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quinta-feira, 15 de março de 2012

É fazer as contas

Na sequência do post anterior, oferece-nos dar título a este utilizando a expressão de um ex-governante, que ficou bem conhecida dos portugueses, cujo significado, em sentido figurado, tornou-se apropriado para ilustrar determinadas situações complexas.

Vem isto a propósito das respostas às perguntas formuladas, mais algumas «embrulhadas» que se lhes vieram juntar, e o abrir de mais trilhos para desembocarmos numa percepção, cada vez mais nítida, a qual começa a unir pessoas e correntes de opinião de um arco tão amplo que, poder-se-á dizer, em comum têm apenas a concidadania, mais a bandeira e o hino.

Vejamos:

Olli Rehn
Veio tentar confortar as almas, dizendo que a administração da «receita» pelo Governo do Programa de Assistência está no bom caminho, mas, repare-se na «subtileza», o Acordo é para ser cumprido à letra, não se comprometendo com avaliações antes de haver números, antes comprometendo os portugueses, quando insiste no «apelo» para que todos, incluindo parlamento e parceiros sociais, se empenhem nos «objectivos».

Espremido, «noves fora nada».

O que o Comissário Europeu veio fazer (não sem se eximir a falar na questão energética), foi tentar «segurar os cavalos», por um lado, começando também timidamente a sugerir que caso as metas não sejam alcançadas o problema não é «do médico mas do doente»... ele lá sabe por que é que meteu o parlamento e parceiros sociais no discurso... prevenir crise política latente, directamente ligada ao risco de convulsão social. 

Vítor Gaspar
Fez «o seu papel». Dizer aos portugueses, com o «padrinho» ao lado e tudo, que as entidades externas dão o «aval da palavra» , ou seja, que estamos no bom caminho, aproveitando, pelo meio, para acender uma pequena vela de esperança, com a «história» do alívio da carga fiscal, lá para 2014, quando a empreitada da aplicação das medidas em curso estiver concluída. 

O Ministro das Finanças está a aprender uns «truques» depressa. O que ele não sabe, é que o que ele «inda agora» vai aprendendo os portugueses pensavam que já tinham esquecido, fartos de saber que estão.

Sérgio Monteiro
O Estado não fez um duplo pagamento à Lusoponte, ouvimos. Mais adiante,  os mesmos ouvidos escutam esta coisa espantosa, que o Estado vai receber o que tem a haver da Lusoponte mais os juros!

Como é que é??? Se não foi feito duplo pagamento e se a lógica não fôr uma batata, então, o Estado nada tem a haver da concessionária... ou a Empresa decidiu tornar-se benemérita? Enfim... uma «fantochada».

A acrescer:

Comissão Parlamentar de Inquérito ao BPN
O líderes das bancadas da maioria pareciam aqueles «jotas» que horas antes da secretaria abrir vão para a porta marcar lugar, só para que o «genial requerimento» dê entrada antes do da lista adversária. Não é «golpe de asa», que isso seria engenhoso demais. É o mais baixo «chico-espertismo» elevado ao altar da Assembleia da República! Triste figura.

Passos Coelho, outra vez, sobre o Sec. Estado da Energia
Quando um Primeiro-Ministro, lado a lado com o Ministro da tutela, é que vem explicar, mais uma vez, os «porquês», algo vai mal. E nem é tanto pela prova de fraqueza do Ministro da Economia. Quando é o PM que tem de ser «bombeiro» de todo e qualquer «fogo» no Executivo, isso politicamente não só chamusca o Chefe do Governo, como, pior, põe a descoberto a falta de alguém que «dê o peito às balas».

Passos Coelho, a continuar neste afã, não governa, apenas acode. Quem o irá acudir depois?

Otelo
Se Jorge Sampaio, por ter sido apoiante de Otela Saraiva de Carvalho em 1976, não perdeu a sua capacidade eleitoral passiva, chegando a Presidente da República eleito, em 1996, não seria crime de lesa-pátria algum concordarmos parcialmente com o General.

Isto, na parte em que refere que o sentimento «da rua» clama por «um novo Abril», pelo menos no enfoque à decepção generalizada com os propósitos de 1974, e com a necessidade de uma opção nacional sobre o papel das Forças Armadas, que também não se sabe bem para que serve neste momento.

Em vez de dar «gasolina» às declarações proferidas, antes vejamos a opinião de alguém que, aferindo pela sua postura, não será propriamente um «pirómano».

Assim, transcrevemos o último parágrafo do artigo de opinião intitulado «Da necessidade de esperança», publicado na revista Visão, edição nº 992, de 8 de Março, pág. 39, da autoria de Pedro Norton:
"Não há revolução que não se alimente no luto da esperança do regime anterior. Todos os grandes políticos, em algum momento, perceberam isto. Nem que fosse, como foi o caso de Churchill, quando o desalento parecia tomar conta do mundo, para exortar o martirizado povo britânico a continuar a percorrer o inferno:«if you are going through hell, keep going». Implícita, temida, mas está lá. E não deixa de acenar dos confins do inferno." Fim de citação com bold nosso.

Dito isto, é fazer as contas.      

quarta-feira, 14 de março de 2012

Perguntas do dia

O que é que este Senhor vem fazer a Portugal? 


 Olli Rehn, Comissário Europeu dos Assuntos Económicos

Dizer: "Já mostrámos muita imaginação e especialmente responsabilidade na forma como devemos superar as dificuldades económicas de Portugal." Será isso?...  

E que é que este Senhor vai fazer à Comissão Parlamentar de Economia?

Sérgio Silva Monteiro, Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações

Invocar a «5ª Emenda» para não se enredar mais no caso Lusoponte?
Será isso?

sábado, 9 de abril de 2011

Duas ou três coisas

1. Desta vez não foi no twitter ou no Facebook. Foi lá mesmo, de viva voz, em Budapeste, paredes meias com a reunião do Ecofin, que Cavaco Silva tornou a sacudir a água do capote:  


"O Presidente da República recusou hoje qualquer intervenção na negociação com a oposição do pacote de ajuda financeira a Portugal, sublinhando que o chefe de Estado não tem meios para tal, nem a Constituição o permite.
Questionado se entende que terá de ser o Governo a negociar com os partidos o pacote de ajuda financeira que irá apresentar a Bruxelas, Cavaco Silva foi perentório na resposta: «A senhora não está com certeza a imaginar que seja o Presidente da República».

(Fonte: Diário Digital / Lusa, 9 de Abril de 2011 - bold nosso)

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2. O Comissário Europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, está farto da brincadeira. Os finlandeses não percebem e a UE começa a pensar, com razão, que em Portugal está tudo louco. 


«Já mostrámos muita imaginação e especialmente muita responsabilidade para encontrar soluções que ajudem a ultrapassar a situação difícil que Portugal atravessa», respondeu Olli Rehn, na reunião dos ministros europeus das Finanças deste sábado.

(Fonte: TSF online, 9 de Abril 2011, 15:11)

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3. Onde quererá chegar o MNE, Luís Amado, com as declarações ambíguas que tem feito nos últimos tempos? Assegurar um lugar ao sol? Que tem "mamar doce", lá isso tem. 


“Não gosto da lógica de culpabilização do ponto de vista político. Todos somos culpados de uma certa forma pela crise que o País vive, todos sem excepção”, adiantou Luís Amado, para quem “deve haver antes uma lógica de responsabilidade” pois “todos temos de ser responsáveis pelas nossas próprias decisões”.

(Fonte: Negócios online, 09 Abril 2011, 16:41 - bold nosso)

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4. Acabei de ver, na íntegra, a intervenção que José Sócrates fez ontem no Congresso do PS. Sabemos como são os discursos dos líderes partidários nas reuniões magnas dos partidos. Servem, antes de mais, para mobilizar e entusiasmar as tropas. A prova dos chefes afere-se pela força e pela capacidade de inebriar as respectivas hostes, por via da energia que transmitem.

Pelo menos desse ponto de vista, o Secretário-Geral do PS fez um grande discurso. Passou ao ataque, arriscou, pôs as cartas todas em cima da mesa. Apostando tudo no juízo final, "transcendeu-se" perante os seus.
A mensagem passou para o País, através daquela prova pública que deu, quando ensaiou Está o PS todo comigo?

Quando comparado, Pedro Passos Coelho continua a ser "um Jota". Ainda que as sondagens apontem a seu favor, ocorre interpelar: 

Será que PPC teria coragem para perguntar - Está o PSD todo comigo?
Até talvez esteja... 

Mas a sua "obrigação" é outra.
O líder do PSD seria capaz de em ocasião semelhante perguntar:
Portugal confia em mim?
Os portugueses estão comigo?

Duvida-se.