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domingo, 20 de setembro de 2015

E agora?

Este ano, em nove meses, Alexis Tsipras venceu duas eleições e um referendo. Será a vontade soberana dos gregos expressa nas urnas "um conto para crianças"?

domingo, 5 de julho de 2015

Alternativas


 

Discordo daqueles que sustentam que não há alternativa para a Grécia.
 
Não há alternativa no quadro que está desenhado. Haverá alternativa, sim, caso exista vontade política da Europa para rever as disfunções do modelo vigente. Aliás, foi sempre assim que as alternativas surgiram - pela necessidade de encontra-las, em nome de desígnios comuns, mais altos. Lá fora, como cá dentro...
 
Não há alternativa é à reforma das instituições europeias. À redescoberta dos valores originários da União. Ao respeito pela soberania dos Povos. A uma moeda única capaz de incluir economias, em vez de as apartar.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Europa - o tempo é breve

 
Parece que não há maneira da nomenklatura europeia perceber que, quer chegue a acordo com a Grécia, quer não, vai ficar a perder.
 
Com acordo, a UE perde menos. Sem acordo, os danos tornam-se incontroláveis para a Europa inteira.
 
Faltam políticos capazes de ver largo e longe, em vez de comissários que só conseguem ver ao perto e estreito.
 
A esta hora, o problema já não é uma questão de engenharia financeira, de execução de um programa de assistência, ou sequer, de uma nova adenda, com um plano específico de apoio ao investimento. É política. É geopolítica. São razões dos Estados soberanos. São razões da União Europeia. 
 
A esta hora, o problema é que os céus da Europa já estão cheios de abutres.
 
P.S. 
O reembolso antecipado de Portugal é uma boa notícia. Mas uma Maria Luís frígida com Varoufakis não fortalece a posição portuguesa e cava mais fundo sobre o estado de necessidade grego. É triste.

domingo, 25 de janeiro de 2015

A Europa grega


O voto maioritário dos gregos é um apelo, para que entendamos as razões deles, que também são nossas. E uma interpelação, para que que se encontre outro modelo, numa Europa que também é deles.
 
No discurso que ainda há pouco fez, não vimos em Alexis Tsipras um tiranete ou um extremista. Vimos um democrata e vimos um líder. Vimos aquele que agora passa a ser o principal intérprete da dignidade reclamada. Legítimo.
 
Nesta tensão entre os países do Sul e do Norte, a questão passa pela proclamação que "ninguém é escravo de ninguém".
 
Tanto pode ser esse o significado das declarações do governo grego, como já foi esse o significado das declarações do governo finlandês, por exemplo.

Fundamental é que uns e outros confluam no repúdio da "escravatura".
 
Abre-se, pois, uma página nova. O tempo de reedificar os alicerces da construção europeia. O tempo de refundar. O tempo inadiável. O tempo da história futura.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Um suinicultor numa aldeia chinesa

 

Não é a importância do Acordo alcançado que está em causa. É claro que os fundos disponibilizados pela UE a Portugal até 2020 são consideráveis e permitem avançar com um avultado conjunto de investimentos de que o País tanto carece. Não é isso. É a parolice de Durão Barroso. Se oficialmente o Governo atura aquilo de mão estendida, já para os cidadãos não há estômago que aguente. Com aquela tirada da "pipa de massa" a pontificar, Barroso saiu-se como um autêntico javardo. Pior que revelar a sensibilidade de um suinicultor numa aldeia chinesa, ofendeu os portugueses. Mostrou que nem guarda um pingo de respeito pela terra que o viu nascer nem se lembra do meio onde foi criado. Parecia um daqueles emigrantes endinheirados de antigamente, que chegavam anafados, com as notas no bolso da camisa, colarinho branco e mais trocos a chocalhar na algibeira das calças. Claro. A primeira coisa que faziam era ir à taberna. Comprar o direito a gabar-se grosso, com uma rodada ao pessoal. Havia quem não se vergasse. Antes beber água da fonte e poder mandá-lo cavar! Continua a haver. É dinheiro público de uma União que Portugal integra e é membro de pleno direito. Não é caridade. O Sr. Barroso que vá arrotar para casa dele.

domingo, 22 de junho de 2014

Comissário Europeu - um português sem medo


Deverá ser alguém de cariz eminentemente político, que não se paute pela ortodoxia ditada pelos eurocratas do status quo caduco. Capaz de promover pontes com os países do sul. Que não seja do género de pedir licença para levantar a voz contra a hegemonia dos programas únicos. Que não hesite em afirmar a vocação atlântica de Portugal nem a condição singular universalista portuguesa para mediar diálogos da Europa com o Mundo.
Dão-se sardinhas com batata a murro a quem acertar no nome do próximo Comissário Europeu.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Coitado do FMI


http://online.wsj.com/article/SB10001424127887324299104578527202781667088.html?mod=WSJEurope_hpp_LEFTTopStories

Salvaguardadas as devidas diferenças, esta do FMI reconhecer erros no Plano da Grécia faz lembrar a indústria farmacêutica.
 
Pegam em ratinhos de laboratório e vão-lhes fazendo experiências com esta e aquela substância. É preciso que morram muitas cobaias e que as fórmulas sejam reformuladas muitas vezes até que a comunidade científica diga que o remédio está pronto para ser testado em humanos.Então, as doses são ministradas via de regra a doentes terminais, pois morrer do mal ou da cura vai dar ao mesmo.
 
Voltando à Europa, aos PIGS e aos planos de assistência do FMI, o que estamos a assistir é a experimentalismo social e económico puro, cujo paralelo, para o encontrarmos, talvez tenhamos que remontar aos regimes nacional-socialistas que emergiram no Velho Continente nas décadas de 20 e 30 do Século XX. Com a diferença dos resultados terem sido melhores nalguns aspectos. Pelo menos cada Estado decidia por si próprio e os «bois» tinham nome.
 
Fascismo era fascismo, nacionalismo era nacionalismo, ordem era ordem, e por aí fora. Deu mau resultado? Pois deu. Mas na viragem do pós-II Guerra a Europa Ocidental soube o que fazer. E agora não sabe, ninguém sabe, no meio de tanta bagunça e da «Babel» chamada União Europeia, «sem rei nem roque»...

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O "pormenor" da falta de soberania

O que diz Henrique Monteiro na sua rubrica, O "pormenor" da falta de soberania, roça, de certo modo, algumas posições do conhecido eurodeputado Nigel Farage, e é não só natural como desejável que em Portugal outras vozes se juntem, para um debate "à séria" sobre os moldes da nossa integração europeia.
 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Roma mais perto de Porto Alegre


13.03.2013
 
Depois do «fumo branco», quando já passava um quarto das sete horas da tarde em Portugal, vimos aparecer na varanda da Basílica de São Pedro o cardeal francês Jean-Louis Tauran, que proferiu as palavras mais esperadas, Annuntio vobis gaudium magnum: Habemus Papam.
 
Prosseguindo, o protodiácono adianta Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum, Dominum Jorge Sanctæ Romanæ Ecclesiæ Cardinalem Bergoglio qui sibi nomen imposuit Franciscum.

Bergoglio!?
Trocaram-se olhares.
Instantes de alguma confusão, entre a alegria, irrepetível, e a dúvida, momentânea. 
O argentino! O argentino... 
 
O Arcebispo Emérito de Buenos Aires vinha vestido de branco.
O Mundo pôs os olhos naquele que logo ali haveria de lançar o mote para o seu pontificado, em imediata empatia com o Povo, com quem começou por gracejar e a quem logo pediu que rezasse por ele, num gesto simples e belo, da mais fecunda humildade.
 
Quem é o Papa Jorge Bergoglio, que adoptou o nome de Francisco?
Já tudo se sabe e ainda muito pouco se sabe.
 
Numa palavra, por aquilo que já vimos, o Papa Francisco não será um conservador, pelo que «abrirá» mais a Igreja aos novos tempos, mas também não será um radical, pelo que ninguém conte com «aventureirismos».
 
Será, antes de mais, um humanista-cristão, no sentido mais genuíno do termo, pelo que é de esperar um líder próximo dos fiéis, que refirmará a segurança do Credo, por um lado, e inaugurará um regresso à causa cristã, da justiça social, em toda a a linha, sem deixar de atender ainda à preservação da natureza e à defesa do «desenvolvimento sustentável».
 
Entre muitíssimas outras notas que podem ser atribuídas ao caminho alinhavado pelo novo Chefe da Igreja, não só esperamos, como acreditamos, que o novo pontificado será, definitivamente, o tempo da convocação dos católicos para uma intervenção social mais forte. Pela positiva, no testemunho. Pela crítica, na coragem.
 
Após a queda do Muro e o soçobrar do modelo de leste, o Mundo ficou desiquilibrado a favor de um neoliberalismo de consequências muito nefastas. Andamos todos à pocura de um «novo paradigma».
 
O Papa Francisco, cremos, pela sua palavra, pela sua acção e pela sua capacidade de mobilização, vai constitui-se num farol que apontará novos rumos ao Mundo, contrariando os ventos presentes.
 
Daí a inevitabilidade do papel do Sumo Pontífice na reestruturação da ordem mundial.
 
Para grande parte dos lusófonos, em especial os brasileiros, torcia-se pelo Bispo de São Paulo, Dom Paulo Ségio Machado... o Papa afinal acabou por vir da América do Sul, mas da Argentina. Seja como for, o certo é que a geografia também tem os seus desíginios... 
 
Utilizando uma inagem, a partir de agora, Roma passa a estar mais perto de Porto Alegre. 
Davos, agora, fica a uma distância-tempo mais longínqua.

Bom seria que os grandes do Mundo percebessem a dinâmica da Igreja na geopolítica, a começar pelo conservador e neoliberal Directório da União Europeia, ultrapassado e agora mais isolado.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Barroso e Passos, uma boa dupla


 
O que é que Pedro Passos Coelho foi fazer a Oslo?
 
Acertar o passo com Durão Barroso?
 
Curiosamente, Barroso escolheu este seu «momento» para, apenas num dia, falar mais de Portugal à Europa e dirigir-se mais aos portugueses do que em todos os oito anos passados à frente da Comissão Europeia...