tumulto no PS, o que pode vir baralhar tudo?
 
Passos Coelho não ser o candidato a Primeiro-Ministro do PSD. 
O CDS/PP não se apresentar com Paulo Portas na liderança do Partido.
 
Aí é que se trocam as voltas a Pedro Santana Lopes, Durão Barroso e Marcelo Rebelo de Sousa, por esta ordem. Sendo que isso seria melhor para Marcelo ou Rui Rio. Ou Marcelo e Rio, cenário que o Professor se esqueceu ou não quis dizer, para não baralhar a tal dupla. 

Posse com propriedade

 
 
A tomada de posse de Rui Moreira, que mereceu ampla cobertura mediática, foi uma cerimónia muito digna porque foi um acto bonito. 
 
Por causa da cerimónia em si mesma ou do discurso, em que o novo Presidente da Câmara do Porto apontou o seu caminho? Não propriamente. 
Por causa do significado de certos actos, gestos e presenças.
 
A posse de Rui Moreira mostrou que a tradição também se recria. 
Em certa medida, em função da especificidade de cada Município, as posses deviam ser mais assim.
 
No fundo, trata-se de elevar a dignidade institucional de cada vila ou cidade a um patamar mais alto e mais amplo que os despiques das campanhas eleitorais, as cores das listas, as simpatias pessoais ou os limites territoriais dos concelhos.
 
É bonito ver o Presidente de Câmara cessante comparecer à posse de quem lhe sucede.
É bonito ver os sucessores dedicarem uma palavra a quem lhes antecedeu.
É bonito ver Presidentes de Câmaras de outros Municípios, vizinhos ou não, presentes.
 
A estética é elementar à ética política.
 
O poder local, em que se alicerça a organização territorial do País, só tem a ganhar quando a lealdade maior de cada um é para com a bandeira da freguesia ou município que é de todos, e quando o sentimento colectivo de legítimo orgulho em na sua freguesia ou município tem a grandeza de abrir as suas portas aos outros, sem bairrismos desproporcionados ou complexos de escala.
 
A coesão intermunicipal, tal como a identidade de cada comunidade, depois transpostas para a marca identitária nacional, una, dependem  em muito dos factores tradição e inovação, para a vitalidade de bens que afinal constituem-se e afiguram-se como inestimáveis valores públicos.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Bem de raiz



Tal como fizemos notar, perpassou da "narrativa caprichosa" de José Sócrates um tom que, aquilatando pela linguagem, convocou, acrescentamos, a imagem patusca das repúblicas de Coimbra, onde citar autores, fuzilar generais, revelar conspirações, escrever sebentas e  descobrir parentelas, tudo serve para aquecer o caldo da conclusão que o poder é um efe-érre-á. E que no regresso, de Paris para cá, é permitido tratar todos abaixo de pá. Enfim, a tipicidade de um deslumbre pedante, que quando não desbastado aos 20 torna-se perigoso.

Pedro Santana Lopes, mordazmente visado por Sócrates, ontem à noite na CMTV teve ocasião para dar resposta e comentar a "entrevista" mais falada nos últimos dias em Portugal.

A palavra de PSL eleva-se e obtém vencimento naturalmente, como podemos ver:
 
Apenas uma nota.
 
Para lá da defesa da honra e da abordagem às questões políticas, onde arrumou o opróbrio e soprou a pluma, Pedro Santana Lopes demonstrou outra coisa, muito simples. Um bem de raiz.

Não há tese ou mestre que colha sem um pingo de humildade e uma colher de chá.

sábado, 19 de outubro de 2013

Narrativa caprichosa



Sobre a entrevista exclusiva de José Sócrates, hoje estampada na Revista do Expresso, isto:
 
Da conversa com Clara Ferreira Alves resultou uma “narrativa” interessante, sem dúvida. Sobretudo porque o ex Primeiro-Ministo "abriu mais o livro", denotando a ânsia de provar que não é destituído intelectualmente, que aprendeu alguma ciência política nos últimos tempos, e que ainda não lhe passou o sabor azedo dos últimos cálices que bebeu à frente do Governo.
 
Do ponto de vista humano, é compreensível que Sócrates sinta necessidade de partilhar, tanto com o espelho como com o público, quer o sentimento de injustiça que o corrói, quer a capacidade que teve para iniciar uma nova vida académica e profissional, ademais bem sucedida. Neste domínio, Sócrates foi mais igual a si próprio e isso legitima o respeito que lhe é devido, pois há uma personalidade combativa que lateja no seu ser.
 
Do ponto de vista político, a entrevista, no mínimo, é acidentada. Da nossa leitura ressoam três indicadores de desnorte. Sócrates põe-se "a jeito". Quando trata o mandato popular como "um favor". Quando, por outro lado, não resiste a "falar de cátedra" para os seus camaradas socialistas sobre ideologia, como se a 3ª Via, subliminarmente proposta, fosse caminho para lado algum que não nenhures, parecendo ainda não estar desperto para a aurora revisionista da social-democracia. E quando releva um certo snobismo ao falar da direita, elevando-se à condição de "desejado", cavalgada em que arrasta Durão Barroso para o "altar-mor" do patriotismo.    
 
Por último, há um aspecto decisivo a salientar na entrevista de José Sócrates, o qual seria bom que não passasse em branco: o papel da entrevistadora. Não será preciso lupa para encontrar na narrativa o melhor linho da pena de Clara Ferreira Alves. Basta atentarmos no tom do linguajar... se as motivações de Sócrates são razoavelmente conhecidas, concedendo-se que carregue na tecla das suas feridas, já sobre a empatia, para não dizer osmose, revelada na harmonia entre entrevistadora e entrevistado, isso será mais imperscrutável.
 
Talvez a distância entre o capricho e a remissão seja uma pluma, num restaurante italiano. 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

É pura política!

 

Sem embargo e com a devida vénia à intervenção de Pedro Silva Pereira, sobre o caso Rui Machete, gostava de ter visto alguém na Assembleia da República ter dito isto:

 
É precisamente pelo facto do caso não ser jurídico mas político e do Senhor Ministro, como bem afirmou, não ir à Comissão da AR na condição de réu para a ser julgado, que a argumentação "técnica" que tentou aduzir, quando metida numa fatiota de Estado que rasgou pela costura dispensa um "julgamento" sobre algo tão relevante para a soberania e o seu órgão executivo/Governo.

 
Donde, a devida ponderação política da lesão em causa determina, hoje como há 30 anos, que o Ministro seja exonerado, de preferência a seu pedido, a bem dos tais valores que o titular invoca, quando bem se queixa da ética estar muito arredada da vida da polis.

 De facto, não é uma questão de direitos de personalidade. É pura política!
 
Para ser nobre, carece aqui de um só gesto: papel, caneta, e uma carta datada, assinada e entregue ao Primeiro-Ministro. É por isso que o cidadão servidor da causa pública vê-se confrontado com o "sacrifício" das funções que exerce em favor da preservação da dignidade do Governo, do Estado, e de si próprio.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Porto de Honra



As eleições autárquicas do passado Domingo servem de mote a todo o tipo de comentários, análises e estudos, à luz de uma leitura nacional dos resultados em que cada um elege o prisma da sua afeição. Tanto assim é que vários protagonistas cantam vitória.

O PS, a CDU, os Independentes, o CDS… até o maior derrotado, o PSD, consegue demonstrar por números que, contados todos votos expressos, e tendo por referência a votação dos socialistas, afinal, a derrota acabou por não ser tão pesada como parece, pois caso de eleições legislativas se tratasse António José Seguro estaria longe de obter uma maioria absoluta.
 
Optamos por centrar o nosso olhar no PSD, eixo estrutural do sistema de partidos, o parceiro maior da Coligação de Governo e historicamente a organização política mais alicerçada no poder local.

1. O resultado do Porto é paradigmático. Há dois PSD´s: o das estruturas e o dos eleitores. O PSD dos eleitores está farto do PSD das estruturas. Se assim não fosse Rui Moreira não teria ganho a Câmara da Invicta. Tal como a maioria das vitórias nas 13 Câmaras Municipais onde ganharam listas Independentes resulte de dissidências, onde os eleitores social-democratas decidiram sacrificar o Partido;
 
2. Depois, descontando o Porto, já falado, as derrotas do PSD nos maiores centros urbanos (sem esquecer algumas «ilhas» dispersas pelo País, como Braga, Viseu, Aveiro, Santarém, Cascais, Faro, Ponta Delgada), o PSD praticamente desaparece nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, o que significa que, para além de um voto de protesto ao Governo, o PSD tem muita dificuldade em criar relações de confiança e de proximidade com os sectores mais dinâmicos da sociedade, onde tradicionalmente tinha implantação;
 
3.Segue-se que na distribuição geográfica da força laranja, o PSD é praticamente varrido a Sul do Tejo, é afastado do litoral e fica muito encurralado no Norte Interior. Com o agravante de ser quase expulso das Regiões Autónomas, que durante décadas foram bastiões social-democratas.
 
Ora, estas três questões comprimem e exercem uma força tenaz sufocante sobre um Partido geneticamente vocacionado para exercer o poder e que, de repente, vê-se confrontado com a vertigem de um abismo enorme: não caber dentro de si próprio.
 
Donde, é quase inevitável que seja irreprimível a tendência para ajustes de contas e purgas internas, pulverizando, tal como na representação geográfica, a consistência de um aparelho, cada vez mais representativo de si mesmo, e o lastro ideológico-programático, cada vez mais carcomido.
 
Tudo concorre para que o PSD, depois de 2015, seja confrontado com um dos seus traços instintivos mais genéticos. A capacidade de se regenerar para sobreviver, começando tudo de novo. Se assim não for, o risco da implosão é cada vez mais real.
 
Nesta voragem partidária em curso, o outro maior partido estruturante do sistema incorrerá num erro enorme caso entenda que vive num mar de rosas. Não vive. O PS também vai ter o seu Porto.
 
Falta o tempo dos portugueses se desiludirem com a maioria das 150 presidências de Câmara conquistadas nestas eleições autárquicas, tal como com o Governo de Seguro, Costa, ou outro, que há-de vir.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Portugal a galope


 
Um infeliz Secretário de Estado diz não conseguir «evidenciar» se quando trabalhava no Citigroup esteve reunido em São Bento com assessores do anterior Primeiro-Ministro para vender swaps. Mentiu que até fez impressão.

 
Um desajeitado Secretário de Estado não sei do quê, qual Intendente Pina Manique (parece que agora há uma “unidade especial de investigação” dentro do Governo) vem dizer, a propósito, que existem demasiadas «inconsistências» entre as versões do seu par e da comunicação social e que até ao fim do dia tudo seria tirado a limpo.

 
Em cima das 24:00H, um patético comunicado do Gabinete da Ministra das Finanças proclama que alguém forjara o organograma do Citigroup em circulação, como se a questão fosse de mais boneco menos boneco, tentando, num esforço pré-escolar, limpar o governante do mapa do banco que vendia swaps ao Estado, a ver se assim também limpava as tais evidências.  

 
Num brilhante ensaio sobre «a arte de governar», um Secretário-Geral de um dos partidos da Coligação veio acudir o retardado demissionário Secretário de Estado, com um comunicado que fica no anedotário político nacional.

Depois, em entrevista televisiva, apresenta a sua «moral da história». Que tudo o que não é ilegal é lícito. Ou seja, que se um governante mente, como não é ilegal que minta, nada há a apontar-lhe politicamente. Ficamos esclarecidos sobre a ética deste servo da causa pública. A Republicana ou qualquer outra. Isso não interessa nada. Importante é apurar quem passou a informação aos media. A isto talvez deva chamar-se «liberalismo científico».

 
Entretanto, o Chefe do Executivo está a banhos, não abrindo a boca, e o Vice-Primeiro-Ministro permanece calado que nem um rato, não sem que algum dos seus correligionários trate da ocorrência. Da Ministra das Finanças, nem se fala, como é fácil de perceber.

 
A República Portuguesa há muito que descolou dos denominados PIGS. Este Verão galopa, veloz, a caminho de uma República das Bananas perdida algures no imaginário de uma América Latina… onde hoje em dia as pessoas revoltam-se e até protestam na rua.

domingo, 28 de julho de 2013

Líder e Credo


Três milhões na Praia da Copacabana.
Record absoluto. Que foi ali fazer a multidão?
Praia? O tempo estava invernoso... Réveillon ou Carnaval? Estamos em Julho...
Uma banda de rock, um actor, um futebolista ou um político? Também não. Um líder? Sim.
Um Líder, que logo à chegada disse que não levava nem ouro nem prata... e que foi a uma favela dizer aos mais pobres dos pobres que a maior das fomes é a fome de dignidade. Que só Deus sacia.
Este Líder e o Credo que professa dão que pensar.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Partidos - o fermento está na rua



A crise que o País e a III República atravessam, cujos expoentes máximos são a assistência financeira da Troika, o colapso iminente da coesão social, e o espectro do bloqueio jurídico-constitucional e político-partidário a que temos assistido, tudo isto está a mexer com as estruturas da sociedade portuguesa e os alicerces do regime.
 
Indo directamente ao assunto que aqui queremos tocar, é hoje evidente que os partidos políticos que temos não servem e que tanto a condução político-administrativa do Estado como as respostas para os novos problemas da nova realidade social não podem ser-lhes confiados por muito mais tempo.
 
Caso a presente Legislatura chegue ao fim, ou a comunidade nacional consegue alavancar um novo ânimo numa regeneração que é imperativa, ou estaremos perto do terceiro-mundo, que há muito pensávamos ter largado.
 
Há uns pares de anos, quando já existiam sinais fortíssimos da degenerescência a que os partidos chegaram, não havia praticamente ninguém que entendesse «haver espaço» para o aparecimento de novas forças políticas, especialmente na área denominada de centro-direita.
 
Hoje já não é assim. Começam a fazer-se ouvir sem tibiezas nos media várias vozes sonantes, (algumas, inclusive, de venerandos «senadores» da República), apontando para a necessidade urgente de uma reconfiguração formal e qualitativa do nosso leque partidário, assim como para a premência de uma clarificação do sistema de governo, entre outras alterações em matérias chave da democracia.
 
Mas aquilo que merece mais atenção é outro aspecto:
 
Os cidadãos despertaram para o problema e a sociedade civil, se bem que divorciada da actividade política, deixou de estar apartada de acompanhar a actualidade, sendo agora notório um grandíssimo descontentamento com os partidos. Basta vermos como é que o País entendeu a comunicação do Presidente da República, para que o PS, PSD e CDS se entendessem, e de que «lado» estava o «Portugal profundo».
 
Para apertar esta tenaz, notemos o seguinte:
 
De há muitos anos a esta parte, quando muda a cor política da governação, a ideia dominante é que não é a oposição que ganha as eleições mas sim o governo que as perde. Andamos nesta espiral rotativista há muito, e as pessoas não têm votado no PSD ou no PS por «convicção», mas para «tirar de lá» este ou aquele.
 
Ora, toda a gente sabe que o PSD ganhou as Legislativas em 2011, não por Passos Coelho e o a sua equipa constituírem uma opção deliberada, mas pelo facto do eleitorado ter querido, deliberadamente, «correr» com José Sócrates e o PS.
 
O problema é que em 2 anos o PSD e o CDS já desbarataram todo o capital que tinham e os portugueses não querem eleições apenas porque consideram António José Seguro pior. E é!
 
Donde, em 2015, se não for antes, a maioria do eleitorado, ainda que mudem as lideranças, vai ser confrontada com esta coisa, muito simples:
 
Não «vai dar» para acreditar mais no PSD/CDS, como não «vai dar» para acreditar mais no PS, de modo a que uns ou outros alcancem uma maioria para governar.
 
Sem contarmos aqui, propositadamente, com a saída de cena de Cavaco Silva, (e as fracturas que as Presidenciais de 2016 provavelmente abrirão), 40 anos sobre o 25 de Abril teremos reunidas condições para emergir uma nova força política em Portugal.
 
Passará «por cima» do PS, do PSD e do CDS, e irá buscar a sua força ao espaço sociológico da troika formada pelos partidos do «velho arco governativo». Esse fermento, uma vez na rua, não deverá deixar de crescer.

domingo, 21 de julho de 2013

Todos no mesmo cesto


Cavaco Silva acabou de anunciar o que era mais lógico.

Falhado o Acordo, onde os partidos fintaram o Presidente e  ludibriaram tudo e todos, o PR ficou num beco sem saída. Enfraquecido. Agredido. Refém. Derrotado.

Passos Coelho, vencedor deste braço-de-ferro constitucional, provou que não é a sorte que protege os audazes. É prosseguir sempre, com ou sem escrúpulos.

Depois desta crise, temos uma oposição mais em cacos do que estava, um Governo «colado a cuspo», e um Presidente que politicamente não risca nada. Todos no mesmo cesto.

sábado, 20 de julho de 2013

Acordo - que seria de esperar?


Que seria de esperar, quando as negociações para a «salvação nacional» foram postas nas mãos de:

- Um "duplo" de Passos Coelho, coadjuvado por um neófito da governação, acabado de aterrar na Lua;
- Um "núncio apostólico" de Paulo Portas, com carta de lambreta, coadjuvado por um jovem quadro da banca, certinho nas contas;
- Um "sempiterno" dirigente estudantil, cujo feito, uma frase, em 1969, nas Matemáticas de Coimbra, deu-lhe renda vitalícia, coadjuvado dois emissários do Rato;
- Um "olheiro" de Belém, que quando foi Ministro da Educação, até para responder aos miúdos do secundário exigia que lhe pusessem as perguntas por escrito de antemão.

Que seria de esperar?

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Basta!



Que este Governo (quem tiver olhos de ver, bem vê que tem sido a capa da Troika a dar-lhe ares de governança), é o pior Governo que Portugal já conheceu desde o 25 de Abril, já sabíamos.

Que este líder do principal partido da oposição (que há pouco veio falar à tv, com aquele ar de periquito que sentiu o cheiro da alpista), é o pior líder do Partido Socialista que Portugal já conheceu desde que o PS foi fundado em 1973, também já sabíamos.

Se este Presidente da República é o pior PR que Portugal já conheceu desde o 25 de Abril, falta pouco para ficarmos a saber.

Já não nos questionamos sobre se vamos poder pagar a dívida, que não vamos.
Já não nos questionamos sobre se este sistema político tem salvação, que não tem.
Já não nos questionamos sobre se esta III República tem remédio, que não tem.

Será Portugal um Estado inviável? Adensa-se o chumbo dessa nuvem.

E agora?

O PR, pouco habilmente, é certo, não soube nem teve força para chamar os partidos à razão.

Agora, resta lutar por todos os meios (pacíficos) para «limpar do mapa» estes partidos, estes líderes e esta classe dirigente. Literalmente. Depressa!

Agora, todos os cidadãos têm de sentir e responder, de uma vez por todas, à mais alta chamada do dever, que a Pátria agoniza, e nós com ela.

Pela Paz. Pelo pão. Pela Liberdade. Por nós, que queremos viver na nossa terra!

Façam-se já boicotes a todas as iniciativas político-partidárias. E quem possa hesitar, receando represálias, que não vacile nem tenha medo.

A escória que nos governa e a parasitagem que manda nos partidos não alimenta ninguém. Alimenta-se. Sem «clientela» morrem à fome.


Desta vez, basta. Brincar aos acordos, a fingir que são responsáveis, do modo como o fizeram, é demasiado grave. Indesculpável. 

Acreditem. Essa malta é cobarde. A maioria, uns cobardolas que no dia em que virem força pela frente são os primeiros a juntar-se ao coros de protestos para safar a pele.

Acreditem. No dia em que os portugueses acreditarem que são mais fortes que eles, Portugal em menos de uma semana vira esta página da História.


Acreditem.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Anteontem, ontem e hoje... isto só vídeo

 
A questão posta pelo Presidente da República não nos convoca agora para um debate jurídico-constitucional, um ensaio sobre a clarificação do sistema de governo na nossa Lei Fundamental, ou uma revisão da Constituição da República.

Essas ma...térias são prementes há muito, incontornáveis mal estejam reunidas condições para tal mas, agora, trata-se de resolver uma crise política no âmbito das normas vigentes.

A proposta aventada por Cavaco Silva exorbitou os poderes presidenciais?Não. Então, a questão é eminentemente política, no sentido mais estrito.

Que a declaração do PR, primeiro, foi muito circunstanciada, para sustentar a tese de não levar o País para eleições, isso merecerá um consenso relativamente alargado.

Que a declaração do PR, depois, surpreendeu tudo e todos, encurtando a Legislatura para menos um ano, e propondo que os partidos do «arco do poder» se entendam, para que das três principais bancadas parlamentares (2/3 dos mandatos) emane um Governo de Salvação Nacional, aí é que o caso se torna mais bicudo.

É óbvio que Cavaco Sila quis dizer que não acreditava na última solução que Passos Coelho levou a Belém. É claro que, de algum modo, passou um atestado de incompetência a Passos e a Portas, não se coibindo ainda de chamar António José Seguro à razão.

Aqui chegados, abre-se uma caixa de pandora e muito pode ser dito por muitos. Todavia, uma coisa é certa: durante meses a fio todos temos visto o PR ser criticado por «não fazer nada», como temos assistido às mais vexatórias das considerações sobre os directórios partidários.

Isto, para não falarmos do que nos últimos dias se disse das infantilidades do Executivo e da Coligação PSD/CDS, que geriram as demissões de Gaspar e Portas como se estivessem numa RGA do Liceu, e trataram o mais alto magistrado da Nação com uma ligeireza de quem não tem noção do respeito institucional devido entre órgãos de soberania.

Para além das ingerências externas que se fizeram ouvir, como se Portugal, a acrescer à tutela do Programa de Ajuda, também estivesse à mercê de uma dupla tutela, onde o PR de Portugal não passaria de um mero «delegado dos senhores da Europa».

Não sabemos, ninguém sabe, se a solução ontem apresentada por Cavaco Silva, em abstracto possível, irá resultar em concreto.

Agora, o que nos causa impressão é que quem anteontem clamava contra a "brincadeira" de Passos e Portas, hoje esteja a vociferar, em surdina ou em público, contra os «tabefes» que o PR deu aos partidos.

Mais:

É sabido que não há apoios incondicionais vitalícios, mas seria interessante vermos quem esteve na Comissão de Honra de Cavaco Silva na reeleição presidencial de 2011, e quem se acotovelava no CCB na noite da vitória... o arquivo das imagens deve estar nos jornais e nas tvs. Isto só vídeo...

Não estivemos lá e não eram propriamente cidadãos comuns que lá estavam... mas estamos em crer que o Povo, desta vez, está mais com o PR.

 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Cavaco Silva acabou com o recreio


Parece que ninguém percebeu.
 
O Presidente da República não quer nem Passos Coelho, nem Paulo Portas, ou sequer António José Seguro no Governo.
Aos líderes do PSD e do CDS resta sair de cena e deixar que os respectivos partidos trabalhem numa solução nova, no actual quadro parlamentar.
Ao Secretário-Geral do PS, a mesma coisa. Depois de ter dito que não iria para o Governo sem eleições, também não restam grandes hipóteses. Ou acata a solução proposta e espera por 2014, ou é melhor que vá andando...
 
Cavaco pode ter acabado de pôr todos contra si...
Mas a solução proposta tem uma virtude:
"Limpou-os" a todos e expôs, como nunca, a mediocridade das lideranças partidárias.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A espinha de Paulo Portas


Corre nos media que o Presidente da República terá condicionado a «proposta» que Pedro Passos Coelho levou esta tarde a Belém à continuidade de Paulo Portas no Governo. Entretanto, figuras ligadas ao CDS/PP e a Portas já vieram à televisão «estender a almofada», para que Paulo Portas volte com a sua palavra atrás.
 
Se assim for, Paulo Portas não só não adianta à Coligação, como não regenera o Governo, como não se redime a si próprio. Pior. Demonstra que não tem «espinha», definitivamente. O que era verdade na carta de ontem é amanhã mentira? Ou Portas é homem de palavra, ou não é. Não há aqui nem «mas», nem «meio mas». Ou sim, ou sopas!

Uma cambalhota de Portas resolveria apenas três coisas: Aliviava um tanto o peso que recai agora sobre o PR, garantiria por mais algum tempo uns pratos de lentilhas para as clientelas centristas… e no dia de uma eventual candidatura presidencial lá teria o séquito a prestar-lhe tributo.

Ora, tudo isto somado é uma milésima parte do carácter de um homem.

O melhor que Paulo Portas podia fazer nesta altura era sair mesmo.
Do Governo e da liderança do CDS/PP.   

quarta-feira, 3 de julho de 2013

CDS/PP, vomitam e depois engolem?

Ontem, Pedro Passos Coelho fez triste figura.
Hoje, o CDS/PP seguiu-lhe o exemplo. É simples:
1. A partir do momento em que Paulo Portas apresentou a sua demissão ao PM, aos outros membros do Partido que integram o Governo só restava pedirem também a sua exoneração.
2. Depois, e uma vez que não falaram antes, imediatamente a seguir à declaração das 20:00H do PM, o CDS/PP só tinha que dizer que a ...
bancada parlamentar estaria disponível para suportar o Governo na AR.
3. Mas não, o CDS/PP optou por «engonhar», saindo ao fim da tarde com um comunicado patético de Luís Queiró.
4. Depois da grande cambalhota do CDS/PP, a «negociação» que a esta decorre entre Passos Coelho e Paulo Portas é uma «palhaçada». Toda a gente sabe que o que «sublevou» as hostes centristas esta tarde reunidas no Largo do Caldas foram os cálculos sobre os seus lugarinhos.
5. Triste CDS/PP... «vomita num dia e no outro engole»!

6. E não venham «atirar areia as olhos» das pessoas. Qual patriotismo, qual quê? Se fossem patriotas assumiam as discordâncias expressas por Paulo Portas (que continuam a zurzir nos corredores) e voltavam a «servir» no Parlamento.7. Bastou uma tarde para que o CDS/PP fizesse esquecer as asneiradas de Gaspar e Passos Coelho, e bastaram umas horas para que os «rapazolas» do CDS/PP cavassem mais fundo a cova de Portugal. Oxalá também as suas!
 

terça-feira, 2 de julho de 2013

A declaração de Passos Coelho

A declaração do Primeiro-Ministro tem duas faces. Ou, melhor, três:

1. Bem, quando anuncia que não se demite e diz querer preservar a estabilidade.

2. «Teenager», quando «faz caixinha», e não aceita o pedido de demissão Paulo Portas, nem informa o PR, num calculismo baratinho, típico das Jotas.

3. Um desastre, quando diz que vai esclarecer com o CDS/PP.
Mas quem é o líder do CDS/PP? Não é o Ministro cujo pedido de demissão Passos Coelho não aceita? Então, por que razão o Primeiro-Ministro não pediu de imediato para Portas ir a S. Bento pôr tudo em «pratos limpos»?

Antevisão da declaração de Passos Coelho

Passos vai colocar todo o ónus de uma «segunda Grécia» sobre Portas.
Portas vai contar a história de um Governo de «rapazolas», deixando, todavia, a Passos condições para governar.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Governo, mega swap


A TSF deve um pedido de desculpas aos ouvintes. Foi mais de uma hora a anunciar «em primeira mão», com comentários fervilhantes e análises patéticas, a saída de Gaspar e a sua substituição por Paulo Macedo. Afinal a telefonia enganou-se. Reconhecendo-o, fica desculpada.

O que não tem remissão possível é a casmurrice e o isolamento político de Passos Coelho. O Primeiro-Ministro há muito que está «ferido na asa». Com a troca do inenarrável Gaspar pela simpática Maria Luís Albuquerque, o que poderia ser um «refreshment» acaba por fazer de todo o Governo um «mega swap». Paulo Portas tem agora mais força. E mais razões para «deitar fora o menino, juntamente com a água do banho».

Lisboa precisa de uma limpeza



A última crónica de Clara Ferreira Alves, devia ser arrancada da Revista do Expresso e lançada à cara de António Costa, em primeiro lugar...

A sujidade impregnada e o lixo que enfeita as praças e ruas de Lisboa ultrapassa os limites da higiene urbana, tornando o caso num problema de saúde pública.

Ocorre perguntar, como dantes se perguntava: «Lá em casa é assim?»

Fernando Seara, ou outro, não precisa de grande «think thank» para escrever o seu programa eleitoral. Metade do manifesto já está expresso, na referida página do Expresso.

Lisboa precisa de uma limpeza... haja quem saiba limpar.

sábado, 29 de junho de 2013

Ai a vida, Costa!


 
Como costuma dizer um dos maiores sábios da comunidade, «isto não é matéria de opinião»...

Prosseguindo... para quem não saiba, Lisboa é a cidade mais provinciana do País.
Nos bairros mais antigos ou nas urbanizações novas, nas zonas mais prestigiadas ou nas ruas sem nome, Lisboa é um grande arraial, onde cabem as aldeias todas de Portugal.
Isto nada tem de pejorativo. É um facto. Ponto.

Ao invés, promover um «mega pic-nic» no Terreiro do Paço, muito inferior à Feira da Malveira, com Tony Carreira e tudo à mistura, é qualquer coisa que faz favor!
Preferimos, mil vezes, a música dos Santos Populares, que nos entrava ontem à noite pela varanda... e que nos ficou no ouvido.

Gal Costa - Festa do interior
http://www.youtube.com/watch?v=3u8twHoYqtE

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Está tudo controlado

 
Sabemos que somos «vigiados» e que as nossas contas (de e-mails, redes sociais, ou tweets, tal como chamadas telefónicas, de redes móveis ou fixas) são violadas a torto e a direito. Quando o próprio PR faz uma Comunicação ao País a falar de "vulnerabilidades no seu computador", estamos conversados...

 Mas é "chato" que nos apaguem posts do Mural. Para a próxima, agradecemos que «ataquem» as cobranças das Finanças ou outras contas para pagar, por ex. Quanto às contas bancárias, estamos descansados. Podem virar o computador ao contrário. Pode ser que caia alguma tecla.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Testemunho

 
Não conheci o Zé Maria Cortes. Mas a triste notícia também me impressionou...

Conheci razoavelmente a natureza ímpar da coragem, do carácter e da honra, que presidem às autênticas «irmandades» onde se fundam os grupos de forcados, porventura o último reduto lusitano de lealdade ao próximo.

Conheço bem a comunhão e o espírito com que todos se elevam na dor da perda, como se todo o seu tributo de dignidade e fé superasse a fatalidade, alcandorando o eleito à glória, que desta vez não é deste Mundo.

Conheço bem a força gigante dessa marcha. Sei bem o significado dessa grande ajuda. Para a Família, que sangra. Os amigos, que choram. O Grupo, que se forra a luto. A comunidade, que se consterna.

Também suplico ao Senhor que conforte os corações destroçados dos mais próximos do Zé Maria, e a todos ampare, com a promessa da Vida Eterna, penhor da nossa Fé.

sábado, 22 de junho de 2013

Governo-a-dias

O Governo vai 'revolucionar' a sua forma de comunicar. O gabinete do ministro Adjunto Miguel Poiares Maduro manterá todos os dias, a partir da próxima semana, encontros com a comunicação social para falar da governação. Fonte: DN
 
Diariamente.
Tal como o boletim meteorológico.
Agora vamos perceber melhor que o Governo é para todas as Estações!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Big «big brother» Brasil


Todos têm podido assistir em directo à onde de protestos que varre o Brasil. Talvez nunca tenha havida uma cobertura mediática tão profusa como esta. A pulverização das manifestações, que se alastra a centenas de focos, um pouco por cada um dos 27 Estados, deverá constituir já o maior «big brother» que Mundo viu até hoje!

 Todavia, classificar o que se passa, ou antever as consequências da revolta é praticamente impossível. Pela simples razão que este fenómeno (apesar de similitudes com outros, ocorridos recentemente noutras áreas do globo) é novo. E nem jornalistas, sociólogos ou politólogos encontraram ainda léxico que chegue para definir e explicar esta «erupção social apartidária».
 
Curioso é notar que muito parecido com a insatisfação popular brasileira foi, (à escala e salvaguardada a ordem pública), quando Portugal saiu à rua, para contestar a TSU, a 15 de Setembro passado. Também não era apenas contra a TSU, mas todo o Sistema.



quarta-feira, 19 de junho de 2013

Karol Wojtyla, musical

 

O Musical (www.musicalwojtyla.net) estreou ontem em Lisboa, no Tivoli. 
Uma bela lição, a vários níveis. Recomenda-se vivamente. A todos.
Nota pessoal:
Independentemente do espectáculo, soberbo, para além da dimensão espiritual, cimeira, e da proposta de vida de Wojtyla, perene, vimos ainda ali (a jusante da consabida relação entre o Pontificado de João Paulo II e a queda do Muro) o enorme desafio que a «mensagem» transporta.
 
O capitalismo não serve de resposta. Nem pode ser o fim da História. 
 
Acontecimentos recentes, com a eleição do Papa Francisco, e os ecos mundiais que o novo ministério petrino tem tido não serão alheios ao Mundo. Que agora por toda a parte se levanta, clamando por uma nova ordem, feita de mais fraternidade, justiça e paz.
 
Afinal, o «novo paradigma» permanece no Evangelho e no humanismo cristão... caminho que Karol Wojtyla percorreu à frente, deixando muita luz na larga passagem.

 
 

terça-feira, 18 de junho de 2013

Paradigma

Olhando para o clima que envolve a Cimeira do G-8 e os tumultos que atravessam o Brasil, ocorre-nos convocar o que logo escrevemos a 13 de Março passado, quando o Papa Francisco foi eleito. Comunismo e Capitalismo falhados, talvez estejamos mais perto do tal «novo paradigma», que parecia não se vislumbrar, acrescentamos agora.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Chumbo na FENPROF

 

Realizaram-se cerca de 2/3 dos exames. Será que o Sr. Mário Nogueira vai aprender, depois do chumbo? Os professores terão queixas atendíveis. Mas colocar a FENPROF contra alunos e famílias não só abona ao Governo como prejudica as próprias razões dos docentes.
Mais:
Quando se bate nos partidos é frequente esquecer os sindicatos. Têm muito em comum. Uns e outros são necessários. Uns e outros tornaram-se em organizações que enquistam o sistema. Uns e outros não servem os fins a que se destinam. Uns e outros há muito que precisam de uma grande «limpeza».

domingo, 16 de junho de 2013

Nação atacada

 
 

Tal como a certos autarcas, patos-bravos, verdadeiros sementais a plantar mamarrachos em todo o lado e assim mostrar obra, aos quais, nada esperando de tais cabeças, apenas pedíamos que não estragassem, rogamos agora ao Governo que tente um...a "proeza", talvez proporcional às suas capacidades:
Façam o indispensável para cumprir o «Programa Excel», cuja Troika faz depender o envio das tranches, mas, pelas almas do purgatório, não arranquem os pilares da Nação. Sim, Nação que o Estado Português, esse, está praticamente todo resumido nos bonecos do «contrapoder».

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Quem não tem já pagou?


"O Governo ordenou aos serviços públicos que  não paguem subsídio de férias em junho apesar da suspensão ter sido chumbada  pelo Tribunal Constitucional e de não estar em vigor a proposta do executivo  que remete para novembro esse pagamento." 
Fonte: Sic Notícias online, 11.06.2013, 23:39
 
O Governo faz saber que desrespeita decisão do Tribunal Constitucional. Está em causa o regular funcionamento das instituições de democráticas? Não, que ideia... os cidadãos fazem saber que não observam decisões do Governo. Fica em causa a legalidade do Estado de Direito Democrático? Não, que ideia... o «estado de excepção» justifica tudo. A República Portuguesa é um espectáculo... quem não tem, já pagou?  Mas que grande argumento para a renegociação do pagamento da dívida.

sábado, 8 de junho de 2013

Alta Definição


Fora concebido. Hoje nasceu. Em alta definição (sic).
De Portugal para Belém.

Cantando e rindo


Vítor Gaspar é o máximo! Confesso que nunca imaginei que algum dia um Ministro das Finanças fosse capaz de dizer o que disse no Parlamento, com toda a naturalidade, convencido que o exercício do cargo passa é isso mesmo: estagiar no Governo, experimentar, e aprender com os erros sobre as contas do País. Criticar? Qual quê? Nem pensar. Força, Senhor Ministro!

E o Senhor Provedor de Justiça, a propósito da bela entrevista que deu à Antena 1? Categoria!
Enfim.. as instituições democráticas estão fortes, funcionam regularmente e o regime recomenda-se.
Isto está lindo...

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Coitado do FMI


http://online.wsj.com/article/SB10001424127887324299104578527202781667088.html?mod=WSJEurope_hpp_LEFTTopStories

Salvaguardadas as devidas diferenças, esta do FMI reconhecer erros no Plano da Grécia faz lembrar a indústria farmacêutica.
 
Pegam em ratinhos de laboratório e vão-lhes fazendo experiências com esta e aquela substância. É preciso que morram muitas cobaias e que as fórmulas sejam reformuladas muitas vezes até que a comunidade científica diga que o remédio está pronto para ser testado em humanos.Então, as doses são ministradas via de regra a doentes terminais, pois morrer do mal ou da cura vai dar ao mesmo.
 
Voltando à Europa, aos PIGS e aos planos de assistência do FMI, o que estamos a assistir é a experimentalismo social e económico puro, cujo paralelo, para o encontrarmos, talvez tenhamos que remontar aos regimes nacional-socialistas que emergiram no Velho Continente nas décadas de 20 e 30 do Século XX. Com a diferença dos resultados terem sido melhores nalguns aspectos. Pelo menos cada Estado decidia por si próprio e os «bois» tinham nome.
 
Fascismo era fascismo, nacionalismo era nacionalismo, ordem era ordem, e por aí fora. Deu mau resultado? Pois deu. Mas na viragem do pós-II Guerra a Europa Ocidental soube o que fazer. E agora não sabe, ninguém sabe, no meio de tanta bagunça e da «Babel» chamada União Europeia, «sem rei nem roque»...

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Calado e quieto

Desde sempre empenhado na defesa da causa pública e após muitos anos a encarar Portugal como o Estado que deveria ser, forçoso é concluir que o modo e as motivações desse suposto préstimo estavam erradas.

Afinal, as instituições estão muito bem entregues e a «res publica» muito bem guardada. Começando pelo cume, nos órgãos de soberania, passando, montanha abaixo, pelas vertentes da administração pública, e terminando, no sopé, pelas autarquias locais, assim como miríades de instituições que gravitam em torno do poder de receber receitas de mão-beijada.

Depois, e transpondo a coisa para o plano da cidadania, a vida ensina que, tal como na política, acautelado é fazer de morto. Convicção? Opinião? Intervenção? Que estupidez... nem pensar! Há quem faça isso por nós, e ainda receba soldo. Os partidos têm fiéis intérpretes que nos garantem a melhor articulação entre os projectos de sociedade que se nos oferecem e a respectiva prossecução, por via d...a governança e da lei.

Por fim, algo que não é de somenos:
Portugal é um «T1», o que pode ou não ser uma vantagem. Conhecemo-nos todos. Pelo nome, pelo apelido, pela prima, pelo tio, pelo amigo, pelo colega, enfim... por uma vizinhança qualquer. Vai daí, sabemos que nunca sabemos quando é que estamos a ofender alguém «bem posicionado», paternalista, que por nos querer bem, ao mais leve dos gestos logo nos sussurra que o melhor é estarmos quietos e calados, pois «tudo se resolve» e não vale a pena «complicar as coisas».

Entre «isto» e o Estado Novo qualquer semelhança é mera coincidência. Deve ser. Com a diferença que no «Estado Novo» eram menos aqueles que corriam o risco de tratar por «tu» alguém «bem posicionado». E não havia Facebook...

domingo, 26 de maio de 2013

Fórmula SLB

 
A conquista da Taça de Portugal assinalaria uma época sem grandes êxitos desportivos mas de grande comunhão entre os dirigentes, a equipa e os adeptos. A derrota esta tarde no Jamor transformou a moral em pesadelo.

Agora, sem vitórias e sem moral, (para mais quando, como se viu, as primeiras dependem em larga escala ...da segunda), é imperativo fazer uma reflexão.

Não pode ter sido apenas «azar» ou «má sorte», três vezes seguidas. Três vezes seguidas. Não pode!

Para além da imoralidade das quantias auferidas (por causa, alegadamente, da responsabilidade inerente à função profissional), o certo é que o SLB falhou.

Quem falhou?
Os sócios e adeptos? Não.
Os dirigentes? Em parte.
Os jogadores? Em parte.
O treinador? Na maior parte.

É tempo de saber tirar lições destas três derrotas seguidas neste trino de finais.

A primeira, a mais evidente, salta à vista, e ficou hoje confirmada.

50% da «fórmula» dos campeões depende da força moral.

Jorge Jesus, pode ser um excelente treinador e levar longe as equipas que orienta.

Mas isso não basta. Falta-lhe metade da «fórmula».

Quererá o Benfica partir para a nova época com um treinador de joelhos?

sábado, 18 de maio de 2013

Lei da co-adopção, só uma pergunta...

Ontem, o projecto de lei do PS, conhecido por Lei da co-adopção, ou seja, a possibilidade de co-adopção por casais ou unidos de facto do mesmo sexo, foi aprovado na generalidade no Parlamento, com 99 votos a favor, 94 contra e nove abstenções.
 
Votaram a favor as bancadas do BE, PCP, PEV, a maioria dos deputados do PS e 16 deputados do PSD. Abstiveram-se três deputados do PS, três do PSD e três do CDS.
 
Votaram 202 dos 230 deputados, vários abandonaram o hemiciclo antes do início da votação.

Só uma pergunta:

Considerando que Pedro Passos Coelho é deputado, (embora com o mandato suspenso, uma vez que foi chamado a chefiar o Governo), caso o actual Primeiro-Ministro e Presidente do PSD estivesse a exercer o mandato (eleito pelo círculo de Vila Real), qual teria sido o sentido do seu voto? A favor da Lei? Contra? Abstinha-se? Abandonava a sala?

Achamos pertinente que a pergunta lhe seja colocada, não se lhe admitindo evasiva resposta, para que todos fiquem esclarecidos.