quinta-feira, 1 de abril de 2010

O Mexia e o mexilhão

O presidente da EDP vai receber este ano os prémios plurianuais do triénio 2006-2008 para além da remuneração relativa a 2009.
No total, a remuneração de António Mexia ascende a 3,1 milhões de euros.
Em relação ao exercício de 2009, o gestor recebe 703 mil euros em salários fixos mais 600 mil euros em remuneração variável, atribuída consoante a prossecução de objectivos.
No entanto, e por ter cumprido os objectivos do triénio 2006-2008, a esses valores acrescem prémios plurianuais de 1,8 milhões de euros, 600 mil euros por cada ano.
Tudo somado e o presidente da eléctrica vai receber 3,1 milhões de euros.
(Diário Económico, 31.03.10)

Se isto não é injusto, se não é desadequado, se não é indigno, se não é imoral, se não é vergonhoso, se não é escandaloso, se não é revoltante e se não é censurável, então, os portugueses podem deixar de pagar as facturas da luz à EDP, que também não será nada demais. Ou não?

Podem dizer, “Ah… mas é que o CEO trouxe e conseguiu executar uma estratégia que fez com que o Grupo EDP aumentasse os seus lucros em não sei quantos milhões e, além disso, é através da EDP que Portugal está na linha da frente das energias renováveis, e mais blá, blá, blá…”.

Ele até podia ter descoberto ouro em Marte! E ter negociado a concessão da mina com os marcianos em condições altamente vantajosas para o País...
Por fazer bem o seu trabalho não quer dizer que deva receber exorbitâncias faraónicas, enquanto os seus concidadãos apertam o cinto e muitos nem cinto usam, pois já têm a barriga colada à costas, de fome.

Ou será que, depois da Finlândia, o nosso modelo passou a ser o das oligarquias das repúblicas das bananas?