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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Bom Ano

Funchal, Madeira, Portugal

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Nogueira & capital

No Dia Mundial do Professor, o "inefável" da FENPROF e "adamastor" do Ministério da Educação, Mário Nogueira, deslocou-se ao Funchal, onde participou na inauguração das novas instalações de um sindicato da sua classe, em cerimónia presidida pelo Presidente do Governo Regional.

Até aqui, nada de mais, para quem não vê entre os sindicatos e os poderes públicos, necessariamente, uma relação de forças antagónicas, em permanente tensão, como se uns e outros não devessem ter presente que concorrem para fins comuns, na prossecução de interesses colectivos. Será Mário Nogueira, que ouviu, também ele, apupos dos seus pares, foi à tal inauguração baseado nesta premissa?

Com os holofotes nacionais a cobrir o acontecimento (o líder da FENPROF não é ingénuo), Alberto João Jardim aproveitou a ocasião para dizer que é contra a avaliação dos professores, e é sabido que na Região a todos foi atribuída a classificação de «muito bom», o que se traduz na progressão nos escalões e nos vencimentos auferidos. Mário Nogueira, veio "explicar-se", dizendo que estava ali na qualidade de blá, blá, blá...

Este "episódio Nogueira", por si, pouco teria de relevante. Mas pelo que representa, não pode passar em branco. Num tempo em que as instituições públicas e os partidos são acusados de definhamento, e numa altura em que se clama por uma regeneração dessas entidades e organizações, é costume os sindicatos e as suas federações escaparem às análises, como se não tivessem nada a ver com o Sistema instalado.

Nada de mais errado! Sindicatos (e Patronato, diga-se), fazem parte do establishment e também eles precisam de sofrer profundas mudanças, rapidamente, desadequadas que se tornaram as suas estruturas e o seu modus operandi nos dias que correm. 

domingo, 18 de abril de 2010

Madeira - jardim de gratidão, pérola recuperada, exemplo ao País inteiro

Festa da Flor será agradecimento de madeirenses pela solidariedade
(...) O criador da Festa da Flor da Madeira considera que este ano o evento representa o agradecimento dos madeirenses pela onda de solidariedade que surgiu para com a ilha devastada pelo temporal.
"A flor simboliza amor e amizade e nada melhor para expressar a gratidão de um povo do que as flores", disse à agência Lusa João Carlos Abreu, que durante 30 anos foi o responsável pelo setor do turismo da Madeira.
"Quando queremos conquistar uma pessoa oferecemos flores e fazer da flor a razão determinante para esta relação humana foi uma ideia excelente. É uma forma de agradecermos aos outros o que estão a fazer por nós e a gratidão é um sentimento extraordinário", argumentou. (...)
(JORNAL DA MADEIRA/LUSA, 16.04.2010)

terça-feira, 2 de março de 2010

Decrete-se este exemplo ao País inteiro

Diz o i online, que reproduz notícia da Lusa:

(…) O Instituto de Emprego da Madeira vai disponibilizar aos serviços públicos, às autarquias das zonas afetadas e às instituições sociais e comunitárias envolvidas no apoio às populações atingidas a colocação de desempregados através do Programa Operacional de Trabalhadores Subsidiados, ao qual é dada toda a prioridade (…) O governo regional refere que "este programa não tem custos para as instituições", já que "os desempregados continuarão a receber a respetiva prestação social, acrescida de um subsídio complementar equivalente a 25 por cento da remuneração mínima, do subsídio de transporte, do subsídio de alimentação e de um seguro de acidentes pessoais.

Já todos vimos as impressionantes imagens da calamidade natural que se abateu sobre a Madeira. Temos podido observar agora o imenso trabalho em curso para remoção dos efeitos do desastre, sendo de realçar que, passados 8 dias, a Cidade do Funchal está praticamente limpa, em vias de recuperar o asseio que a distingue da grande maioria das cidades portuguesas.

O teor da notícia avançada pela Lusa deveria servir de exemplo a todo o País, Açores incluídos. A decisão, perfeitamente extensível às mais diversas áreas, (um jardim é apenas uma imagem), é das tais que não requer nem debates, nem estudos, nem pareceres ou consultoras. O diagnóstico está feito e a receita é só uma; fazer mais e melhor com os recursos disponíveis. Ou, afinal, Portugal não está num estado calamitoso? Será preciso decretá-lo? Decrete-se!

PS: Há muito que defendemos o enorme significado político que seria o "Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social" passar a denominar-se "Ministério do Trabalho e do Voluntariado". Mas no meio da crise que o País atravessa isso passa a aspecto de somenos. Outras Legislaturas virão.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Madeira


 Os insulares mantêm uma relação diferente com as forças da Natureza. Quer dizer, nascem habituados a relativizar o risco, por determinismo geográfico. Estão cônscios de quão limitado é o Homem ante o poder colossal do meio ambiente, em que vivem. Seja por estarem próximos do mar, de uma falha sísmica, de um vulcão, da exposição a intempéries, ou da morfologia dos solos. Mas ali teimam habitar, retirar o seu sustento, fazer as suas vidas e ser felizes. De tempos a tempos, os caprichos naturais manifestam-se com estrondo, como que a relembrar de quem é a última palavra. E é preciso começar de novo. E não é por isso que se quebram os laços entre o Homem e o seu pedaço de terra. E também não é por isso que as cargas telúricas demovem os insulares de continuar, numa resistência constantemente enrijecida. É dessa tensão permanente que nasce a tal idiossincrasia, com variáveis entre as ilhas, razão para se dizer que cada qual é um «mundo».

Os relatos e as imagens que nos chegam da catástrofe na Madeira são impressionantes; pelas dimensões do impacto da tempestade, bem como por todas as consequências materiais e humanas que acarretam, havendo já registo de várias dezenas de vítimas mortais, embora seja ainda prematuro avaliar os efeitos totais da desgraça ocorrida nesta parcela de Portugal.

O País está enlutado. É dever de todos, a começar pelo Estado, prestar auxílio e ajudar os sinistrados, sobre as mensagens de consternação e pesar, para conforto dos que choram. Enche-se ainda de significado a presença no local dos mais Altos Responsáveis, da Região e da República, manifestando o amparo devido - posto ao alcance das mãos e do olhar daqueles que mais perderam; os famíliares, amigos e vizinhos das vítimas.

Depois, enterrados os mortos e assistidos os vivos, é mister pôr mãos à obra e começar a tratar do novo dia. O rasto da destruição na Madeira será removido e a Ilha sofrida saberá restituir-se. Reerguendo-se, sarando as feridas, repararando os prejuízos, e voltando rapidamente ao labor e à vida. 

Nesta hora de tristeza e desolação, envio um Abraço, de força e coragem, a todos os madeirenses.

PS: O momento é de respeito e de acção. Casos há em que a palavra "solidariedade" soaria mais autêntica se no lugar dela imperasse atitude discreta e silêncio… o mais reles oportunismo politiqueiro não está convocado para a dignidade que o momento exige. Uma coisa é respeito, outra são vôos de "abutres rasantes". Não há dor que os não identifique, nem sentimento que os não repudie.